A forma como verbalizamos aquilo que pensamos acerca das coisas, influencia as nossas atitudes, percepções, noção de capacidade, auto-estima, auto-confiança, e isto, joga um papel importante na vida de cada um de nós. Ao dizer: “Eu não sei, desculpe-me, eu não posso, eu não quero, mas tem que ser” alteram sem sombra de dúvida a sua mentalidade e forma de ser. Através de algumas observações das pessoas no seu dia-a-dia, notei que é comum usarem essas frases populares sem que conscientemente percebam o quão negativas e prejudiciais podem ser para as suas vidas. E você, verbaliza muitas vezes este tipo de palavras, como: eu sinto muito, eu não sei, eu não consigo? Não querendo ser extremista, caro leitor, este  padrão de linguagem quando excessivo, limita muito o potencial que cada um de nós possui para alcançar aquilo que queremos, sendo um impedimento no caminho para a felicidade.

Vamos então abordar cada uma destas verbalizações e tentar perceber o seu efeito na nossa forma de raciocinar. Vamos também, considerar algumas frases alternativas que podemos usar no lugar das “negativas”, e que são mais favoráveis ao nosso crescimento pessoal. Mas primeiro,  vou explicar algumas coisas sobre a nossa mente inconsciente.

A NOSSA MINA DE OURO ESCONDIDA: A MENTE INCONSCIENTE

Nós funcionamos graças a uma extraordinária harmonia entre a nossa mente consciente e a inconsciente. Os nossos hábitos e padrões de comportamento residem na mente inconsciente. Nem sempre estamos cientes da razão pela qual reagimos de determinada forma aos acontecimentos, apenas sabemos que reagimos. É a mente inconsciente que governa essas reacções, baseada na informação e nas emoções que estão armazenadas. A nossa mente inconsciente armazena a maioria das informações no nosso cérebro, e pode processar muito mais dados ao mesmo tempo (cerca de 2 biliões de vezes mais) do que a mente consciente. Erradamente, muitas pessoas acreditam que é a mente consciente que controla tudo, porque é a única expressão do cérebro que estamos cientes. E normalmente associamos a nossa mente consciente, como sendo o “Eu”. Mas na verdade nós somos muito mais do que aquilo que estamos cientes que somos.  Freud, afirmava que, assim como a maior porção do icebergue, grande parte da mente fica escondida debaixo da superfície e é influenciada por forças não-observáveis.

Se a nossa mente consciente está de fato “sob o nosso controlo” como nós acreditamos, então porque razão muitas pessoas se inscrevem em academias, depois do ano novo, e nunca chegam a ir? Porque é que mesmo depois de termos decidido sobre algo que realmente queremos (como um novo hobby), não iniciamos os comportamentos que cumpram a nossa vontade? Enquanto a nossa mente consciente é o capitão do nosso barco, a nossa mente inconsciente é o pessoal da sala das máquinas, assegurando o funcionamento do navio. Dado que a mente consciente tem capacidade limitada e só pode tomar conhecimento de um conjunto muito limitado de informações de cada vez, a nossa mente inconsciente só considera aquilo que julgamos ser importante. Então, como é que a nossa mente inconsciente sabe o que é importante? Não sabe. A mente inconsciente determina isso, com base na frequência de indicações que recebe acerca de uma determinada situação, a partir da mente consciente.

A reter: Cada vez que temos um pensamento consciente, ou verbalizamos palavras em voz alta, ou visualizamos um cenário na nossa imaginação, tudo isto vai sendo registado na mente inconsciente, transformando-se num hábito, padrão ou convicção através da repetição.

Como uma ordem do capitão, se é nossa intenção ou não, a ordem é executada de alguma forma, ela deixa uma impressão na mente inconsciente. Se verbalizarmos muitas vezes palavras de incapacidade, mesmo que sejam ditas como uma forma de protecção, irão acabar por influenciar a maneira como nos comportamos.

Dica: Aquilo que dizemos de forma repetida, vai sendo registado na mente inconsciente. Vai ganhando força, e em situações idênticas iremos ter sempre o impulso de repetir as mesmas coisas. Isto é verdade para ambos os pensamentos, os que são favoráveis e não-favoráveis para o nosso bem-estar.

Estamos todos familiarizados com algumas palavras ou frases que expressam “negatividade” ou “incapacidade” nas comunicações diárias que fazemos. Apresento alguns exemplos:

  • Sinto muito, mas …
  • Desculpa sobre aquela situação …
  • Acho que não vou ser capaz de …
  • Não sei se vale a pena o esforço …

DESCULPE…SINTO MUITO

Ao responder a um e-mail dois dias depois de recebê-lo, muitos de nós insistimos em iniciar o e-mail com, desculpe. Agora considere o seguinte: Fizemos alguma coisa de errado? Nós estamos realmente a sentir pena? Ou estamos simplesmente a repetir um “dizer” popular? O que é que ganhamos ao dizer isso?

Experimente o seguinte: Feche os seus olhos e repita a palavra na sua imaginação ” desculpe-me”. Pode até mesmo dizê-la em voz alta. Agora observe aquilo que está a sentir. Você sente um leve aperto no seu estômago? Ou uma secura na sua garganta? Você tem sentimentos de culpa? Agora imagine que esse sentimento de culpa é accionado em nós cada vez que dizemos as palavras “Sinto muito”, quando repetidamente usado. Lembre-se de como a nossa mente inconsciente recebe ordens do que dizemos? Se dizemos repetidamente que “sentimos muito” por coisas triviais, isso irá ficar registado como se tivéssemos feito algo errado, assim, reforçamos um padrão psicológico negativo, desnecessariamente. Além disso, criamos uma associação entre esse sentimento e as acções tomadas. Então, se nós repetidamente dissermos, sinto muito,  cada vez que respondermos a e-mails com atraso de 2 dias, então estamos nos programado para sentir culpa sempre que não respondemos aos e-mails imediatamente.

A levar em consideração: Quanto mais repetir essas palavras, mais diluído irá ficando o seu verdadeiro significado, correndo o risco de banalizar as desculpas ou viver à sombra dessa atitude.

Todos nós somos seres sensíveis, e percebemos quando os outros não estão a sentir-se genuinamente arrependidos. Recomendo,  que reserve as palavras – eu sinto muito, para situações em que você realmente sinta isso, e precise dessas palavras para expressar os seus sentimentos genuínos.

Sugestões para a acção:

  • Observe-se no seu dia-a-dia e tente perceber quantas vezes tem o impulso para dizer, “desculpe” ou “sinto muito”.
  • Cada vez que tecla no e-mail ”desculpa” ou “sinto muito” ou percebe que está a verbalizar isso,pergunte a si próprio: “estou mesmo a sentir arrependimento?” Ou estou apenas a dizê-lo?” Se a resposta for, “Estou apenas a dizer isto porque irá ficar bem”, apague rapidamente isso do e-mail. Deixe de se movimentar pelo arrependimento.
  • Faça um esforço para reduzir a frequência dessa palavras incapacitantes e desprovidas de sentido na grande maioria das vezes. Abandone esse cliché e expresse esse sentimento apenas quando extremamente necessário.

EU NÃO SEI

Muitos de nós na hora de tomar uma decisão, somos apanhados a dizer: “Eu não sei”. É uma resposta muito popular porque provavelmente tornámo-nos preguiçosos e fomos condicionando o hábito de o dizer. Apresento em seguida algumas variantes usualmente expressas:

  • Eu não sei onde é que é…
  • Eu não sei o que fazer…
  • Eu não sei o que escolher…
  • Eu não me consigo decidir…
  • Eu não sei…

Existe uma diferença entre não saber verdadeiramente algo e acreditar que não sabe alguma coisa. Transmite uma conotação de que você não tem a capacidade de decidir ou aprender algo novo. Ao verbalizarmos repetidamente e de forma casual este tipo de palavras, elas tornam-se banais ao ponto de já não as utilizarmos apenas quando nos sentimos atacados pela preguiça ou não sabemos realmente algo.

Atenção: Corremos o risco de o hábito se transformar numa atitude tão enraizada que às vezes, até mesmo para a menor decisão, encolhemos os ombros e dizemos “não sei”. E porquê? Porque é uma resposta fácil. Não temos que pensar.

Decisões triviais como, “que tipo de pasta devo pedir para o almoço?”, “Que cor devo eu escolher?” Qualquer um de nós pode cair na tentação de dizer, “Eu não sei” em situações semelhantes. Se for o seu caso, você certamente não estará sozinho. Diz-se este tipo de frases por parece-nos ser a forma mais fácil, no entanto existe o lado aversivo desta facilidade ilusória, que é o fato de nos ir condicionado a crença de que a indecisão é uma coisa boa. E, certamente que não é.  Acabamos deixando as decisões em  aberto, enquanto isso nos consome a nossa energia mental, desnecessariamente. Muitas vezes, nós temos a resposta, mas  ficamos hesitantes em verbalizá-la por medo que possa ser errada. Então, em vez disso, dizemos: “Eu não sei”.

Cada vez que usemos este tipo de verbalização, estamos a transmitir à nossa mente inconsciente que somos uma pessoa indecisa. “Eu não poderei ser inteligente e confiante se não consigo sequer decidir a mais simples das escolhas. Eu não sou capaz de tomar uma decisão sobre questões importantes”. Provavelmente estarei a exagerar neste exemplo, pois as coisas nem sempre são assim tão taxativas, no entanto se este tipo de verbalizações for recorrente no nosso tipo de discurso, o exemplo anterior faz todo o sentido.

A reter: Aquilo que repetidamente fazemos, torna-se um hábito.

E se solidificarmos o hábito da indecisão à custa da hesitação sobre pequenas decisões, como é que iremos reagir quando necessitarmos de tomar decisões importantes na nossa vida, trabalho ou relacionamentos? Provavelmente de forma indecisa!

Sugestões para a acção:

Substituir a expressão “não sei” quando tomar uma decisão com uma frase alternativa. Apresento algumas ideias:

  • Dê-me um momento, ainda não decidi…
  • Deixe-me pensar acerca do assunto…
  • Estou a avaliar as minhas opções
  • Ok, deixe-me ver…

Pratique, repetindo frases alternativas, para que possa internalizá-las e dizê-las quando for o caso, em lugar de “eu não sei”. Em vez de querer ocupar o espaço e os silêncios com “não sei” ao ser feita uma pergunta, experimente não dizer nada de imediato. Faça uma pausa antes de falar.

Fique atento à segunda parte deste artigo, onde irei abordar mais algumas das verbalizações de incapacidade que normalmente dizemos. Apresentarei algumas opções mais construtivas, assim como formas de combater as crenças limitadoras que nos conduzem à facilidade das respostas pela negativa.

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