Diversos estudos clínicos demonstram a eficácia da Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) no tratamento da Perturbação de Pânico. A TCC consiste em ensinar ao paciente procedimentos terapêuticos que visam a redução dos sintomas físicos da ansiedade (relaxamento e treino de respiração), da esquiva fóbica (terapia de exposição aos estímulos desencadeantes dos ataques de pânico) e a modificação dos pensamentos disfuncionais (reestruturação cognitiva). O tempo de duração é curto e a auto-aplicação, entre as consultas, das técnicas aprendidas é essencial para o sucesso do tratamento e para a manutenção da melhora clínica a longo prazo.

Descrevo as principais etapas da TCC da Perturbação de Pânico e alguns factores que podem dificultar e facilitar a resposta terapêutica. O modelo Cognitivo-Comportamental da Perturbação de Pânico procura integrar as abordagens biológicas e sociopsicológica nos procedimentos terapêuticos (Barlow, 1988). O ataque de pânico, elemento central deste transtorno, é considerado uma reacção de alerta do organismo, que pode ocorrer em situações externas, percebidas pelo indivíduo como ameaçadoras, ou sem causa aparente, por influência de factores biológicos. Possuir história pessoal ou familiar de algum transtorno ansioso e submeter-se a um período de stresse são factores que contribuem para o aumento da ansiedade geral e que facilitam o desencadeamento do primeiro ataque.

Com a repetição, esses ataques ficam condicionados a desencadeantes externos (locais ou situações) ou internos (pensamentos ou sensações corporais), que avaliados negativamente pelo indivíduo representam sinal de perigo iminente, de morte, de estar a enlouquecer ou a perder o controlo. Essas sensações levam a um aumento da ansiedade subjectiva, dos sintomas físicos e das antecipações catastróficas, e a pessoa torna-se apreensiva, em vigia constante, antecipando os sinais de que um novo ataque irá acontecer. Pode apresentar comportamentos de esquiva e fobias de situações em que acha que um ataque ocorrerá; de lugares de onde fugir ou escapar seja difícil; de condições em que não possa receber ajuda imediata em caso de necessidade; de sair ou ficar sozinho.

A Terapia Cognitivo-Comportamental da Perturbação de Pânico é composta por um conjunto de procedimentos que são utilizados de forma integrada e podem, para fins didácticos, ser subdivididos naqueles que auxiliam o paciente a lidar com os sintomas físicos da ansiedade, como o relaxamento e as técnicas cognitivas, os que visam à redução da esquiva fóbica, como a terapia de exposição aos estímulos desencadeantes dos ataques de pânico, e a modificação dos pensamentos disfuncionais, como a reestruturação cognitiva.

ABORDAGEM AO TRATAMENTO

O tratamento é breve quando focaliza a redução da ansiedade geral, dos ataques de pânico e da esquiva fóbica. Terapeuta e paciente trabalham em colaboração, planeando estratégias para lidar com as dificuldades expressas pela pessoa. A auto-aplicação, entre as consultas, das técnicas aprendidas é essencial para o sucesso do tratamento e para a manutenção da melhora clínica a longo prazo. As sessões são planeadas através de uma agenda que contém os alvos e as metas a serem alcançados na semana, os procedimentos apresentados, a revisão de diários com as respectivas tarefas de casa, os acontecimentos importantes relacionados ao tratamento e o planeamento dos próximos passos. Tarefas de casa são fundamentais para que o paciente possa praticar os procedimentos aprendidos em consulta e verificar o grau de seu aprendizado na gestão da ansiedade e dos desencadeantes dos ataques de pânico.

A utilização de diários permite identificar problemas e dificuldades na realização dos exercícios, adaptar as estratégias usadas e avaliar o progresso alcançado. A primeira etapa da terapia é a de avaliação de todos os componentes da Perturbação de Pânico, como duração, frequência e intensidade, e principalmente os desencadeantes do quadro, como factores de stress, dificuldades interpessoais, pensamentos ansiogénicos, sensações corporais, ansiedade antecipatória, esquiva fóbica e ataques de pânico limitados, os situacionais e espontâneos. Factores como presença de depressão ou outras patologias associadas deverão ser levadas em consideração. Problemas decorrentes de complicações da desordem, como os de origem familiar e conjugal, devem ser identificados na fase inicial da terapia. Dificuldades de ordem diversa podem ser abordadas rapidamente, mas se requererem maior tempo e atenção deverão ser, no momento apropriado, encaminhadas para uma terapia mais abrangente.

APRENDA A LIDAR COM UM ATAQUE DE PÂNICO

Sendo mais fácil controlar a ansiedade nas suas primeiras fases, é muito importante reconhecer o início do processo ansioso. Contudo, é possível que não repare nos primeiros sinais de ansiedade e que subitamente se descubra ansioso.. Nesses momentos é difícil pensar de forma clara e agir sensatamente. Torna-se pois fundamental aprender o que fazer quando tiver um ataque de pânico. Se estiver bem preparado, será capaz de controlar de forma adequada as suas emoções.

  • Lembre-se de que as suas emoções são normais e não lhe podem fazer mal.
  • Afaste pensamentos assustadores: procure pensar na situação duma forma mais positiva.
  • Aceite o que lhe está a acontecer. Se aguardar algum tempo, o medo passará. Se “fugir”, será mais difícil lidar com essa situação no futuro.
  • Tente gerir a sua ansiedade relaxando, distraindo-se e pensando de forma mais racional.
  • Faça um plano para se acalmar na situação. Por exemplo, descansar até se sentir mais calmo \ menos ansioso, ou pedir ajuda a um amigo. Seja o que for que decidir, faça-o da forma mais relaxada que puder.

A RESPIRAÇÃO DURANTE UM ATAQUE DE PÂNICO

Normalmente, quando entram em Pânico, as pessoas respiram depressa e/ou curto. A isto chama-se hiper-respiração ou hiperventilação, e é uma reacção assustadora em si, a hiperventilação é um problema. Entra demasiado oxigénio no corpo, o que irá resultar em sensações muito desagradáveis. Estas sensações incluem formigueiros, dores, tremores, tonturas, dificuldades de respirar, etc., e são tão semelhantes às sensações de ansiedade que muitas vezes se confundem. A tensão e a ansiedade que estas sensações desagradáveis causam, têm tendência para causar mais hiperventilação, e assim se forma um ciclo. Ansiedade – Sensações – Desagradáveis – Hiperventilação, este ciclo pode ser rompido se mudar o padrão de respiração – mesmo durante um ataque de pânico. Há duas maneiras de o fazer:

  • RESPIRAR PARA UM SACO DE PAPEL: Ponha o saco, bem seguro, sobre o nariz e a boca e expire dentro do saco por uns segundos. O saco enche-se assim de dióxido de carbono. Re-inspirar este ar restaura bastante depressa o balanço de oxigénio/dióxido de carbono, e as sensações desagradáveis desaparecem.
  • MUDAR A SUA RESPIRAÇÃO: Desacelere a sua respiração. Tente inspirar devagar e suavemente e expire igualmente devagar. Respire com o seu diafragma – o músculo imediato abaixo do tórax:

(a) Primeiro esvazie os pulmões, depois inspire suavemente através do nariz contando devagar até 4, deixando a barriga expandir-se.

(b) Depois, expire, também suavemente contando devagar até 6. Tente respirar entre 8 e 12 inalações por minuto estabelecendo um ritmo confortável. No início pode sentir que não tem ar suficiente, mas é importante resistir à vontade de inspirar ar rapidamente. Tente também não respirar com a parte superior do peito. Assim é possível restaurar o equilíbrio de oxigénio/dióxido de carbono no seu corpo, e as sensações desagradáveis desaparecerão.

É preciso treinar estes exercícios de respiração em ambiente calmo e tranquilo, para ser capaz de utilizar estas técnicas prontamente quando estiver ansioso. Para se recordar de praticar este exercício de respiração coloque um sinal num sítio que possa ver muitas vezes. Por exemplo uma mancha de tinta de unhas no vidro do relógio relembrá-lo-á que deve controlar a sua respiração sempre que quiser ver as horas.

Para aprofundar este assunto, pondere ler o artigo: Kit de emergência para ataques de pânico

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