O pensamento cria a nossa realidade, se você criou uma realidade da qual não gosta ou lhe está a causar problemas e mal-estar no seu dia-a-dia, então não continue a pensá-la. Mudar a forma de pensar muda a nossa realidade, cria a nossa verdade, cria a nossa experiência, cria aquilo que sentimos, que odiamos, que nos repugna, que nos entristece ou por outro lado, que nos motiva, que nos dá alegria e tranquilidade.  Em vez de nos limitarmos a ter a experiência, porque tê-la é uma reacção (reagimos ao que sentimos), devemos construí-la, porque a criação é uma acção (decidimos o que queremos sentir e o que queremos ser). Provavelmente já lhe aconteceu dizer a um amigo: “gostava de pensar como tu” ou “gostava de ser como tu”. Então porque é que não é? o que é que o impede de pensar como o seu amigo? Na verdade nada nos impede de pensarmos ou sermos como desejaríamos, a não ser nós mesmos. Sendo assim, proponho-lhe que mude. Mude a sua forma de pensar e agir e desenvolva a sua confiança.

O desenvolvimento da confiança faz parte de um processo de aprendizagem de experiências ao longo da vida, do desenvolvimento de competências, habilidades, auto-estima, conhecimento, audácia, estilo de pensamento, perspicácia, entre outros. O desenvolvimento da confiança é o motor para a acção, é o motor para o nosso bem-estar. Toda e qualquer pessoa necessita de um sentimento de confiança para se propor a fazer algo, esse algo será tanto mais eficaz e movido de motivação quanto mais percepção de confiança se tiver em nós mesmos ou no resultado.

Nos momentos de aflição, de desmotivação e de instabilidade emocional, a confiança é afetada, prejudica-nos os nossos pensamentos e a organização da nossa vida. Temos mais dificuldade em tomar decisões e a execução da mais pequena tarefa pode colocar em causa as nossas capacidades  e habilidade aprendidas. Instala-se um sentimento de impotência e incapacidade ao ponto da dúvida ser a nossa maior certeza.

COMO MELHORAR E DESENVOLVER A CONFIANÇA?

Apresento em seguida um conjunto de estratégias que aplico em alguns programas de desenvolvimento pessoal:

  • Adopte uma atitude positiva na vida.  Nas questões do seu dia-a-dia, no seu trabalho, estudo ou lazer, deve esforçar-se para se  relembrar que deverá tentar colocar-se num estado positivo (alinhado com os desejos e objetivos). Isto permite que perante algo mais difícil e aborrecido não faça auto-sabotagem e não se coloque num estado de incapacidade (um estado com menos recursos).
  • Evite pensamentos depreciativos. Em casa ou nos momentos de reflexão (quando está a falar para si próprio ou a pensar nas questões da vida), deve tentar tomar consciência se está a abrir o “Livro das Lamentações” ou o “Catálogo das Frustrações”… as experiências anteriores são coisas que fazem parte do passado, são os seus sentimentos a avisarem-lhe que algo de desagradável se está a passar na sua vida. Nesta situações não deverá:- Pensar que é a pior pessoa do mundo
    - Que não tem valor nenhum como pessoa
    - Que os outros são melhores e têm uma vida melhor
    - Que as coisas nunca irão melhorar
    - Ter pena de si
    - Pensar nos seus insucessos e achar que é um falhado
    - Todos estes tipos de pensamentos são “PROIBIDOS”
  • Construa o seu livro motivacional. Arranje formas de se auto-motivar para alcançar aquilo que deseja. Não abra o “livro das lamentações”, esse livro neste momento é proibido. Olhe para a solução das coisas, veja a melhor maneira de ultrapassar as dificuldades. Tente perceber qual é o seu melhor estado para fazer as coisas de uma forma motivada: o que pensa, diz e imagina para si, para se sentir com mais vontade e energia? tente perceber isso. Depois reproduza isso o maior número de vezes possível. Deve escolher um conjunto de afirmações que estejam alinhadas com aquilo que pretende melhorar ou que gostaria de conseguir atingir. Deverá então mentalmente ler o seu  “Livro Motivacional”, e falar de forma construtiva e assertiva consigo próprio:- Eu quero melhorar
    - Quero ter uma visão positiva da vida
    - Quero ser bem sucedido
    - Quero ter bons relacionamentos
    - Vou acreditar em mim
    - Vou valorizar-me
  • Desenvolva o processo passo a passo. Deve começar este processo passo a passo com muita calma, é possível que por vezes o seu humor seja afectado e diminua – perante esta situação tem de ter muito cuidado e não deverá confundir-se com o seu “mau humor”. Aceite-o, mas não deve concluir que está a ter os pensamentos que sempre teve, ou a piorar, ou que afinal não vale a pena o processo de auto-ajuda que está a fazer (consigo mesmo). Isto é o seu problema a manifestar-se (insegurança)….está a pedir a sua atenção…e deve dar-lha, mas pelo lado construtivo, lembrando-se que é você que tem de escrever o seu guião, que é você que tem de realizar o filme da sua vida e produzi-lo. Tem de trabalhar na sua motivação e atitude (mesmo que no início isso exija algum esforço).
  • Aprecie as coisas boas na sua vida. Todos nós mesmo nos momentos mais frágeis da nossa vida, possuímos coisas que ainda nos fazem sentir bem e que nos permitem olharmos para elas como uma fonte de motivação e orgulho. Provavelmente ainda tem aquele amigo que lhe quer bem, que o ajuda nos momentos críticos. Consegue ser autónomo na sua vida, se não consegue tem pelo menos alguém que o ajuda, se não tem ninguém que o ajuda, tem pelo menos forma de a procurar.  Ainda que possam ser poucas coisas, foque-se naquela que percebe como sendo uma mais valia e desconfirme a ideia de que tudo é mau.
  • Aprecie as pequenas conquistas. Pouco a pouco vá olhando para as pequenas conquistas que fez, para as coisas boas que tem na vida e sobretudo para aquelas que quer vir a alcançar. Você consegue, se escolher fazer coisas para alcançar os resultado desejados.
  • Comece bem o seu dia. Antes de se deitar, deseje acordar bem disposto. Nós temos a capacidade de mudarmos algumas coisas em nós. As nossas atitude, humores, e forma de ver a vida não são fixas. Devido à plasticidade cerebral que possuímos enquanto seres humanos, podemos sempre por força da vontade reprogramar, comportamentos que sabemos serem mais valiosos e mais facilitadores para a nossa vida. Acordar mal humorado não é certamente algo muito enriquecedor. Você será capaz de ir implementando isso pouco a pouco. lembre-se que tem controlo sobre os seus pensamentos, quer tenha consciência ou não, é você que decide se quer acordar bem disposto ou mal disposto: O que é que irá fazer?
  • Organize o seu dia mentalmente. Veja-se a chegar com uma boa atitude ao trabalho ou local de estudo, pense que irá cumprimentar as pessoas com um sorriso, mas que não vai ser forçado, mas sim porque é uma coisa que você quer que passe a acontecer,você deseja isso, pretende ser assim. Ser simpático e querer-se ser simpático é uma mais valia na nossa vida, é uma virtude que deveremos trabalhar. Veja-se a conseguir resolver as coisa de forma construtiva, olhe para si como alguém que é capaz de sair de casa e ir à luta.

  • Aceita o seu estado actual. O fato de neste momento estar a fazer algumas coisas que não são as ideais, de não se sentir tão seguro com deseja, ou não ter tanta convicção nas suas acções, não significa que não as aceite (e também não fazem de si uma pessoa com menos valor), aquilo que se propuser a fazer neste momento, é uma via para vir a alcançar aquilo que pretende, logo é uma coisa boa, deve valorizar essa sua atitude e capacidade.
  • Aceite o seu momento emocional menos bom. O fato de por vezes se sentir mal emocionalmente, não faz de si uma pessoa triste, desmotivada e desesperançada. Todos nós passamos por momentos difíceis na vida. Não faz de nós pessoas menos capazes ou com menos valor e muito menos “miseráveis.
  • Leve em consideração que pode melhorar. Ao querer auto-ajudar-se, está a dar o primeiro passo para a sua melhoria. Por vezes as contrariedades da vida permitem-nos aprender outras formas de encarar a vida e preparar-nos para as adversidades. Veja o lado positivo, está a trabalhar para ultrapassar um momento menos bom da sua vida, e está a conseguir aos poucos. Esta sensação de estar a ajudar-se a si mesmo por certo lhe transmitirá um sentimento de capacidade e consequentemente de melhoria da sua confiança.
  • Mantenha-se firme na sua motivação. No caminho da melhoria existem sempre alguns momentos menos bons, não se deixe abater por isso. É normal ficar um pouco mais em baixo, com menos vontade (como qualquer outra pessoa) não se deixe confundir ao ponto de pensar que pode estar a piorar. Mantenha-se confiante que está no bom caminho, e que em algumas situações de vida já consegue ter uma atitude mais positiva, melhor humorada e mais construtiva. Continue assim.
  • Mude de canal. Quando perceber que está a ter pensamentos depreciativos, mude de canal, como se tivesse a mudar a estação de rádio do seu carro. Habitua-se a fazer isto. Todos nós fazemos isso quando algumas coisas nos chateiam e sabemos que não vão ter grande importância no futuro. Mudamos de canal, pensamos noutras coisas ou decidimos não dar atenção aquela situação ou pensamento.
  • Sinta o seu corpo. Perceba quando o seu corpo está relaxado e descontraído que se sente melhor (registe essa sensação) e quando estiver numa situação de ansiedade ou mais desesperado e incapaz, tente recordar-se dessa sensação, tente reproduzir essa sensação de bem-estar no teu corpo. Isto irá ajudá-lo a não ficar num estado de alerta e consequentemente permite-lhe organizar os seus pensamentos.
  • Cuide de si e seja “vaidoso”. O ato de cuidar de nós, só por si revela o apreço e a dedicação que temos por nós mesmos. Indirectamente, estamos a dizer que vale a pena ter atenção a nós, que existem coisas que gostamos de fazer, que gostamos de nos sentir de determinada forma, pois isso faz-nos sentir bem. E sentir bem é uma coisa boa, por isso não se esqueça de cuidar de si. Não se esqueças de si mesmo. Faça coisas que gosta, que lhe dêem prazer e bem-estar. Uma boa refeição, um chocolate, um passeio ao luar, um banho de emersão. Qualquer coisa que goste, faça isso, coloque isso na sua agenda e faça. Faça isso de forma programada, diga a si mesmo, “agora vou fazer isto que tanto gosto e me dá prazer.”

A psicologia positiva ocupa-se da promoção das forças e virtudes existentes em cada individuo, relegando para segundo plano o modelo de interacção meramente psicopatológico que observa as pessoas através das lentes do modelo da doença ou do problema. De acordo com esta abordagem, acredito que cada um de nós independentemente das vicissitudes da vida, podemos sempre escolher focar-nos naquilo que temos de melhor, ou que ainda nos resta. Fugir à vitimização, aceitar os maus momentos e acreditar que munidos das nossas melhores capacidades e virtudes conseguiremos minimizar as contrariedades e vencer os obstáculos.

Força para você.

Abraço