As emoções são o pulsar da vida, são o fim último de qualquer comportamento. Vamos ao cinema para sentir emoções, vamos ao parque de diversões para sentir emoções, ouvimos música para sentir emoções. Por vezes, reagimos desadequadamente e perdemos a cabeça devido ao disparo exacerbado e descontrolado das nossas emoções. Para o bom e para o mau, as emoções estão sempre na base e no topo dos nossos comportamentos. O que leva muitas das vezes a tomarmos ações precipitadas ou a arrependermo-nos de alguns dos nossos comportamentos é o fato de ser muito difícil decifrar as emoções e não termos consciência momento a momento o quanto nos condicionam. Você está a sentir raiva ou inveja? Você está ansioso ou animado? Aprender a decifrar as nossas emoções e a tomar consciência do quanto influenciam a mudança dos nossos estados internos é primordial para o nosso equilíbrio emocional. A forma de aprender este processo é questionando as emoções e sentimentos.

QUESTIONE AS SUAS EMOÇÕES E SENTIMENTOS

Um dos primeiros pilares da inteligência emocional é a autoconsciência. Este é o processo de compreender melhor os seus sentimentos através da auto-observação e autoinvestigação. Este processo é realizado através da observação das nossas emoções a partir de um ponto de vista objetivo, e em seguida, tentar perceber o que as está causando e o quanto estão influenciando as nossas ações. As emoções orientam o comportamento humano. As emoções são informação, são uma forma de conhecimento que possuímos, muitas vezes breves, intuitivas, impulsivas e em reação ao nosso meio ambiente e, assim, elas podem ser propensas a erros. Devido a isso, os seus sentimentos podem ser enganosos se reagir sempre a eles, sem os questionar. Em determinados momentos, é boa ideia dar um passo atrás e questionar os seus sentimentos antes de escolher a melhor forma de responder-lhes. Aprofundei este assunto no artigo, Deixe de reagir: Escolha a sua resposta em consciência afirmando quem você quer ser.

No nosso dia a dia somos invadidos por imensos gatilhos que nos alteram o nosso estado de humor e consequentemente fazem disparar emoções em reação a esse estado. Se o estado que experienciamos é negativo e exacerbado, o mais provável é que influencie a nossa forma de pensar. Se essa forma de pensar momentânea é muito diferente do habitual, certamente iremos comportar-nos de uma forma que posteriormente pode comprovar-se como prejudicial e inadequada. Este é um exemplo da ampla influência das emoções e porque devemos questionar os nossos sentimentos. Você pode estar num estado de mau humor, por algum motivo aleatório, como ficar preso no trânsito ou por ter derramado café na sua camisa, e em seguida, o seu humor vai influenciar negativamente a sua impressão acerca de alguém. Racionalmente, você sabe que as duas coisas não têm nada a ver uma com a outra, mas inconscientemente a sua mente faz a ligação entre os seus sentimentos atuais e da outra pessoa. Quando você desenvolver uma melhor compreensão acerca dos seus sentimentos e de onde eles vêm, passará a não cometer equívocos como os do exemplo anterior.

emoções

Apresento algumas linhas orientadoras para você praticar o questionamento das suas emoções:

  • O que estou sentindo? Não basta dizer que você se sente “bem” ou “mal”  deverá ser específico. É tristeza ou raiva ou decepção? Tente o seu melhor para encontrar uma ou duas palavras que melhor descrevam o seu sentimento.
  • Quando foi a primeira vez que eu reparei nesse sentimento? Há quanto tempo o sentimento vem acontecendo? Apareceu há pouco tempo, ou foi aparecendo ao longo do tempo?
  • Qual é a principal causa desse sentimento? Tente pensar que acontecimento da sua vida o levou a sentir-se dessa forma. Existe alguma coisa que aconteceu que se destaque de todas as outras habituais?
  • Quais são as possíveis causas secundárias desse sentimento? Quais são alguns outros fatores que podem estar contribuindo para essa emoção? Existem várias “pequenas coisas” que se podem ir acumulando ao longo do dia ou dos dias?
  • Estou cansado ou stressado? Muitas vezes o stress e a fadiga geral podem amplificar as nossas emoções. Por exemplo, os problemas de insónia ou excesso de trabalho pode conduzir a pessoa a aumentar a irritabilidade, a tensão e a confusão.
  • Como devo responder a esse sentimento? Qual é o melhor curso de ação a ser tomado em resposta a essa emoção? Você deve falar com alguém, ouvir música, fazer uma caminhada, fazer algo produtivo, tirar um tempo para refletir?
  • Devo apenas esperar que essa sensação passe? Só porque você sente algo não significa que precisa agir de imediato sobre esse sentimento. Às vezes é melhor apenas “deixar ir” uma emoção até que ela desapareça. Os nossos sentimentos são temporários, eles não duram para sempre.

As pessoas que conseguem “trabalhar” na conexão entre o pensamento e os sentimentos, quando percebem a interrelação entre o pensar e o sentir, desenvolvem uma elevada consciência emocional. Isto porque a nossa capacidade de pensar sobre os nossos sentimentos ajuda a criar um amortecedor entre as nossas emoções e consequentes respostas, de modo a que possamos deixar de agir impulsivamente o tempo todo. O simples ato de pensar e questionar os nossos sentimentos ajuda a separar-nos do “calor do momento.” Quanto mais você questionar os seus sentimentos, mais pode controlá-los, em vez de deixar que tomem o controle.

Enquanto eu me questionar,

Enquanto eu tiver capacidade de me olhar de fora, de me distanciar de mim mesmo, eu continuarei a crescer, progredir e evoluir,
Enquanto eu tiver a capacidade de me arrepender,
De perceber que eu erro, que falho,
Enquanto eu me questionar acerca das minhas decisões,
Haverá chances de aumentar a minha sensibilidade,
Haverá chances de escrever uma nova história,
Haverá chances de pedir perdão,
Questionar-me faz emergir em mim a minha humanidade,
Questionar-me, enaltece-me, faz-me acrescentar valor, faz perceber-me melhor, para que possa também perceber os outros,
Questionar-me faz-me ficar mais próximo dos que amo, daqueles com quem me cruzo, dos meus amigos, do chefe no trabalho, do condutor enfurecido, do desespero do desempregado, da aflição da mãe que aconchega o filho,
Questiono-me uma e outra vez, não por ter dúvidas, mas para ponderar caminhos,
Caminhos que questiono se devo desbravar, se devo embranhar-me neles,
Caminhos que passo a saber que percorri,
Caminhos que reconheço que outros estão a percorrer,
Por vezes caminhos sombrios, catastróficos,
Caminhos de revolta, de sofrimento, de frustração, de dor, de exaustão,
Que caminhos são esses que questionei ter escolhido? Que caminhos são esses que percorro?
São os caminhos, que por vezes, percebo que me levam a criticar os outros que os estão a percorrer,
Questiono-me e percebo que os meus caminhos são iguais a tantos caminhos que os outros escolhem, talvez sem se questionarem,
Questiono-me e aprendo, aprendo que errar é humano, mas que quando expresso a minha humanidade de me questionar o erro transforma-se em valor,
Um valor de me olhar como um ser errante, igual a tantos outros seres errantes,
Questionar-me aumenta a autocompaixão, aumenta a minha empatia pelos outros,
Fiquei consciente que os meus questionamentos suportam as minhas decisões e,
Quando essas decisões me conduzem a lugares que me prejudicam ou prejudicam os outros,
O ato de me ir questionando, torna-me suficientemente consciente para me enriquecer com a experiência,
E na minha imperfeição, continuo a questionar-me, não para ser perfeito, mas para fazer as coisas na perfeição.

- Miguel Lucas

Abraço,

Miguel Lucas