Enquanto seres humanos orientamos as nossas ações em direção a um resultado que nos recompense com bons sentimentos. O nosso cérebro recompensa-nos com emoções positivas quando fazemos algo que beneficie a nossa sobrevivência. E, ficarmos satisfeitos, contentes e felizes são tudo sentimentos que estiveram na base de comportamentos e atitudes que promovem o nosso bem estar. O nosso bem estar é motivado pelo impulso inato que temos para sobrevivermos. O nosso cérebro motiva o nosso corpo para se direcionar para “coisas” que façam disparar emoções positivas, e evite “coisas” que façam dispar emoções negativas. A nossa vida desenrola-se entre a experiência de emoções negativas e emoções positivas. Na vida inevitavelmente iremos sentir stress, dor e insatisfação. O stress e dor muitas vezes manifestam-se em emoções, como tristeza, raiva, medo, vergonha e culpa, entre outras. Quando essas emoções surgem, o nosso cérebro envia sinas que fazem disparar uma resposta de stress no corpo, que por sua vez é lida pela nossa mente que nos faz elaborar um pensamento verbal: “Caramba, como é que vou corrigir isto” ou “Isto não pode voltar a acontecer” ou “Não suporto esta situação” obrigando-nos a direcionar a atenção para o passado para prever o futuro.

AS EMOÇÕES NEGATIVAS FAZEM-NOS SENTIR MAL PORQUE FUNCIONAM A NOSSO FAVOR

As emoções negativas na sua essência não são más. As emoções negativas evoluíram ao longo dos tempos como uma maneira de sentirmos um incómodo no corpo que nos alerta acerca dos riscos que corremos, ou de coisas que estão a acontecer que nos prejudicam e/ou nos causam dor física e/ou emocional. Esta ideia pode parecer ultrajante. Como é que algo que nos faz sentir mal pode ser boa?

O cérebro humano é especialista em evitar maus sentimentos. Nós evitamos a fome e frio plantando alimentos e armazenado combustível. Mas as emoções negativas permanecem, independentemente do quão bem satisfazemos as nossas necessidades. Assim que você esteja alimentado e quente, o seu cérebro irá monitorizar outras coisas que possam prejudicá-lo. A sua sobrevivência será sempre ameaçada enquanto for vivo, e o seu cérebro nunca pára de procurar por ameaças à sua qualidade de vida (sobrevivência). É exatamente a monitorização inata para a qual estamos mentalmente preparados que pode prejudicar-nos. E, prejudicamo-nos sempre que não conseguimos fazer uma boa leitura acerca da informação que as nossas emoções negativas nos transmitem.

A saber: Para que possamos tirar vantagem do nosso programa de defesa ancestral, que se edificou em torno do fabuloso mecanismo de disparo de emoções negativas que nos obrigam a focar a nossa atenção na possível ameaça à nossa sobrevivência, é necessário aprender a aceitá-las e a regulá-as.

emoções

REGULAR AS EMOÇÕES AO INVÉS DE CONTROLAR

Admito que seja difícil encarar a realidade de que as emoções independentemente do quão dolorosas e poderosas sejam, como a raiva, tristeza, desespero, desamparo, ou solidão, não são inerentemente más, terríveis, perigosas ou erradas. Certamente, elas podem ser desconfortáveis, poderosas, e por vezes bastante inconvenientes. Mas, na verdade, é o nosso medo condicionado e vergonha que nos ensinam que estas emoções são perigosas e de todas as maneiras “más” e que, portanto, elas necessitam de estar sobre controle. No entanto, são as nossas tentativas de aprender a controlar as nossas emoções “negativas” que produzem problemas muito mais profundos e mais insidiosos. Nós gastamos muito do nosso tempo e energia fugindo de sentimentos e experiências dolorosas.

Por esta razão, não devemos querer controlar as emoções, no sentido de evitarmos ter e sentir um conjunto de estímulos desagradáveis para os quais estamos geneticamente preparados para ter. O que devemos sim, é aprender a regular as emoções, tal como expliquei no artigo: Autoregulação, para sentir-se melhor foque-se no mais importante. E, para poderemos regular as emoções é importante que primeiro as aceitemos. É primordial que tenhamos a noção que não conseguimos não sentir as sensações desagradáveis no nosso corpo na forma de sentimentos negativos. Aliás, isso seria catastrófico. Partindo deste princípio, podemos considerar que para cada um de nós será vantajoso compreender e aceitar as emoções negativas, tal como expliquei no artigo: A verdadeira força está em compreender e aceitar a dor emocional.

EXERCÍCIO PRÁTICO

O exercício que se segue é de simples execução. É composto por quatro elementos chave que permitem aprender a “surfar” as suas emoções negativas de forma a que obtenha vantagem emocional:

1) Concentre-se e mantenha na sua mente uma imagem, memória, pensamento ou sentimento doloroso.

2) Descreva para si mesmo, tão especificamente quanto possível o sentimento (s) que surgir.

3) Tome nota e foque a sua atenção na parte do seu corpo onde emanam os sentimentos que está a sentir.

4) Preste atenção à forma como as emoções, imagens e sensações físicas mudam e se movem, mantendo o seu foco na alteração das sensações.

Esta técnica, permite que mergulhe toda a sua atenção nas suas emoções. Faça este exercício usando situações em que sinta o disparo de algumas emoções negativas de baixo impacto emocional, como pequenos aborrecimentos, frustrações, tédio, melancolia. A idéia é que você fique exposto à experiência de tolerar as suas emoções negativas sem drama. É importante que observe aquilo que sente do ponto de vista exterior, tentando entender a essência do seu mal estar, incómodo ou insatisfação. Em seguida tente perceber se aquilo que sente está ligado aos seus comportamentos ou a alguma situação pela qual está a passar, e que os seus sentimentos são seus aliados. Não se sinta mal acerca dos seus “maus” sentimentos. Retire a informação útil que as suas emoções negativas possam estar a transmitir-lhe, regule o seu estado, e oriente os seus comportamentos, atitudes e pensamentos pelos seus valores, alinhados-os com os seus objetivos. Leve em consideração que o objetivo de regular o seu estado para um nível ótimo é duplo, vir a sentir-se melhor e a resolver o problema que enfrenta.

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PASSAR DO EXERCÍCIO À PRÁTICA NO DIA A DIA

Depois do exercício pretende-se que seja capaz de entender que você não é os seus sentimentos. Você é aquele onde os sentimentos se fazem sentir, e que estes manifestam-se com a intenção de transmitir-lhe informação que possa usar para regular o seu estado interno no sentido de melhorar a situação que possa estar a enfrentar, e certamente não gosta. É importante transmitir a você mesmo que pode e consegue suportar algum do incómodo provocado pelas suas emoções negativas, mas que esse incómodo é temporário. Em seguida, deve acrescentar a ideia de que as coisas irão recompor-se porque sabe como regular o seu estado interno, e que pode colocar em marcha um conjunto de ações que o conduzem para uma solução que no seu retorno lhe irá gerar um reforço positivo: melhores sentimentos.

Para mais informações acerca da razão porque as emoções negativas também pode ser boas e vantajosas para a vida de cada um de nós, leia: Porque os sentimentos negativos podem ser surpreendentemente bons para você?

Abraço