Para muitos de nós a ideia de crescimento e desenvolvimento pessoal é aliciante. Pode até tornar-se num estilo de vida. Procura-se chegar mais à frente e aumentar o saber através de livros, cursos, palestras, retiros, conversas de café, inspirando-nos e motivando-nos na busca incessante de ferramentas que possam contribuir para a melhoria de vida. Procura-se felicidade, calma, criatividade, clareza de pensamento, ou mesmo melhorar um mau momento que possamos estar a atravessar. Vejo tudo isto como benéfico, como proveitoso e necessário para quem gosta de evoluir e progredir. Certamente nem sempre se obtém sucesso, nem sempre se consegue alcançar a paz de espirito que se procura, continuamos a debater-nos com os conflitos internos, somos acometidos de dor emocional, de desespero e frustração, colocando em causa todo o investimento que vamos fazendo. O que poderá faltar nesta equação de procura de bem-estar que tantas vezes nos faz sentir a mão pesada do insucesso e fracasso? Tudo isto só pode começar realmente a fazer sentido quando passarmos a aceder e utilizar a essência mais ampla da mente, conhecida como consciência.

De acordo com a Wikipédia, alguns filósofos dividem consciência em consciência fenomenal, que é a experiência propriamente dita, e consciência de acesso, que é o processamento das coisas que vivenciamos durante a experiência (Block 2004). Consciência fenomenal é o estado de estar ciente, tal como quando dizemos “estou ciente” e consciência de acesso refere-se a estar ciente de algo, tal como quando dizemos “estou ciente destas palavras”.

CONSCIÊNCIA, O REQUISITO SUPREMO

Independentemente de tudo aquilo que nos possa dificultar a vida, seja o nosso patrão, a preocupação excessiva, baixa autoestima, um problema psicológico, problema de relacionamento, ausência de habilidades, sentimento de culpa, maus hábitos, existe algo em nós presente a todo o momento que pode ser o nosso farol numa noite de nevoeiro, que pode ser o céu azul acima da tempestade, que pode ser o oásis no deserto, há sempre o outro lado. Não importa o quão ocupada a mente possa estar, não importa quantos pensamentos negativos possamos estar a ter, há sempre uma sentido subjacente de quietude que pode simplesmente parar por tempo suficiente para tornarmos a ter controle, a ter as rédeas da situação. O que por vezes nos acontece é um pouco como correr numa cozinha batendo panelas e frigideiras descontroladamente, enquanto gritamos “porque não consigo encontrar alguma paz e sossego aqui?”

Aquilo que procuramos (e muito bem) para nos melhorarmos, para nos elevarmos e para nos desenvolvermos é importante para irmos progredindo, mas existem momentos da vida que importa temporariamente parar toda a busca, toda a procura de mais informação ou respostas e ficarmos cientes que acima do sofrimento continua a existir a capacidade de sentirmo-nos bem. Para que isso seja possível é necessário agirmos em consciência. Por ação consciente relembrar-nos que possuímos a capacidade de orientar-nos a nós mesmos no sentido de removermos a neblina, porque o céu azul continua lá.

ciente

Obviamente, que todo o processo tem que ser equilibrado com uma abordagem intelectual de melhoria. Mas como pode o intelecto, a mente pensante e racional que nos causa tanto stress e tantos problemas, também ser a resposta para esses mesmos problemas? Claro que sim. Mas para que isso aconteça é necessário que você fique ciente que pode conscientemente guiar a si mesmo. Tem de conseguir quebrar a ilusão, criando a ideia que os pensamentos e sentimentos não são “você mesmo”. Em vez disso, são algo que se viu, ouviu, sentiu, devendo envolver-se ou segui-los quando são úteis e deixá-los ir quando são destrutivos. O resultado é que em vez da “reação instintiva” perante um determinado pensamento, há espaço para uma resposta hábil e assertiva. Portanto, você quebra a ilusão deixando de estar fundido aos seus pensamentos e sentimentos, o que significa que em vez de dizer “estou com raiva” passa a dizer “estou a sentir raiva”. Você consegue por ação consciente ser observador de si mesmo, percebendo que a raiva está a expressar-se em si através de determinadas manifestações no seu corpo, e que pode decidir se o seu comportamento vai realizar-se de acordo com esse estado, ou se pretende agir expressando outro tipo de sentimento que seja mais adequado no momento.

Aprofundei este assunto no artigo: Deixe de reagir, escolha a sua resposta em consciência afirmando quem você quer ser

Tenho a convicção que este é o ponto de viragem, o crescimento pessoal acontece no momento presente. Não é uma ideia extravagante ou um conceito complexo que está em algum lugar no futuro se pudermos descobrir como chegar lá. Em vez disso, é a experiência direta de vida, como acontece, no momento presente, através da atenção plena (mindfulness), através de estar atento intencionalmente. Livrando-se de julgamentos depreciativos e tendo sempre presente que existe em nós, momento a momento, o lugar do florescimento. No entanto, esse lugar maravilhoso pode ficar omitido e inacessível quando atravessamos momentos de dificuldade. Aquilo que temos de fazer é relembrar-nos que possuímos uma consciência que nos permite encaminhar-nos de novo para esse lugar. Isso é o que significa crescimento pessoal. Isso é o que significa possuir o controle da nossa vida. Leia, Consciência: O requisito para mudar os comportamentos.

Quando estamos em contato com aquele lugar dentro de nós, quando podemos começar a aplicar essa qualidade de consciência a cada aspeto das nossas vidas, especialmente nas nossas relações com os outros (seja pessoal ou profissional), começamos a olhar o mundo de forma mais positiva. Há um sentimento de contentamento subjacente e de confiança inabalável que nos permite ser felizes e envolver-nos construtivamente em tudo o que fazemos.

Para complementar a ideia anterior deixo um excerto do artigo,Felicidade: Construa o seu suporte:

Aquilo que tanto procuramos fora de nós, se olharmos mais de perto, se olharmos para dentro de nós, sempre nos acompanhou. Na verdade, aquilo que pode comprovar-se como mais elevado e como mais permanente, e que pode permitir restabelecermos o equilíbrio emocional e resgatar a felicidade, é muito mais um construto do que um sentimento. É uma noção construída de que nós temos a capacidade de não estarmos satisfeitos com algo, com alguém ou com a nossa vida e ainda assim estarmos conscientes que nós não somos o nosso sentimento de infelicidade, mas somos sim, aquele que tem o poder de voltar a resgatar o sentimento de felicidade, sempre que isso se justifique.

Se você pretende desenvolver o seu equilíbrio emocional e adquirir as ferramentas que permitem capacitá-lo para ser feliz e igualmente resgatar o sentimento de felicidade sempre que sofra abalos e recuos na sua vida, acesse a nossa Palestra em Vídeo: Motivação, Equilíbrio Emocional e Felicidade.

ACEITAR A IMPERMANÊNCIA 

O futuro nasce do presente, por isso é o presente que temos de olhar em primeiro lugar. Claro, é bom ter sonhos e planejar com antecedência, mas se conseguirmos concentrar-nos no momento presente, fazer o que tem de ser feito, em seguida, regra geral, o futuro será tanto melhor quando mais tivermos contribuído para ele.

O crescimento ou a melhoria, por natureza, é um processo evolutivo. Não é algo estático que podemos “atingir” de uma vez por todas. A vida está em constante mudança, em constante evolução, e por isso precisamos aprender a “testemunhar” essa mudança, para movimentarmo-nos habilmente com ela, em vez de ficarmos desesperados sempre que a mudança imponha alguns abalos.

Importa passarmos a observar a mente (em consciência), sabendo que a mente permite que a experiência de impermanência e evolução possa manifestar-se em todos os aspetos do nosso ser. Ela permite mover-nos, intuitivamente, de um momento para o outro. Por ação consciente podemos deixar ir o peso do passado e a expetativa exagerada do futuro, para revelar um lugar sem limites de criatividade e potencial. É a partir deste lugar que as grandes ideias surgem, as ideias que têm o potencial de transformar o mundo em que vivemos.

Embora a vida seja limitada aos anos que vivemos, o nosso potencial de crescimento, mudança e compreensão é infinito. Mas esse potencial só pode emergir quando sabemos como fazê-lo, ainda assim, quando conseguimos abandonar as angústias do passado, e deixamos ir embora os “se isto, se aquilo” ou os “deveria isto e aquilo”, simplesmente permitimos que a mente aceda ao lugar de conhecimento, de consciência pura, livre de julgamento ou crítica, e abrimo-nos a todas as possibilidades que existem ou poderão existir.

Para aprofundar o assunto leia: Capacite-se, acredite no seu potencial de adaptação para o sucesso

Abraço,

Miguel Lucas