Você quer ser mais produtivo? Talvez queira, mas certamente não se quer sentir stressado, frustrado, oprimido, ou infeliz. Isto acontece a muitas pessoas super-produtivas. No entanto eu tenho boas notícias: Você pode ser obsessivamente produtivo, e ainda assim apreciar um bom dia de sol, uma garrafa de bom vinho ou um abraço caloroso. Quando iniciei esta aventura de escrever assiduamente na Escola Psicologia, enfrentei algumas questões que coloquei a mim próprio, “como vou conseguir ser produtivo em mais uma tarefa e ainda assim manter a boa disposição, disponibilidade e atenção com os outros ou nas coisas que me relaxam e me permitem descontrair? Como é que irei conseguir fazer isso?”

Grande parte daquilo que  se aborda na questão da produtividade fala de como fazer as coisas de forma diferente, o que fazer para ter mais energia ou organizar melhor a agenda. Mas, uma elevada produtividade não tem a ver com fazer, tem a ver como ser. Se você quer ser altamente produtivo, e continuar a apreciar a vida, precisa de perceber como é que vive, e como é que usa a sua mente. Considere as seguintes cinco sugestões:

1. ESTABELEÇA UM ALINHAMENTO CONSIGO PRÓPRIO

A grande maioria de nós vive em constante conflito interno e sofre pela constante quantidade de pensamentos negativos que fazem sabotagem à produtividade. Visualize o seguinte cenário: imagine que o seu carro caiu numa ravina. Um grupo de pessoas aproximam-se para ajudar, prendem cordas ao à viatura e começam a puxar. infelizmente não puxam todos na mesma direcção, alguns tentam puxar para a estrada enquanto outros tentam puxar ainda mais para baixo. É um absurdo. É exactamente o que acontece quando estamos divididos ou em conflito: tudo se transforma numa luta, parece que nada acontece, acabando por ser frustrante. Mas, pelo contrário, se a sua mente e corpo estiverem alinhados? Quando a nossa energia está alinhada, ficamos num estado de Flow.

Quando sentimos um profundo estado de paz interior, e estamos imersos na tarefa que estamos a desempenhar, sem pensamentos negativos que possam sabotar a nossa produtividade, as acções executam-se sem esforço. Somos capazes de realizar mais coisas em menos tempo e com mais gozo. O tempo pára e perdemos a noção do “Eu” confundimo-nos com aquilo que estamos a fazer, existe uma união entre aquele que faz e o resultado daquilo que está a fazer.

Dica: Mude o foco de atenção. Sempre que tenha consciência que está a ter pensamentos negativos ou depreciativos, faça isso. Mude o seu foco de atenção para si próprio, e lembre-se de falar para si próprio, dizendo: “como é que eu posso realizar esta tarefa de forma mais satisfatória?”

Parece demasiado simples não é? sim na verdade é, mas esta simples técnica permite fazer uma interrupção na activação das redes neuronais activadas para irem buscar recordações e padrões de negatividade já vividos. Ao colocar a questão a si próprio, permite que se inicie uma nova activação de redes neuronais, coloca-se assim à procura de uma resposta mais eficaz e construtiva.

2. SAIA DA SUA ZONA DE CONFORTO, REGULARMENTE

Todos nós temos uma tendência inata para buscar conforto, e como resultado grande parte da vida diária está centrada em torno de padrões familiares e hábitos. Quando algo ameaça romper esses hábitos, sentimo-nos desconfortáveis, nervosos e ansiosos. Esses sentimentos negativos são evitados para continuarmos a viver a vida da mesma maneira, rejeitando alterar o quer que seja. Quer você queira ser recompensado pelo seu trabalho, ser bem sucedido como freelancer, melhorar a sua situação financeira, ter mais criatividade, ou simplesmente sentir que alcançou algo que desejava, a chave é sair da sua zona de conforto. Mesmo que você trabalhe por conta própria, fazer mais um pouco de esforço para tentar algo inovador ou diferente pode resultar no alcance de melhores resultados. Se você continuar a fazer o mesmo que sempre tem feito, irá obter aquilo que sempre tem obtido. Uma das soluções com bastante viabilidade é propor-se a fazer algo mais, algo de extra(ordinário).

Citação: Se você permanecer na sua zona de conforto certamente não irá muito mais longe. “- Catherine Pulsifer

Mas tal como qualquer outra mudança de hábito, sair da sua zona de conforto não acontece de forma natural. Você tem de intencionalmente propor-se a puxar um pouco mais por si, e/ou experimentar novas abordagens que façam sobressair algumas habilidades que possam estar adormecidas por não se ter desafiado a ir mais longe. Faça a sua auto-aprendizagem, tente perceber como é que outras pessoas alcançaram com elevados níveis de sucesso aquilo que você persegue. Investigue formas de executar melhor as suas tarefas e/ou objetivos, leia casos de estudo, livros e blogs na área. Procure guias que lhe forneçam instruções passo-a-passo acerca daquilo que vai encontrar fora da sua zona de conforto, e para onde pretende dirigir-se. Continue tanto quanto possível a consultar o material recolhido. Relembrar o que é preciso para alcançar o que pretende faz parte do processo para o seu sucesso.

Muitos de nós apenas usamos uma pequena parte das nossas capacidades e por vezes, erradamente tentamos poupar a nossa energia. Por exemplo, quando estamos numa fase da nossa vida em que temos dificuldade em acabar aquele relatório a tempo porque julgamos estar cansados, e então decidimos adiar. Esta decisão muito provavelmente não lhe irá melhorar a situação, é um passo em falso. Na grande maioria das vezes o cansaço pode querer dizer muitas coisas. Se você for saudável, talvez queira dizer que anda desmotivado, aborrecido, frustrado, ou então que realmente necessita de umas férias prolongadas. Pode eventualmente estar com alguns conflitos em termos de prioridades, o que faz com que gaste mais energia e produza menos. Tenha atenção ao seus humores e estados emocionais, aprenda a gerir as suas emoções de forma a atingir um equilibro emocional que lhe permita colocar-se no seu melhor estado de recursos. Desta forma estará muito mais capacitado para enfrentar as vicissitudes que possa encontrar fora da sua zona de conforto. A sua zona de desconforto, é onde vive o seu objetivo, caminhe para lá.

3. COLOQUE-SE EM ACÇÃO

Algumas pessoas não são suficientemente produtivas porque não se colocam em acção. Estas pessoas têm sonhos, desejos e planos, mas eles não seguem em frente, não fazem coisas em direcção ao que querem alcançar. Os pensamentos negativos e incapacitantes inibem a acção. Talvez você tenha dúvidas acerca das suas habilidades, ou os outros duvidem das suas capacidades, mas não se esqueça da sua maior habilidade, aquela que lhe é inata: a sua capacidade para aprender, a sua capacidade para arranjar soluções.

Relembre-se: O maior ato de inteligência do ser humano é perceber que é um ser aprendível. – Miguel Lucas

Dica: Foque-se naquilo que quer alcançar e pergunte a si próprio: “Qual é a menor coisa que eu posso fazer para me ajudar a alcançar o que desejo?” Depois dê esse passo de bebé.

Coloque-se em acção esta semana através de quatro passos:

  • Faça uma lista do que acha que é a sua zona de conforto e a que não é. (Você pode começar já a fazer isso deixando a sua lista mais em baixo nos comentários ao artigo!)
  • Perceba quais são os seus medos, dúvidas, críticas destrutivas e inibidoras acerca dos mitos sobre expor-se ao risco e a sair da sua zona de conforto. Tente desconfirmar essas crenças inadequadas à prosperidade e crescimento.
  • Coloque algumas métricas alcançáveis no novo objetivo para que se sinta recompensado fora da sua zona de conforto.
  • Escolha uma das suas atividades “fora da sua zona de conforto” e coloque-se em acção, determine o dia e hora para colocar em prática. Relembre-se você funciona melhor e é mais produtivo quando se desafia a si mesmo. Faça isso.

4. FAÇA AQUILO QUE GOSTA

O meu amigo Paulo Faustino, autor da Escola Dinheiro que escreve sobre estratégias de rentabilização de blogs e como ganhar dinheiro na Internet, transmite aos seus leitores que a premissa principal para se ter sucesso é fazer-se aquilo que se gosta. Ganhar dinheiro é um subproduto que emerge do processo que surge quando a pessoa  accionou o maior potencial da humanidade para o sucesso: fazer aquilo que se ama. Podemos ver o pensamento do Paulo Faustino expresso em alguns dos seus artigos:

Pense na forma como gasta o seu tempo. Você gosta do seu trabalho ou ele é uma aflição? Felizmente consegui ir fazendo aquilo que mais gosto. Inicialmente na área esportiva como atleta, depois como treinador, mais tarde licenciei-me em psicologia, consegui ainda integrar as duas vertentes e trabalho também na área da psicologia esportiva. Actualmente e como podem comprovar lancei-me neste projeto da Escola Psicologia, que me retirou da minha zona de conforto e me lançou num mundo novo, o mundo da escrita. Faço com gosto, porque estou a fazer aquilo que gosto, e faço aquilo que gosto porque inclui alguns aspetos que valorizo:

  • Transmissão do saber e clarificação de assuntos de utilidade pública.
  • Desenvolvimento e constante aprendizagem dos assuntos do meu interesse.
  • Ser bem sucedido como psicólogo e ver o meu trabalho expresso no bem-estar de outros.

O nosso melhor estado de recursos é accionado automaticamente quando nos sentimos imersos naquilo que fazemos, sentimo-nos ligados com a tarefa que temos em mãos porque perdemos a noção do tempo, esquecemo-nos de nós, fundimo-nos com a nossa realização e o milagre acontece: todo o nosso potencial é expresso no nosso alvo. Elevamos assim a probabilidade de sermos bem sucedidos porque estávamos fazendo aquilo que mais gostamos.

Dica: Siga os seus sonhos, mesmo que seja apenas dez minutos por dia.

5. GOSTE DAQUILO QUE FAZ

Por vezes não conseguimos ou não podemos fazer aquilo que gostamos. Mas somos livres para gostar daquilo que fazemos. Em consulta privada, quando atendo pacientes à procura do primeiro emprego, surge por parte deles uma pergunta comum: “Devo aproveitar o primeiro emprego que encontrar, dado que está difícil?” A minha resposta é cautelosa, mas respondo da seguinte forma: ” Pense nas suas prioridades, se a necessidade não for dinheiro imediato, deverá ponderar procurar algo que goste de fazer, pois irá ser o inicio do seu sonho, e a apostar, esta é altura mais propícia. Esforce-se por encontrar algo, onde possa ser produtivo e se sinta bem.” Nesta situação estou a remeter-me para o ponto anterior: faça aquilo que gosta.

No entanto, na vida nem sempre tudo acontece como desejamos. Perante esta situação temos sempre a possibilidade de accionarmos outras qualidades nossas: a capacidade que temos de nos adaptarmos, a capacidade que temos para olhar para os benefícios inerentes a ter um trabalho ou ocupação. Adopte uma atitude construtiva para ser positivo em situações difíceis,  depois com algum engenho e aceitação esforce-se para tentar perceber se consegue aplicar as suas qualidades e saberes ao que tem em mãos. A estratégia a aplicar nesta situação (até que faça algo para mudar para um trabalho que goste mais) é a de minimizar os danos de trabalhar em algo que não é o seu sonho, e usar a sua inteligência emocional no sentido de accionar um comportamento construtivo e adequado à sua satisfação pessoal.

E VOCÊ, FAZ AQUILO QUE GOSTA?

Que compromissos você quer fazer para sair da sua zona de conforto? Que ferramentas e estratégias têm ajudado a ultrapassar  as zonas de conforto que o têm limitado no passado?

Abraço