Não se preocupe. Ou melhor não se preocupe apenas. Deixe que a preocupação se transforme em ação. Quando você se percepcionar preocupado com alguma coisa, faça a seguinte pergunta: “O que é que posso fazer acerca disto neste preciso momento?” E em seguida faça alguma coisa. Faça qualquer coisa. Qualquer coisa, por mais ínfima que seja. Durante grande parte da minha vida fiz a pergunta errada sempre que estada preocupado. Eu perguntava a mim próprio: “O que é que eu deveria estar a sentir acerca disto?” Ainda que os nossos sentimentos sejam de levar em consideração, se tiverem desajustados, se forem incapacitantes, ou nos afastem do objectivo, podem ser prejudiciais. Uma pergunta muito mais capacitadora para quando sente que ligou o seu modo da preocupação será: “O que é que posso fazer acerca disto neste preciso momento?”

EXPLORE AS POSSIBILIDADES

Colocar a pergunta no campo da ação, permite-lhe igualmente colocar-se no campo das possibilidades. Imagine que se chateou com o seu parceiro e percebe que erradamente disse coisas que não deveria e o machucaram. Algumas coisas que poderia fazer caso transformasse a preocupação em ação:

  • Poderia enviar-lhe flores
  • Poderia ligar-lhe a dizer que está arrependido das coisas que lhe disse
  • Poderia deixar-lhe uma nota em algum local
  • Poderia marcar um jantar para falar acerca do assunto

Todas as possibilidades são acções, e quando agimos face a algo, aumentamos a probabilidade de diminuirmos a preocupação e resolver o problema causador da mesma. Preocupação é estar (pré)ocupado antes de passarmos à ação, imobilizando-nos e prendende-nos apenas a pensamentos desajustados. Normalmente está associado a uma grande incapacidade de resolução de algo, ou que algo que não desejamos aconteça no futuro. Acresce a este facto, que também associado à preocupação está a ansiedade, e a ansiedade é antecipatória, projecta-se sempre face a algo que receamos não conseguir lidar, ou que aconteça no futuro algo que não desejamos.

A preocupação quando é exagerada coloca-nos numa situação de não produção de ação, porque:

  • Pré-ocupa-nos cognitivamente acerca de algo (quer seja orientado para o passado ou para o futuro, nada podemos fazer naquele momento)
  • Acciona-nos o mecanismo da ansiedade
  • Gera-nos sentimentos desagradáveis, os quais passam a ser prioritários para a mente já preocupada
  • Gera-nos sensações físicas desagradáveis, as quais passam também a ser prioritárias para a mente, aumentado ainda mais a preocupação

ABANDONE A RUMINAÇÃO

Existem sem dúvida assuntos que merecem ser alvo da nossa preocupação. Porque nos fazem sofrer, porque temos de reparar ou evitar que algo aconteça. No entanto, por muito incapacitante que seja o assunto da nossa preocupação, se passarmos grande parte do tempo a ruminar sobre o assunto e não conseguirmos avançar, deveremos trabalhar a nossa disciplina. Programe um determinado tempo para pensar acerca do assunto, e fazer coisas no sentido de contribuírem para a diminuição da sua preocupação, ansiedade, mal-estar físico e emocional.  Se algo o preocupa deve sempre fazer alguma coisa acerca disso. Não tem de ser uma grande coisa que necessariamente faça com que a preocupação desapareça. Pode ser qualquer coisa, por menor que seja. Acredite que o efeito que terá em você será enorme.

Foque-se na solução e não só no problema gerador de ansiedade.  Não se confunda com o problema, a tendência da nossa estrutura mental é para ser coerente. Passo a explicar, se chegámos à conclusão que estamos preocupados é certamente porque temos uma justificação que nos parece lógica para sentirmos o que estamos a sentir. A tendência natural é para que a sua atenção se dirija para os estímulos que o fazem sentir-se mal, afastando-se das possibilidades que podem existir para resolver o problema.

Tente não ruminar no problema, mas sim pensar nas possibilidades que podem existir para minimizar a situação ou mesmo resolvê-la. Esta atitude positiva permite mudar do canal de preocupação para o canal da ação. Mude de canal tal como se fosse ao volante do seu automóvel e no rádio que está sintonizado começa a ouvir uma música que detesta, certamente muda de canal. Faça isso mesmo com a sua preocupação,  mude para o canal da ação, para o canal da solução. Mesmo que não lhe surja de imediato algo que julgue ser satisfatório, continue a procurar na sua mente.

Faça a si próprio perguntas capacitadoras orientadas para a ação:

  • Como é que vou resolver isto?
  • Tenho de encontrar uma solução?
  • O que é que posso fazer para diminuir a minha ansiedade neste momento?
  • Qual a menor coisa que posso fazer agora, para ajudar-me?
  • A quem posso recorrer para me ajudar ou esclarecer sobre o assunto?

LIBERTE-SE PELO PODER DA AÇÃO

Qualquer coisa que o preocupe deverá ser alvo de acções da sua parte, e não apenas limitar-se a pensar  ansiosamente acerca do assunto. Agir sobre a sua preocupação liberta-o para para outras coisas. Remove o medo e a incerteza da sua vida, devolvendo-lhe o controlo para criar aquilo que pretende.

Dica: Aplica-se aqui o slogan da Nike: Just do it.

Abraço

Consultas Psicologia Online

Autor: Miguel Lucas

Blog do Autor | Artigos do Autor: Miguel Lucas

Licenciado em Psicologia, exerce em clínica privada. É também preparador mental de atletas e equipas desportivas, treinador de atletismo e formador na área do rendimento desportivo. É autor da Escola Psicologia.

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Comentários dos Alunos


  1. Nelson Roque
    25 de junho de 2011

    Excelente artigo… Continua com este trabalho. É preciso blogs assim.

    Responder


    • Miguel Lucas
      26 de junho de 2011

      Olá Nelson, obrigado pelo comentário.

      Agradeço o reconhecimento e o incentivo. Vamos continuar motivados para produzir conteúdos para a melhoria de vida de quem necessita.

      Abraço

      Responder


  2. Doug
    28 de junho de 2011

    Talvez se aplique aqui aquela máxima do Mestre Yoda: “Faça ou não faça, não existe tentar”.

    Texto animador!!!!

    Responder


    • Miguel Lucas
      20 de julho de 2011

      Olá Doug, obrigado pelo comentário.

      Exatamente, tentar não é fazer, intenção não é ação.

      Abraço

      Responder


  3. Anderson Chipak
    31 de agosto de 2011

    Miguel, muito bom seu artigo. Você já considerou criar um artigo com um calendário, extremamente prático, de 21 dias com exercícios de mudança de Crenças e utilizando outras técnicas para mudança? Um artigo super completo sobre como mudar na prática. Seria muito legal ter isso. Fica ai a sugestão.

    Abraço!
    Anderson Chipak

    Responder


  4. Francisca das Chagas Alves Pereira
    7 de setembro de 2011

    Miguel, obrigado pelos textos que você tem me enviados, pelo reconhecimento e pelo incentivo, os textos são excelentes e tem me ajudado muito. Continue essa pessoa maravilhosa, e que tem nos ajudado muito, obrigado.

    abraços.

    Francisca.

    Responder

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