Na atualidade a depressão é muito comum. Entre cinco a dez por cento da população sofre deste transtorno de humor, até certo ponto, em qualquer momento. Ao longo da vida você tem vinte por cento de probabilidade de ter um episódio de depressão. As mulheres são duas vezes mais propensas a ter depressão do que os homens. Ter depressão não é um sinal de fraqueza. No entanto, quando a pessoa fica deprimida ao ponto de ser diagnosticada com um episódio depressivo maior, geralmente a sua visão e sentimento acerca do mundo é entendido de forma completamente diferente, comparativamente, antes e depois do episódio. Durante um episódio depressivo maior, o mundo parece ser literalmente um lugar cinzento. O que era belo pode passar a parecer feio, chato, ou até mesmo sinistro. A pessoa deprimida pode acreditar que os seus entes queridos, até mesmo os seus próprios filhos, estão melhor sem ela. Nada parece confortável e agradável, a pessoa sente que não existe nada pelo qual vale a pena viver. Pouco a pouco, a pessoa perde a esperança de vir a sentir-se melhor, a história vai-se propagando ao ponto das experiência de vida irem confirmando a ideia de que tudo é miserável, e sempre será. A desesperança instala-se e mina todas as coisas que davam prazer, alegria e satisfação.

REALIDADE ALTERADA

Num estado deprimido a pessoa altera a forma como se relaciona consigo mesma, com os outros e com o mundo. Toda a visão fica afetada negativamente. Quando essa mudança de realidade acontece, é difícil lembrar ou acreditar no que parecia normal antes do episódio. Aquilo em que a pessoa acredita durante o seu estado deprimido parece-lhe ser absolutamente real, e qualquer coisa que possa ir no sentido contrário ou que entre  em conflito é percepcionado como inacreditável. Por exemplo, se a pessoa é incapaz de sentir amor por um cônjuge, e alguém lembra a pessoa que costumava sentir amor, a pessoa deprimida pode acreditar firmemente que fingiu para si mesmo e aos outros, embora anteriormente à depressão a pessoa tenha realmente sentido amor. A pessoa fica incapaz de recordar o sentimento de amor, e não consegue  sentir amor durante o seu estado depressivo, e, portanto, conclui que nunca sentiu. O mesmo processo acontece com a felicidade e prazer. As tentativas de dizer à pessoa que ela costumava ser feliz, e que vai voltar a sentir-se feliz novamente, pode levar a pessoa a sentir-se incompreendida e isolada, porque fica convencida de que não é verdade.

A pessoa fica com os seus sentimentos positivos dormentes. A pessoa deprimida sente-se incapaz de sentir ligação às outras pessoas, coisas e acontecimentos. A pessoa sente uma elevada sensação de perda de significado pela sua vida. Num estado deprimido a pessoa sente-se como se tivesse a ser levada pela corrente forte de um rio e não existisse nada onde fosse capaz de se agarrar.

ENERGIA, MOTIVAÇÃO E PRAZER DIMINUEM DRÁSTICAMENTE

Mesmo que antes do episódio depressivo a pessoa tivesse uma vida normal e se sentisse satisfeita, tudo parece errado e adormecido quando se instala a depressão. De repente, ninguém parece amoroso ou amável. Tudo é irritante. O trabalho é chato e insuportável. A motivação esvanece-se. A paralisia da vontade instala-se. Qualquer atividade exige um esforço acrescido, como se cada movimento fosse feito em areia movediça. O que anteriormente era desafiador passa a ser sentido como esmagador, o que era sentido com tristeza passa a ser sentido como insuportável, o que era motivo de alegria passa a ser sentido sem prazer ou, na melhor das hipóteses, uma gota de prazer fugaz num oceano de dor emocional.

A depressão maior é como uma dor intensa, que não pode ser identificada em qualquer parte particular do corpo. A pessoa sente-se fragmentada emocionalmente. A pessoa sente-se distante dos outros, como se vivesse emocionalmente isolada. Sente-se incompreendida. Ninguém parece entender ou importar-se, e as pessoas parecem hipócritas. A depressão é na sua essência um total isolamento emocional que conduz ao distanciamento físico e social.

estado depressivo

EFEITOS COLATERIAS DOS SINTOMAS DEPRESSIVOS

A pessoa deprimida lida ainda com os sentimentos colaterais dos próprios sintomas da depressão. Ou seja, na avaliação do seu próprio estado, ainda que com a percepção da realidade alterada, a pessoa pode desenvolver vergonha e sentimento de culpa sobre as suas próprias ações ou ausência delas, e igualmente sobre os comportamentos que tem com as outras pessoas. Tudo parece sem sentido, incluindo realizações anteriores que haviam dado sentido à vida. Tudo o que tinha dado à pessoa um senso de valor ou autoestima desaparece. Essas atitudes, comportamentos ou realizações deixam de ter significado, deixam de parecer genuínos, ou são ofuscados pela autoimagem negativa. Qualquer coisa que anteriormente á depressão tenha causado à pessoa o sentimento de vergonha, culpa, ou remorso cresce e ocupa a maior parte dos seus recursos mentais. A pessoa agrega ao seu estado deprimido outros sentimentos negativos que passam a ser avaliados de forma catastrófica. A pessoa não se sente amada, nem sente  em si mesmo qualidades para ser amada. Instala-se um forte sentimento de que todo o mundo abandonou ou irá abandoná-la.

COMPREENSÃO E ENTENDIMENTO DA PESSOA DEPRIMIDA

Quem nunca esteve ou sentiu o seu estado de humor diminuir de forma drástica durante um período de duas ou mais semanas, o que tenho vindo a descrever pode ser difícil de fazer sentido ou até imaginar. A pessoa que nunca sofreu de depressão pode não compreender o sofrimento desmedido que a pessoa deprimida sente, e consequentemente julgar que a pessoa está nesse estado porque quer, ou que por ação da sua vontade poderia superar o seu problema. Se você está deprimido, certamente aquilo que tenho vindo a descrever faz-lhe sentido. No entanto, você pode sentir relutância em procurar ajuda profissional ou até achar que não vale a pena tratar-se. Se você se identifica com este tipo de pensamento, pondere ler: Depressão, como aceitar que precisa de ajuda psicológica? Se ao invés, você que está lendo este artigo, não está deprimido, mas pretende ajudar alguém que se encontra com depressão, pondere ler: Como dar apoio a alguém com depressão?

A pessoa deprimida, usualmente é muito renitente à ajuda por parte das outras pessoas. Quando os amigos ou familiares tentam levar a pessoa a olhar para o lado positivo, ser grato, mudar os pensamentos, minimizar ou tentar refutar a realidade da pessoa deprimida, é muito difícil serem bem sucedidos. Em vez disso, a pessoa deprimida fica susceptível a sentir-se frustrada e alienada em relação aos outros. É exatamente nesse momento, e perante esse cenário que a ajuda profissional é necessária e útil.

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O QUE FAZER PARA LIDAR COM A DEPRESSÃO?

Então, o que é que uma pessoa cuja realidade mudou drasticamente necessita? Por favor, tenha em mente que eu estou falando sobre um episódio depressivo maior (depressão severa ou moderada), que se prolonga por um período de duas ou mais semanas. É importante que a pessoa deprimida seja levada a entender, ou possa ter a noção de que no estado em que se encontra de momento, não é capaz de pensar fora do modo de pensamento associado à depressão. É um tempo em que deve evitar a tomada de decisões, ou evitar fazer qualquer coisa significativa que requeira uma perspetiva não deprimida. Os amigos ou familiares da pessoa deprimida que pretendam ajudar, podem delicadamente mostrar amor e compromisso, mas não devem tentar assumir a realidade da pessoa, nem discutir com ela sobre isso.

A prioridade deve ser dada ao restabelecimento emocional e consecutivamente ao empenho e dedicação na mudança dos pensamentos e das crenças que mudaram a forma como a pessoa passou a olhar o mundo e a si mesma.

Eu acredito que a Terapia Cognitivo-Comportamental com Base na Aceitação  e Compromisso tem um lugar importante na superação da depressão.

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Abraço