A ansiedade social é um sentimento de desconforto, medo ou preocupação, que é centrado nas nossas interacções com outras pessoas e envolve uma preocupação relativamente ao fato de poder ser julgado e negativamente avaliado, ou desprezada pelos outros. Embora muitas vezes possa acontecer durante uma situação social, também pode aparecer em antecipação  a uma ocasião social programada, ou depois, quando analisamos o nosso desempenho numa determinada situação.

Para a pessoa com ansiedade social, ir a uma entrevista de emprego é pura tortura: você sabe que sua ansiedade lhe causará um problema. Você pode optar por parecer engraçado, você pode ser hesitante, talvez você até possa corar, ou eventualmente não será capaz de encontrar as palavras certas para responder às perguntas de forma coerente. Talvez esta seja a pior parte de tudo o resto: Você sabe que vai acabar por dizer alguma coisa errada. Você simplesmente sabe isso. É especialmente frustrante, porque você sabe que poderia fazer bem o trabalho e poderia ter passado naquela que foi uma entrevista aterradora e intimidante.

FALTA DE ESCLARECIMENTO

Acredito que poucas pessoas socialmente ansiosos devem ter ouvido falar do seu próprio problema, eventualmente nunca o viram a ser discutido nos mídia, como talk shows na televisão. As pessoas socialmente ansiosas pensam que são os únicos no mundo que têm esses sintomas terríveis.

Sentem sensações ansiosas nos seus corpos, tais como:

  • corar
  • Sudorese
  • Batimento cardíaco acelerado
  • Agitação ou tremor
  • Boca seca
  • Falta de ar
  • Sensação de desmaio

Sentem Pensamentos ansiosos sobre si mesmos, em relação aos outros e às situações:

  • “Todo mundo está olhando para mim.”
  • “Vão pensar que eu sou um perdedor”.
  • “Eu não pertenço aqui.”
  • “Eu não tenho nada a dizer.”
  • “As pessoas vão ver como eu estou nervoso”.
  • “Eles não vão querer falar comigo novamente.”
  • “Eu vou parecer cada vez mais tolo.”

Comportamentos ansiosos, que podem ser provocados pela ansiedade, mas também podem piorar a ansiedade a longo prazo:

  • Evitar ir a situações sociais
  • Abandonar situações/lugares sociais
  • Frequentar apenas lugares “seguros” ou lugares com pessoas”seguras” e da sua confiança
  • O uso de telefones celulares, leitores de MP3 ou outros dispositivos para evitar entrar em conversas
  • Desculpar-se excessivamente
  • Solicitação de confiança dos outros
  • Preparação excessiva (memorizar o que dizer)
  • Tentativas de retirar a atenção direta das outras pessoas durante o seu desempenho (por exemplo, fazendo piadas, vestir-se de modo particular, etc)
  • Procura de sinais de julgamento dos outros sobre si mesmo

EXEMPLOS DE PESSOAS QUE SOFREM DE ANSIEDADE SOCIAL

Um homem tem dificuldades em andar na rua onde mora, devido ao seu elevado estado de auto-consciência, sente que as pessoas o observam das suas janelas de casa. Pior, ele teme ter de se dirigir a alguém e ver-se forçado a cumprimentá-lo. Ele não tem a certeza se seria capaz de o fazer. O seu tom de voz, poderia denunciá-lo, e a outra pessoa perceber que ele estava assustado. Mais que qualquer outra coisa, ele não quer que ninguém saiba do seu medo. Ele esforça-se para manter o olhar longe das pessoas, e reza para que consiga chegar a casa sem ter de cruzar-se e/ou falar com alguém.

Uma estudante, não quer ir à universidade no seu primeiro dia de aulas porque sabe que alguns professores pedem aos alunos para se apresentarem e falarem um pouco acerca deles. Só de pensar em estar lá sentada, à espera de se apresentar a um grupo de pessoas estranhas que iriam estar a olhar fixamente para ela, faz com que sinta náuseas. Ela sabe que não conseguiria pensar com clareza porque a sua ansiedade seria muito elevada, e ela não seria capaz de contar alguns detalhes importantes. A sua voz poderia ficar trémula e iria soar a medo. A ansiedade seria impossível de suportar, então ela ignora o primeiro dia de aulas para evitar a possibilidade de ter de apresentar-se em sala de aula. Este é um exemplo clássico de evitamento.

O TRATAMENTO É POSSÍVEL

Com todos estes sintomas, pensamentos e comportamentos a atormentar-lhe a mente, a vida pode ser percepcionada como um verdadeiro inferno. Certamente os ansiosos sociais pensam que seria terrível se as pessoas ao seu redor percebessem quanta ansiedade eles sentem no seu dia-a-dia. Então, o que é que as pessoas pensariam sobre eles? Infelizmente, sem algum tipo de aprendizagem, conhecimento e tratamento adequado, a fobia social e ansiedade social continuam a causar estragos na vida das pessoas com esta problemática. Existem muitos equívocos que agravam o sofrimento, e que poderiam ser evitados. Acresce ainda o fato, que, quando uma pessoa com ansiedade social começa finalmente a ter coragem de procurar ajuda, se tiver num estado muito avançado as chances de um tratamento eficaz são menores.

São todos estes sintomas, pensamentos irracionais e equívocos que ocorrem à volta das situações sociais que devem ser abordados e conquistados numa terapia psicológica. Normalmente estes sentimentos de ansiedade estão ligadas a pensamentos que se entrelaçam num ciclo vicioso de expectativas e avaliações negativas. Na grande maioria das vezes sem tratamento adequado, a ansiedade social é um tortuoso e horrível problema emocional. Na comunidade científica, é comummente aceite que a abordagem cognitivo-comportamental apresenta elevados níveis de eficácia no tratamento desta desordem incapacitante.

Existe a possibilidade das pessoas com ansiedade social terem uma vida melhor, desde que invistam no seu tratamento. Quer seja com a intervenção de um profissional, ou com um programa de auto-ajuda, o importante é comprometer-se com a melhoria do problema ansioso. Na verdade, as pessoas que não são bem sucedidas, são aquelas que não são persistentes na sua prática e que não  aplicam alguns dos métodos e técnicas simples no seu dia-a-dia. Essas pessoas, são aquelas que desistem. Saiba mais acerca deste assunto, lendo o artigo: Porque razão desistimos dos nossos objetivos?

Se está a ser atormentado pela ansiedade social, é porque os seus atuais padrões de pensamento estão a prejudicá-lo. Para libertar-se dessa prisão, você provavelmente precisará de criar novas redes neuronais no seu cérebro, com novos pensamentos que levam tempo para se cimentarem na mente, mas se você for persistente, conseguirá.

Estratégias para uma reestruturação mais funcional do pensamento:

  • A mudança não pode acontecer instantaneamente: Muitas vezes as pessoas tentam definir estratégias e quando eles não funcionam, desistem. Lembre-se que a reprogramação do cérebro pode levar meses, mas experimentar mudar os seus pensamentos durante esses meses, poupar-lhe-á anos de ansiedade desnecessária. Então lembre-se que, quando você experimentar qualquer mudança que seja na sua forma de pensar, o cérebro inicialmente irá oferecer alguma resistência. A única maneira de superar a resistência do cérebro é dedicando-se à prática repetida.
  • Você não é a única pessoa com um problema “diferente”: Nós muitas vezes focamo-nos de forma exagerada nas nossas diferenças, porque os nossos cérebros são orientados na pesquisa dessas diferenças, mas a verdade é que, se você realmente prestar atenção, verá que externamente e internamente, todos nós somos muito mais semelhantes do que parecemos. Para além de todos termos um corpo semelhante, também partilhamos de vulnerabilidades, momentos de ansiedade e depressão, assim como de erros e fracassos. Lembre-se disto na próxima vez que estiver numa situação social.
  • A insegurança e a segurança, são duas faces da mesma moeda: As pessoas que afirmaram a sua “segurança” não aboliram a sua insegurança. Elas simplesmente aprenderam a redireccionar a atenção para os seus pontos fortes ao invés das suas fraquezas. A nossa configuração cerebral está programada para accionar emoções opostas, por termos uma, não nos tornamos incapazes de sentir a outra. O que importa aqui reter, é que você ativa um determinado sentimento dependendo de onde foca a sua atenção. É semelhante à coragem e ao medo.

Citação: “A coragem não é a ausência de medo, mas a decisão de que uma outra coisa é mais importante.” – Ambrose Redmoon

  • Você tem mais a dizer do que pensa: Por vezes as pessoas sentem-se socialmente ansiosas porque receiam não saber ou não ter nada que dizer. Mas, isto acontece porque estão constantemente a pensar naquilo que “deveriam” dizer, ao invés de se focarem naquilo que querem dizer. Faça uma lista com algumas frases “quebra gelo” para usar em situações sociais, vá praticando e experimentando, e pouco a pouco, irão começar a sair de forma espontânea. Os entretainers também decoram as suas piadas. Leve ainda em consideração, que muitas outras pessoas que se encontram nesses lugares sentem o mesmo nervosismo que você. Provavelmente, algumas dessas pessoas estão desejosas que iniciem uma conversa com elas. Algumas sugestões para quebrar o gelo: “Olá, como está? Na verdade não tenho nenhum assunto para falar. Mas, pensei que seria melhor procurar alguém para falar do que estar a beber sozinho”. Ao ser honesto, certamente receberá em troco uma risada, o que provavelmente promoverá uma boa conversa.
  • Os seus sentimentos podem atrapalhá-lo: A ansiedade pode gerar preconceito. Pode promover o foco nas coisas negativas. Desta forma, se estiver socialmente ansioso, poderá pensar que odeia as pessoas, mas quando tiver essa sensação, reconheça que os seus pensamentos estão sendo formados pela sua ansiedade. Para se sentir mais positivo, faça ou diga algo positivo antes de sair. Receba uma massagem, ou tome um banho relaxante e depois saia. Isto, irá promover o seu estado mental, para interagir de uma forma mais tranquila no acontecimento social.
  • A ansiedade social é realmente um desconforto pessoal: A ansiedade social, não é realmente social. De fato, as pessoas estão a expressar uma insatisfação pessoal. Assim sendo, pergunte a si mesmo: “Como é que posso auto-aceitar-me mais?” Para se auto-aceitar relativamente ao problema que sente, é necessário perceber que ninguém é perfeito e que a perfeição não existe, e que uma das condições humanas é a necessidade de contato com os outros, e isso inclui, as nossas forças e fraquezas.

Dica: Se aceitar o seu problema, consegue ficar numa situação de olhar para o seu problema e ajudar-se, ao invés de considera-se a si mesmo – o problema.

CHAMADA DE ATENÇÃO

Relembre-se, faça alguma coisa em tempo útil e procure uma forma de resolver o seu problema. Esta é a sua oportunidade para eliminar os efeitos da ansiedade, medo e evitamento. A ansiedade social, assim como outros problemas de ansiedade, podem ser tratados com sucesso. Erradamente, muitas pessoas ficam com a ideia que têm de aprender a viver com o problema da ansiedade social. Mas não, você não tem de viver dessa forma! O tratamento é possível.

Para o ajudar a compreender o incómodo da ansiedade social, pode ainda ler os nossos outros dois artigos:

Se experimentou ou tem vindo a experimentar alguma forma de auto-ajuda e não tem sentido melhoria, provavelmente necessita da intervenção de um profissional qualificado.

E VOCÊ, SOFRE DE ANSIEDADE SOCIAL?

Deixe o seu comentário e partilhe connosco as suas experiências quotidianas. A partilha de ideias e experiências entre todos nós é fundamental para a resolução de problemas como a ansiedade social.

Abraço

 

Consultas Psicologia Online

Autor: Miguel Lucas

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Licenciado em Psicologia, exerce em clínica privada. É também preparador mental de atletas e equipas desportivas, treinador de atletismo e formador na área do rendimento desportivo. É autor da Escola Psicologia.

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Comentários dos Alunos


  1. Leandro L. M.
    14 de janeiro de 2011

    estudo psicologia, com problemas pessoais confusos que não conseguia discernir…pensamentos que supostamente apenas eu tinha…não compartilhava com ninguem…uma luta para simplesmente comprimentar alguem que não era de minha convivencia diaria…na minha primeira estrevista de emprego foi um caos: travei sem saber o motivo (denominei até então: a falta de conhecimento proprio)…vasto de pensamentos que me prendiam, mas sem uma razão…protelei esta confusão para me sentir bem e encontrar uma causa disto…até que enfim, encontrei este artigo na internet por acaso (em mais uma de minhas pesquisas pessoais),e me achei…todos os pensamentos meus escritos em um simples “documento”…
    MUITO OBRIGADO PELA AJUDA…CONSEGUIREI REVERTER ESTA BARREIRA ATRAVÉS DA PRATICA…
    LEANDRO.

    Responder


    • Miguel Lucas
      15 de janeiro de 2011

      Olá Leandro. obrigado pelo comentário.

      Fico agradado pelo fato do artigo o ter ajudado. Tal como o Leandro, muitas pessoas por todo o mundo são afetadas com os problemas da ansiedade, infelizmente, existem muitos equívocos que aumentam ainda mais o sofrimento. Afortunadamente já existem muitas formas de resolver os problemas associados com a ansiedade. A ansiedade é uma condição comportamental relacionada com as circunstâncias da vida, que se cruzam com a as aprendizagens e personalidade da pessoa. Não existe nada de errado com a pessoa, o que existe normalmente é uma avaliação errada e desadequada por parte da pessoa.

      A melhoria é possível.

      Abraço

      Responder


  2. Bethita*
    14 de outubro de 2011

    Meus vizinhos me chamam de metida,mas na verdade sou “tímida” demais.
    Eles falam,riem quando passo.Não sei se realmente devo fazer algum esforço para dar ,nem que seja ,um “Bom Dia!” ou “Boa Tarde!”…
    Essa idéia de que “todos estão olhando para mim”,não é nenhum exagero.
    Minha mãe sempre tenta me convencer de que é “coisa que coloco na cabeça”,mas não é bem assim.Tenho é muito medo do que eles vão pensar e falar sobre mim.Tudo isso me influencia.
    Sinto-me ameaçada ao me aproximar de pessoas que pareçam “suspeitas”,que possam novamente me magoar.Ahh,se soubessem quantos apelidos já me puseram…!Vivo assustada.
    Eu tento passar despercebida(queria muito ser innvisível nesses momentos!).Mas como não dá,evito olhar o perigo de frente;
    Se eu estiver acompanhada,tento puxar conversa com essa pessoa,só pra não me ligar no que está acontecendo em volta.Caso contrário,tento olhar pra qualquer outra direção,fazer um gesto qualquer,só pra aliviar a tensão,me sentir mais à vontade(o que nem sempre funciona…!.Outra estratégia é pôr o fone no ouvido é acelerar os passos.
    Isso me deixa tão abalada,que em questão de segundos,sinto perder a memória e falo coisas sem sentido…parece um sonho.Estou ali mas é como se não estivesse,entende?Falo,mas não ouço o que eu disse.
    Aprendi a ouvir desaforo e fingir que não foi comigo(eu tento ignorar).Hoje tenho 15 anos,mas tudo começou a 2,3 anos atrás.
    É difil Miguel…Antes mesmo de pensar:”Essa pessoa pode ser legal”,surge uma voz que diz:”É,mais ela pode rir também de você,ela pode ser somente mais uma,a lhe humilhar”
    Fui ao médico semana passada pois me queixava de fortes dores de cabeça e em todo corpo,fadiga,tontura,mau humor(só falei isso a médica)…Levo uma vida sedentária(não pratico exercícios,minha rotina é de casa pro colégio…),estou sempre inquieta,agoniada,desanimada.
    Fico sempre pensando na próxima vez que vou ter que sair nas ruas…(isso eu guardo só pra mim)
    Ela me receitou Walnut e Rescue remedy,disse que eram calmantes.Fui pesquisar e descobrir que são florais de Bach.O remédio é feito da essência de flores,é um remédio natural.
    Minha irmã(farmacêutica)diz não acreditar nos efeitos dos florais de Bach…O que você acha?

    A pouco tempo estive no psicólogo(vai fazer 1 ano).Os motivos foram as crises de choro que estava tendo,provocadas por uma separação.Não,não estava casada,nem muitos menos namorando alguém.O que me deixou tão pra baixo assim,foi a ida de um garoto por quem estava apaixonada.
    Sou extremamente insegura,a ponto de dúvidar dos sentimentos de alguém por mim.Não me vejo mais digna de amor,atenção,carinho…de nada!Ele tentava se aproximar,eu não deixava,até que ele cansou e foi embora.Nunca aconteceu nada entre nós(só consegui falar com ele algumas vezes,através de carta.Isso mesmo,por cartas!)
    Só de pensar em todas as situações embaraçosas que já passei,sofro ainda mais.Tudo isso parece ser bobagem de adolescênte,mas só eu sei o quanto é difícil aturar ironias,piadas,risos sarcástico e ser rejeitada…

    Otimo artigo.Explica detalhadamente,como a pessoa que sofre de ansiedade social se sente.

    Ah,por favor,me responde sobre os Florais de Bach.

    Abraço.

    Responder


    • Miguel Lucas
      16 de outubro de 2011

      Olá Bethita, obrigado pelo comentário.

      Percebo que grande parte dos seus problemas estabelecem uma forte relação com a insegurança e alguma dificuldade de estabelecer contacto com outras pessoas (provavelmente com toda a legitimidade, devido aos acontecimentos que descreveu). Devido à sua insegurança, afasta-se das coisas e afasta igualmente as pessoas que querem estabelecer contato consigo.

      Provavelmente poderia beneficiar de um programa de desenvolvimento pessoal. Aprender um conjunto de estratégias que facilitem a interação e ao mesmo tempo que não faça alguns erros de raciocínio acerca de si mesma.

      Relativamente à medicação, seja ela qual for, pode servir apenas para controlar os sintomas físicos associados à ansiedade. Nunca lhe irão ensinar a lidar com as situações de vida. Pondere Procurar ajuda profissional.

      Força e coragem,

      Abraço

      Responder


  3. janaina
    20 de outubro de 2011

    quando sou observada começo a tremer fico com as mãos e os gelados meus batmentos aumentam.hoje não consigo escrever ou comer com alguém me olhando. tudo que vou fazer que ficam me olhando é motivo de apreesão. que profissional devo procurar e qual tratamento será mais indicado

    abraço

    Responder


    • Miguel Lucas
      24 de outubro de 2011

      Olá janaina, obrigado pelo comentário.

      Deverá procurar um psicólogo de preferência que pratique a terapia cognitiva-comportamental.

      Abraço

      Responder


  4. Júlia
    5 de novembro de 2011

    Ir para a escola para mim é um tormento… Vivo a vida a pensar que as pessoas vão reparar que eu estou corada,não consigo sequer falar olhos nos olhos com os meus amigos mais chegados, quando dou por mim já estou a virar a cara pois começo a pensar que vou corar e as pessoas vão-me achar esquesita.

    No outro dia pedi a chorar, à minha mãe, para me levar a um psicólogo o mais rápido que fosse possível, porque sinto que preciso de ajuda, sei que não ando bem. Mas ela simplesmente desprezou o meu problema e disse que eu não precisava de ajuda nenhuma. Sinto que estou sozinha, não tenho ninguém que me apoie… Ultimamente tenho andado com o humor descontrolado, sinto uma enorme raiva dentro de mim e acabo por responder mal às pessoas com quem me dou muito bem… Não tenho vontade de sorrir, apenas me apetece chorar.

    Dou por mim a arranjar desculpas para não ir a locais com muita luz, onde pode-se notar melhor que estou corada. As pessoas falam para mim e eu coloco a mão em frente da boca, tentando cobrir parte do meu rosto, outras vezes viro a cara, ou até evito falar para evitar que olhem para mim. Não me sinto bem a andar de comboio, nem nas cantinas ou outros locais onde se coma. Não gosto que as pessoas estejam a olhar para mim enquanto escrevo, nem que olhem para mim enquanto falo. Até tirar fotografias é horrivel para mim, pois sei que as pessoas vão ver a minha cara corada nas fotografias.

    Tenho a noção de que o meu problema se agravou nos últimos meses e sei que preciso de ajuda.

    Adorei o artigo, deu-me esperança para acreditar que posso vir a voltar a ter uma vida normal.

    Muito obrigada!

    Responder


    • Miguel Lucas
      12 de novembro de 2011

      Olá Júlia, obrigado pelo comentário

      Corar é uma reação normal de todos nós. Mas se isso se faz sentir muitas vezes e a atrapalha, pode passar a ser um problema. Corar é uma reação fisiológica que estabelece relação com a ansiedade, timidez, medo de falar em público ou fobia social. No entanto, é possível aprender a controlar a intensidade da resposta fisiológica, diminuindo o rubor facial. Era importante que a sua mãe colaborasse consigo na procura de ajuda, pois este tipo de problema tem tendência para aumentar e generalizar-se a outras situações da sua vida.

      Sorte e coragem

      Abraço

      Responder


  5. Jose
    20 de novembro de 2011

    Olá Miguel….

    Estou com problemas socais.

    Sempre que estou com pessoas novas não consigo falar com elas…. Mesmo que elas me facam perguntas apenas respondo e não sei o que dizer mais….

    Com pessoas que já conheço à mais tempo acontece o mesmo, no entanto é mais fácil dizer qualquer coisa. Mas mesmo nestes casos, 90% das vezes não sei o que falar. Quando existem mulheres à volta este problema é ainda mais visivel…

    Muito Obrigado
    O que acha que se passa comigo?

    Responder


  6. JCarol
    24 de novembro de 2011

    Oi, gostei muito do seu artigo, tenho tido essa experiência ruim de que todos olham pra mim o tempo todo,por onde passo. Parece que estou com algo errado e é muito exagerado… Sinto também medo, fico imaginando acidentes quando ando de moto, ônibus carro…O que poderia ser isso?!! Desde já obrigada….

    Responder


    • Miguel Lucas
      28 de novembro de 2011

      Olá Jcarol, obrigado pelo seu comentário.

      Certamente as pessoas que olham,olham para si como olham para outra pessoa qualquer. O que quer dizer que pode estar a construir percepções “erradas” acerca de si mesmo.

      Os medos e receios, podem encaixar-se em algum tipo de transtorno da ansiedade, mas como não especificou mais pormenores, não posso avançar com qualquer possibilidade.

      Pondere ler o artigo: http://www.escolapsicologia.com/como-combater-a-fobia-social/

      Abraço

      Responder


  7. Samuel
    4 de dezembro de 2011

    Olha, eu vi muito nesse texto sobre como agem as pessoas que tem ansiedade social… e até mesmo o que elas pensam, como elas pensam…

    Isso é bom pra ver se somos assim, mas algumas pessoas sempre foram assim sabe, e queriam ter a chance de saber como uma pessoa normal/confiante age em situações semelhantes, COMO ELA PENSA, descrita de forma detalhada como aqui, ia ser muito bom para vermos como pensar, agir e falar. Mas também pra podermos dar uma comparada, entre nossas ações e as de alguém normal…

    Realmente não sei o que uma pessoa confiante, bem social e carismática pensa quando vê um vizinho esperando o elevador que ele vai subir… e pra não ter de perguntar a algum amigo meu sobre como ele age, infortunando-o a me mostrar como ser alguém melhor, resolvi pedir para que voces/ ou voce Miguel Lucas né, pra criar um artigo assim… que tal a idéia???

    Responder


  8. Samuel
    4 de dezembro de 2011

    Ah, e nossa, gostei muuuuuiiito do artigo, sensacional, obrigado mesmo por postar, ja estou adotando os exercicios mencionados pra mudar de vez, obrigado :)

    Responder


  9. Bethita
    9 de dezembro de 2011

    Olá miguel (de novo!)

    De Junho pra Dezembro meu quadro se agravou.Faltei a ultima unidade do colégio inteira,por medo de sair de casa.A cada piada que lançavam contra mim,levava 3 dias para me recuperar.E nesses dias sem ir ao colégio,tinha crises de choro.Parecia que meu limite havia se esgotado,que nunca mais sairia de casa para nada.
    Puxa!não consegui contar o que se passava comigo aos meus pais(nem sei se consigo…)
    Aprendi a esconder o que sinto e sofrer calada.As pessoas só sabem de mim,o que deixo que elas saibam…sou muito reservada.
    As aulas acabaram,mas parece que minhas férias passarei em casa mesmo…
    Todos se perguntam o que está acontecendo comigo,pois recuso ir até as festas entre familiares.
    Não me interesso mais por nada.
    Felizmente consegui mudar de série,mas queria repetir devido as desastrosas notas…
    Pior é que ando entediada e muito mau humorada,sem paciencia pra nada!

    Não sei o que devo fazer.Minha mãe sempre me cobrou os estudos,mas nunca ligou para minhas queixas,meus sentimentos…tenho vergonha de falar sobre mim a ela.

    Me desculpa se estiver lhe incomodando,mas preciso muito de seu conselho.

    Obrigada pela atenção.
    Aguardo ansiosamente.

    Responder

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