Goste ou não, as suas emoções conduzem as suas decisões, e o seu sucesso certamente dependerá muito da capacidade que tem para as entender e interpretar. Quando uma emoção é desencadeada no cérebro, o nosso sistema nervoso responde criando um sentimento no corpo e um conjunto de pensamentos na nossa mente. Uma grande quantidade das nossas decisões são influenciadas pelas respostas emocionais, porque é exatamente para isso que as emoções se desenvolveram: para avaliar e analisar as nossas experiências e também para contribuir com informação para as nossas acções. Mas, quando uma emoção é desencadeada, até que ponto deveremos prestar atenção às nossas respostas viscerais e aos pensamentos que são criados?

Citação: “O que este poder é eu não posso dizer: tudo o que sei é que ele existe e fica disponível apenas quando uma pessoa está naquele estado mental em que sabe exatamente aquilo que quer e está totalmente determinada a não desistir até o encontrar.” – Alexander Graham Bell

EMOÇÕES SÃO UMA FORMA DE INFORMAÇÃO

As emoções não são particularmente sofisticadas ou precisas, mas a sua velocidade e utilidade compensam o que falta em sofisticação e precisão. As emoções, quando não estão desordenadas, fornecem informações sobre as circunstâncias de uma maneira simples e rápida, não envolvendo muita cognição (pensamentos). As emoções transmitem-nos informações acerca das situações, se estas estão alinhadas e de acordo com os nossos objetivos e como as devemos abordar.

Por exemplo, imagine que está a negociar um determinado contrato e começa a ficar ansioso. Se alguma coisa lhe parecer errado, será o seu sistema emocional que lhe informará que deverá avaliar melhor a situação. Você pode ficar perturbado com a sua ansiedade ou pode levá-la em consideração e avaliar porque razão se está a sentir dessa forma. O que é que se estará a passar para se sentir incomodado? Será que a outra pessoa faz com que o seu cérebro emocional se lembre de alguém que no passado tenha tirado vantagem de você? Estará esta pessoa a fazer o mesmo, ou será apenas um maneirismo que ela tem e que disparou a sua resposta ansiosa? Será a sua resposta ansiosa uma reacção à outra pessoa ou a si mesmo, tal como o seu medo do sucesso ou fracasso?

SUPRIMIR AS EMOÇÕES PODE SER UM RISCO

Você pode pensar que o melhor curso de acção é suprimir ou ignorar um emoção intensa, ao invés de a tentar perceber. Mas porque razão ignoraríamos uma emoção que evoluiu durante milhares de anos? As nossas emoções servem um propósito, informam-no (a você), o operador do seu corpo, o que deve fazer. Nós somos constantemente confrontados com uma abundância de informações que temos de processar, um monte de estímulos em que refletir. Não temos tempo para processar todas as informações de forma reflexiva, mas o cérebro processa-as de forma passiva e inconscientemente, expressando esses dados na forma de uma emoção. Para o bom e para o mau as emoções são nossas aliadas.

O que nos prejudica e nos causa angustia e transtorno é a forma desajustada como interpretamos os sinais que essas emoções nos transmitem. Normalmente esses sinais, sentem-se no corpo através de manifestações físicas (suor, rigidez muscular, aperto no estômago, batimento cardíaco acelerado, rubor facial, aumento da temperatura corporal, nó na garganta, tremores, tonturas, arrepios, dormência, entre outros).

Se o seu cérebro se depara com algo que ele avalia como uma “bandeira vermelha”, você receberá um alerta geral, na forma de sentimentos e pensamentos que são criados por uma emoção. Este sinal é um alerta pouco preciso que capta a sua atenção. Desta forma, as nossas emoções servem como um sistema de pistas e atalhos, um sistema de direccionamento da atenção associado a alterações fisiológicas que podem preparar-nos para a acção. Mas, não é um sistema em que possamos confiar muito, dado que envia-nos muitos falsos alarmes. Há falhas na nossa ignição emocional. Desta forma você deverá avaliar as suas respostas emocionais para verificar se são apropriadas. Pode aprofundar este assunto lendo o nosso artigo: Aprenda a gerir as emoções e a ter controlo na sua vida.

As emoções estão na base de muitas dinâmicas complexas no mundo dos negócios e das relações pessoais. Por exemplo, uma relação pessoal ou profissional com alguém que tenha uma personalidade narcisista pode desencadear uma resposta emocional perturbadora. Pessoas com personalidade narcisista tem uma capacidade singular de repudiar os aspectos indesejáveis de si e evocam respostas emocionais no parceiro ou subordinado levando-os a sentirem alguns aspetos ligados à rejeição, como vergonha, culpa, insegurança, medo, abandono, ciúme, inveja , e até mesmo raiva.

Um gerente de vendas narcisista que quer renegar a sua auto-dúvida e insegurança pode intimidar os seus colaboradores de vendas. Ou uma pessoa que teme o abandono por parte do parceiro e quer garantir o seu relacionamento com ele pode provocar-lhe ciúmes. As emoções são o combustível para as acções e reacções que temos, funcionando para situações várias, como o medo ou desafio, a vergonha ou orgulho, o contentamento ou tristeza, a fúria ou tranquilidade, a irreverência ou introversão, entre outras. Agimos de determinada forma tendo na base uma emoção e/ou sentimento face a algo ou acerca de algo. Nem sempre tem a ver com o fato de sermos desta ou daquela forma, de termos a personalidade A ou B, mas sim em relação ao fato como nos estamos a sentir ou o que estamos a sentir.

EMOÇÕES, UMA TREMENDA ENERGIA EM MOVIMENTO

As emoções têm um tremendo potencial para a acção. No entanto, a energia que  as emoções fornecem , especialmente no local de trabalho, é por vezes sentida como stress relacionado à realização de tarefas, gestão do tempo, ou com a produtividade, ao invés de gerar um potencial de acção para a tomada de decisões. Considere por exemplo, a forma como as pessoas respondem diferentemente na sua abordagem para finalizarem um projeto. Parta algumas pessoas, um projeto irá despoletar ansiedade do inicio até que esteja completo. Mas para outras, esses mesmo projeto não fará disparar a ansiedade até que o prazo final esteja perto, isto é, o término do prazo cria ansiedade que serve para motivar a acção. Um gestor emocionalmente inteligente  consegue reconhecer que os prazos têm o potencial para motivar os seus subordinados diretos de diferentes formas.

Dica: Saber reconhecer como as emoções afetam o seu próprio estilo motivacional ou o dos outros, pode ajudá-lo a tomar decisões mais conscientes e promover a obtenção dos seus objetivos.

O seu sistema emocional pode dar-lhe vantagem na tomada de decisões se você fizer um uso apropriados das emoções. Muitas pessoas pensam acerca das suas emoções como algo que elas têm de se submeter ao invés de algo que podem potenciar.

A saber: A evolução deu-lhe um sistema de informação particular que você pode usar a seu favor.  As emoções são um resumo de informações sobre o meio ambiente, formam um agregado de uma grande quantidade de dados sobre uma determinada situação/acontecimento.

As emoções podem dizer algo sobre o mundo que você pode não ter percebido com precisão de outra maneira. Elas são algo para interpretar e usar ao invés de um obstáculo ou problema que você deva ignorar ou controlar (conter). Assim como o polegar das nossas mãos, as emoções têm evoluído para ajudar-nos, embora às vezes possam parecer complicar a nossa vida ou colocarem-se no caminho dos nossos objetivos.

As emoções são uma forma automática de inteligência, não necessitam de processamento consciente da nossa parte. Ativam-se através de interpretações rudimentares, não precisam de uma avaliação analítica e precisa, por isso podem ser falíveis.  Tenha cuidado com as acções que toma quando está num estado emocional conturbado, pois pode vir a arrepender-se dado que as respostas foram baseadas numa interpretação rápida e não reflexiva. Relembro-o que você não é as suas emoções, ao confundir-se com as suas emoções, estas por vezes podem causar-lhe problemas se não souber interpretar e perceber o que elas lhe estão a transmitir. O que é que as suas emoções dizem acerca de si, da sua relação consigo, com os outros e com o mundo? As respostas que encontrar podem ser muito elucidativas.

Abraço.