O cérebro é a central de comandos dos sentimentos positivos. No entanto este órgão extraordinário, infelizmente tende a desenvolver alguns mecanismos subtis que nos impedem de sermos tão felizes como poderíamos. Nós aceitamo-los não porque somos submissos, mas porque não os conhecemos. Confundimo-nos com as vicissitudes da nossa vida e com as respostas corporais que o nosso cérebro interpreta como preocupantes, enviando um alerta em forma de sentimento. Se confundimos aquilo que estamos a sentir no momento, com aquilo que somos enquanto indivíduos, ficamos vulneráveis e à mercê da funcionalidade desse mesmo sentimento. Nós somos muito mais do que aquilo que sentimos, nós somos “aquele” que sente. O sentimento pertence-nos, dá-nos informação, alerta-nos para um determinado perigo ou satisfação, funciona como um marcador. No entanto este marcador deverá ser interpretado pela autoridade da nossa consciência, se deixarmos de fazer este exercício, entramos no caminho conturbado do desequilibro emocional.

A MÁ DISPOSIÇÃO E MAU-HUMOR CRIAM REDES NEURONAIS VICIADAS

Quando nos sentimos ameaçados ficamos mais atentos do que em circunstâncias normais. Foi a própria natureza que nos desenvolveu assim, para que possamos reagir ao mais leve sinal de perigo. Essa excitação e impulso para a acção é estimulada por hormonas como o cortisol, que circula no sangue, só voltando a níveis normais quando o motivo ou percepção de alerta deixa de existir. O estado de abatimento ou deprimido, corresponde a uma situação de stress constante. Uma frase infeliz ou um comentário sem importância, são sentidos como uma pequena catástrofe e uma prova de como tudo está contra a pessoa. Este estado leva a que se libertem mais hormonas do stress, o que nos torna ainda mais sensíveis, a tudo o que se apresente como ameaça, fracasso ou perda.

Este círculo vicioso, se permanecer por períodos longos, pode conduzir-nos a situações extremas, sentimo-nos tão afetados e com um erro de raciocínio tão grande, que o refúgio e a solidão passa a ser o pensamento mais viável e lógico. Más há ainda algo mais pejorativo, quando o abatimento e a desesperança se mantém por demasiado tempo, algumas redes neuronais do nosso cérebro começam a ser afetadas. O que acontece é que o cérebro, vai reforçando, mais e mais neurónios às redes neuronais que são ativadas de cada vez que a pessoa se percepciona como infeliz, sem vontade e num estado de tristeza profunda. Dia após dia, estas redes ganham uma força cada vez maior, pois à medida que se confirma o nosso estado de incapacidade, mais associações de situações negativas são acrescentadas à redes neuronais da “desgraça”. O cérebro perde alguma da sua plasticidade e capacidade de transformação, o raciocínio cristaliza-se e a pessoa vê a sua vontade paralisada. Uma questão vai tomando forma na sua mente: porque é que não consigo ser feliz?

Estudos, investigações e alguns simples testes na área da psicologia positiva, provam que quando estamos num estado de humor diminuído, sentimos muito mais dificuldades do que as pessoas em situação “normal” em resolver mesmo as tarefas mais simples, como colocar os talheres por ordem. A nossa memória de trabalho fica afetada quando estamos em estados deprimidos, enquanto as hormonas do stress diminuem a nossa capacidade de raciocínio e procura de soluções. Acresce ainda o fato que as capacidades que não são treinadas (usadas) acabam por atrofiar. Pode ler mais sobre este assunto em: 29 benefícios da atividade física na sua saúde. As conexões estabelecidas para a flexibilidade de pensamento, resolução de problemas e de estratégias de lidar com as situações difíceis começam a regredir quando deixam de ser utilizadas, com a inconveniência de as conexões da “desgraça” ficarem reforçadas.

A reter: Se o ciclo de negatividade se mantiver por muito tempo, as consequências acabam por ser devastadoras: As células cinzentas que sustentam a flexibilidade de pensamento definham.

ALTERNATIVAS PARA ESCAPAR À INFELICIDADE

Nós sentimo-nos desmotivados e deprimidos quando o cérebro carece de atividade. Esta é a razão pela qual a natural reacção à infelicidade não ajuda: quem se desmobiliza acaba por tornar tudo ainda pior, pois o cérebro vê-se privado dos estímulos que lhe permitem retornar à atividade. A falta de vontade para enfrentar as mais pequenas tarefas do dia-a-dia, a paralisação dos sentimentos e do raciocínio vão crescendo.

A reter: A inatividade não é uma receita aconselhável contra o abatimento.

Podemos enfrentar estes estados de desânimo na nossa vida através de uma dupla estratégia:

  • Esforçar-se para manter as pequenas tarefas e atividades do dia-a-dia, principalmente as mais subtis, vestir-se adequadamente, fazer a cama, alimentar-se, sair com os amigos, ir ao cinema, passear, lavar o carro, ir às compras.
  • Controlar e dirigir os próprios pensamentos e sentimentos, de forma a que a ruminação e a sensação de tristeza profunda não se torne um hábito.

ESCAPAR AO DESÂNIMO

Sabe-se hoje que a atividade física promove as sensações e sentimentos positivos tal como expliquei nos 29 benefícios da atividade física na sua saúde. A atividade física é um importante aliado do tratamento antidepressivo devido ao seu baixo custo e sua característica preventiva de patologias que podem levar uma pessoa a situações de stress e depressão. Os estudos que relacionam a atividade física à depressão têm verificado que as pessoas que praticam atividade física de forma regular reduzem significativamente os sintomas depressivos. Para além dos benefícios da libertação de endorfinas (“químicos do bem-estar”) no organismo, a prática esportiva permite ainda que a pessoa volte a sua atenção para as boas sensações que o corpo lhe transmite. É restabelecida a ligação às sensações corporais, permitindo desta forma um processamento de estímulos de bem-estar, devolvendo à pessoa o ânimo esquecido. Só o fato de estarmos conscientes de que conseguimos realizar algo para o nosso bem, e contra a resistência do comodismo, ajuda a afastar os estados deprimidos e melancólicos.

Durante as fases de abatimento que enfrentamos na nossa vida, o lado esquerdo do lobo frontal, que, por um lado, nos orienta para os nossos objetivos e, por outro, nos ajuda a controlar as emoções negativas, permanece pouco ativo. Assim, sempre que nos propusermos atingir um objetivo, por mais pequeno que este seja, estamos automaticamente a ativar esta parte do cérebro que tão importante é para o nosso equilíbrio emocional. Quando colocamos o plano de atividades em prática, e o repetimos de forma contínua, os neurónios sinalizam isso mesmo no lobo frontal, provocando uma sensação de satisfação, a qual todos faríamos bem em desfrutar.

Algumas formas complementares para ajudar a gerir as emoções e ter controlo na sua vida, têm a ver com duas atividades “naturais” e ambas restauradoras das nossas energias: O relaxamento e o sono. E uma outra, mas pela negativa, causadora de tensão, frustração e sobrecarga: o Stress. As duas primeiras  são  armas que podemos e devemos utilizar para nos restabelecermos e melhor controlar os nossos estados de ânimo.  Acontece, que perante as situações negativas da nossa vida e consequentes situações de incapacidade e desesperança, estes dois requisitos são tremendamente afetados pelo terceiro (o stress), prejudicando-nos ainda mais a clareza de pensamento e motivação. Desta forma, se está numa situação negativa da sua vida, com pensamentos derrotistas, de incapacidade e desânimo, pondere praticar algumas das técnicas simples mas igualmente eficazes que descrevo nos seguintes artigos:

SOU CAPAZ DE ME AJUDAR

Acredito que numa situação em que tudo nos corre bem, em que estamos a ser produtivos no trabalho, as nossas relações desenvolvem-se de forma saudável, andamos animados e com boas perspectivas de futuro, possamos não ter necessidade de nos preocuparmos ou ocuparmos com algumas das atividades atrás referidas. No entanto quando a situação é inversa, devemos fazer o esforço de nos voltarmos para nós mesmo e dizer: ” Sou capaz de me ajudar”. Sim você é capaz de se ajudar a si mesmo, mas para isso é necessário mudar a perspetiva negativa que criou de si, do mundo e dos outros. É necessário alterar a perspetiva de vítima, para uma perspetiva de produtor, de actor, de protagonista da sua vida. É você que pode escrever diariamente o guião da sua vida, com uma grande vantagem, se ao produzir e executar esse guião (falas, comportamentos e sentimentos) não estiver como pretendido, pode sempre ter a possibilidade de reescrever novamente o guião, antevendo e imaginado o que quer dizer, fazer ou sentir e que estratégias vai utilizar para se assegurar que irá acontecer como deseja. Você tem a possibilidade de se ajudar a si mesmo.

Como já verificámos, o abatimento e a desmotivação, apesar de terem relação com os acontecimentos da nossa vida, estabelecem igualmente relação com a forma como interpretamos as coisas para nós mesmos, e o que fazemos para resolver os nossos problemas. Acrescendo o fato, de o nosso cérebro se tornar viciado nas formas rotineiras do pensamento da desgraça. Agora que sabe as “partidas” que o seu cérebro lhe prega, esteja atento às suas manifestações em forma de pensamento derrotista. A estratégia a utilizar é desafiando esses mesmos pensamentos e implementar pequenas atividade com base no que você estabeleceu no seu guião de vida. Em seguida produza o seu próprio filme da “felicidade”. Não se iluda, você pode escolher aquilo que pretende sentir e o que deve fazer para lá chegar. Coloque-se no papel de produtor da sua vida e promova sensações de bem-estar e de capacidade.

E VOCÊ, COMO COMBATE OS SEUS ESTADOS DE INCAPACIDADE E DESÂNIMO?

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Abraço