As crianças geralmente não desenvolvem transtornos de ansiedade por conta própria. Obviamente, os genes e a biologia têm alguma influência, mas esses fatores em grande parte apenas predispõem as crianças para adquirirem problemas relacionados com a ansiedade. Na comunicação com as crianças, as mensagens erradas e as indicações ou comportamentos dos adultos significativos perante determinada situação estressante podem promover o desenvolvimento de transtornos de ansiedade, em ambos as crianças, as ansiosamente predispostas, assim como as crianças ditas normais.

Perante situações estressantes ensine respostas adequadas

Se você é um pai, educador, professor ou alguém que se preocupa com as crianças, importa saber que tipo de mensagens de insegurança corre o risco de transmitir. Em seguida apresento três erros comuns que os pais fazem, por outras palavras, os três tipos de mensagens que você “não” deve dar-lhes:

1. Invalidar ou negar os sentimentos das crianças. Se as crianças parecem preocupadas, com medo, chateadas, ou distraídas, às vezes é tentador dizer-lhes “não há nenhuma razão para te sentires assim“, ou mesmo que eles “não deveriam” estar sentindo o que eles obviamente estão sentindo. Os pais ou educadores dão essas mensagens, porque não querem que as crianças se sintam angustiados ou ansiosos. Então, o pensamento que suporta este tipo de mensagens é que os pais ou educadores julgam que as crianças vão entender que se os seus sentimentos ruins não têm nenhuma justificação, e por isso não irão sentir-se da forma angustiada como se sentem. Grande erro.

As crianças precisam saber que é normal e não é problemático nem é mau, às vezes, ter um pouco de medo ou angústia.

lidar ansiedade nas crianças

Fornecer tranquilização incessantemente. Mensagens que “tudo ficará OK” parece ser o mais indicado para dizer às crianças, mas se você não as disser muitas vezes, provavelmente não vai haver nenhum problema. No entanto, quando você frequentemente tranquiliza as crianças a cada receio, dúvida ou erro cometido, acaba dando-lhes a mensagem de que elas precisam de você (como um adulto ou pai) para ajudá-los a ver que as coisas irão correr bem, ou que mal nenhum existe nas decisões que escolheram. Com este tipo de comportamento parental, eles não conseguem aprender que conseguem tomar boas decisões ou acalmar-se em situações estressantes ou ainda ficarem com a noção que serão capazes de recuperar de uma perda, erro ou fracasso por conta própria.

Proteger as crianças de todos os problemas. Ninguém quer ver uma criança ficar em perigo. No entanto, o crescimento, desenvolvimento e aprendizagem requer que as crianças enfrentem os desafios e até mesmo correr alguns pequenos riscos ao longo do seu desenvolvimento. Os pais ou educadores que tentam constantemente “eliminar” todos os perigos e riscos que as crianças enfrentam, ensinam-lhes que o mundo é um lugar assustador e que elas precisam dos adultos significativos para orientá-las em tudo o que fazem. Essa mensagem dificilmente alimenta a independência e maturidade que elas precisam alcançar como adolescentes e adultos jovens. Então, o que é um pai ou educador deverá fazer em vez disso?

Uma das melhores maneiras de ajudar a evitar que as crianças desenvolvam transtornos de ansiedade é modelar (ensinar pelo exemplo) como lidar com as situações. Eu recomendo que os pais ou educadores expressem o que estão sentindo quando estão ansiosos ou perturbados com algo, e mostrar às crianças como eles pretendem lidar com a situação que têm em mãos e com o impacto que isso está a ter ao nível emocional. Por exemplo, você poderia dizer: “Às vezes eu sinto-me nervoso quando tenho que subir uma escada, mas eu só preciso tomar uma respiração profunda, ser cuidadoso, e fazê-lo. Se eu ficar muito nervoso, eu sempre posso voltar para baixo, mas é bom enfrentar pequenas dificuldades.” Outra boa estratégia é os pais ou educadores elogiarem as crianças quando elas fazem esforços para fazerem as coisas que lhes gera um pouco de ansiedade.

A mensagem a reter é a seguinte: Com cuidado, estimule as crianças a enfrentar os medos, sublinhando que um pouco de ansiedade é normal, e não tente protegê-las de todos os desafios e riscos.

Abraço,

Miguel Lucas