Porque é que você continua fazendo coisas que odeia? Para responder de forma esclarecida a esta questão necessitamos de compreender o nosso padrão de comportamentos indesejados. Os “benefícios psicológicas“ prendem as pessoas em padrões de comportamento que fornecem algumas recompensas psicológicas, mas que também têm desvantagens bastante significativas. Os exemplos mais comuns deste tipo de padrões de comportamento indesejáveis incluem: comer demais, fumar em excesso, procrastinar, modos problemáticos de interagir com outras pessoas, gastos excessivos, dependência de redes sociais ou televisão.
Neste artigo pretendo apresentar algumas estratégias eficazes que permitam que você deixe de agir de acordo com os padrões de comportamento indesejado. Para isso é necessário compreender os tão bem escondidos (ou não tão bem escondidos) “benefícios psicológicos” associados com o comportamento prejudicial.
As pessoas geralmente não continuam a repetir padrões de comportamento a menos que retirem alguma forma de recompensa desse comportamento específico. Assim que você perceba quais as necessidades psicológicas que estão associadas ao comportamento indesejado, passa a ser mais fácil mudar esse comportamento e consequentemente encontrar uma alternativa mais gratificante, saudável e adequada.

Vamos olhar para os diferentes tipos de recompensas que geralmente ”prendem” as pessoas em padrões de comportamento indesejado. Pense num comportamento que você gostaria de abandonar. A leitura do artigo e consequente aplicação será mais proveitosa se você identificar um exemplo específico da sua própria vida, usando-o à medida que for lendo.
De uma perspetiva psicológica, as “recompensas” apresentam-se de duas formas:
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Como obter mais de algo que você deseja muito.
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Como evitar ou reduzir algo que você não deseja (evitar pensamentos destrutivos, evitar emoções incapacitantes, ou escapar de situações ou tarefas difíceis).
Em diferentes domínios e áreas da nossa vida, os comportamentos indesejados e prejudiciais comportam neles algumas recompensas psicológicas, o que dificulta o processo de mudança:
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Recompensas emocionais
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Recompensa físicas
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Recompensas cognitivas
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Recompensas situacionais.
A reter: Qualquer comportamento indesejado irá ter vários tipos de recompensas psicológicas associados. E isto dificulta a extinção desse mesmo comportamento.
RECOMPENSAS EMOCIONAIS
O importante é reconhecer que os comportamentos indesejados estão freqentemente associados com uma mistura de consequências desejadas e outras indesejadas. Por exemplo, quando você quebra uma dieta e come demais pode, sentir culpa ou vergonha, mas você também pode sentir excitação e satisfação revoltando-se contra as regras auto-impostas.
Será que o comportamento que você quer reduzir ou abandonar oferece algumas emoções positivas? Quais?
- Por exemplo: calma / tranquilidade / relaxamento, alegria, excitação, interesse.
Executar o comportamento indesejado reduzirá as suas emoções negativas? Quais?
- Por exemplo: ansiedade / medo / tensão, vergonha, raiva, solidão, tristeza, culpa?
Às vezes as recompensas emocionais poderão ser muito subtis (por exemplo, fornecem uma leve sensação de interesse ou excitação, ou diminuem ligeiramente a sua raiva), pelo que deve tentar estar mais alerta e incluir essas recompensas subtis na sua avaliação, porque elas são parte do quadro psicológico que o matêm firme nos seus comportamentos indesejados.
A saber: Um dos retornos mais importante, muitas vezes associados com o comportamento indesejado é a redução da ansiedade ou tensão. Diferentes tipos de comportamentos indesejados, funcionam como “ajuda” para as pessoas, reduzindo temporariamente os sentimentos de ansiedade. Sendo que essa suposta “ajuda” torna-se na grande maioria das vezes no próprio problema.
RECOMPENSAS COGNITIVAS
As recompensas cognitivas mascaram-se de muitas formas. Apresento alguns exemplos:
Distração. Distrair-se para evitar pensar em algo que lhe causa incómodo. Por exemplo, ler revistas ou assistir à TV pode ser uma distração eficaz para não pensar sobre os seus problemas pessoais, problemas psicológicos ou outros aspectos preocupantes da sua vida. O outro lado da moeda desta recompensa (despreocupação) é o facto de não se dedicar à resolução efetiva dos problemas.
Sensação de autonomia. Afirmar o seu sentido de ser dono do seu próprio destino, por exemplo “Eu sou um adulto e posso fazer o que eu quero”. Isso geralmente aplica-se a comportamentos indesejados que envolvem quebrar as regras sociais ou as suas próprias regras (por exemplo, gastar dinheiro que não lhe pertence ou quebrar uma dieta). Não há nada de errado com a profunda necessidade psicológica de querer fazer o que quiser, mas se essa necessidade for surgindo na sua vida de forma indesejada, poderá não ser cumprida de forma saudável noutras áreas da sua vida.
Imagem de si mesmo. Diz respeito ao modo como você se vê e como os outros o vêem. Vamos dizer que é realmente importante para você que outras pessoas saibam que você é uma pessoa agradável, justa, generosa, ou divertida. Se isso for importante para você, será um poderoso motivador do seu comportamento. Por exemplo, se você visualizar-se a gastar dinheiro livremente como parte da sua identidade divertida/despreocupada, isso pode levá-lo a gastar mais dinheiro do que você pode suportar. Ou, querendo ser percebido como agradável pode levá-lo a ser muito generosos ajudando os outros. Se você está praticando um comportamento indesejado (que o irá prejudicar e ter uma consequência negativa na sua vida), valida a sua sensação de que você é amigo, justo, divertido, generoso (ou aquilo que for importante para você), então deve levar isso em consideração na sua análise. Ou seja, está a reforçar um comportamento que o prejudica, com o engrandecimento das qualidade que aprecia em si.
A saber: O reforço da sua identidade é um retorno psicológico importante, mas não deverá ser suportado e alimentado por um comportamento prejudicial.
Merecimento. Isto é, quando executa o comportamento indesejado valida que “merece” os bons resultados em consequência desse comportamento. Você merece ter a emoção de comprar coisas boas, você merece tratar-se bem, você merece descansar. As recompensas por merecimento são na sua maioria motivadores particularmente poderosos do comportamento, sobretudo se você estiver em conflito de valores, ou se você se percepciona como tendo uma baixa auto-estima. Uma das soluções para esse problema é tornar-se mais confortável acerca das suas necessidades psicológicas profundas, como por exemplo, o prazer e a realização pessoal, sendo que deve fazê-lo de uma forma que não fique no caminho das outras necessidades psicológicas profundas, como sentir-se no controlo do seu comportamento.

RECOMPENSAS FÍSICAS
Alguns tipos de comportamentos indesejados originam recompensas físicas. Por exemplo, durante um curto período depois de comer algo rico em açúcar, pode ter um grande retorno, aumentando os níveis de energia e redução do cansaço. Esta intensa e curta recompensa física tende a ser muito poderosa fazendo com que mantenha o comportamento indesejado quando você se sentir cansado ou abatido.
RECOMPENSAS SITUACIONAIS
O que acontece depois de você accionar o comportamento indesejado? Por exemplo, se você gritar com o seu filho ou parceiro isso pode comprovar-se como eficaz, conseguindo que eles façam o que você precisa e quer a curto prazo (mesmo que não venha a ser útil para esses relacionamentos a longo prazo).
Se você gritar com o seu parceiro e ele/ela parar de chatear você? Se você bater nos seus filhos, eles param de fazer as asneiras que vinham fazendo, dando-lhe atenção e fazendo uma pausa? Nestes casos, os resultados que você alcançou são parte daquilo que irá fazer com que mantenha esse comportamento indesejado.
Será que fazendo o comportamento indesejado (pelo menos temporariamente) “retira-o” de algo que você não quer fazer ou algo que seria difícil de fazer?
Será que sabotar os seus relacionamentos significa que você evita a proximidade no relacionamento e problemas de comprometimento que seriam difíceis para você?
Procrastinar no trabalho significa que será menos provável que venha a ser promovido. Você sente-se ambivalente acerca do que é necessário para se ser promovido (por exemplo, você não quer falar em público ou em viagens, você gosta de ser apenas um funcionário, em vez de chefe)?
CONCLUINDO
Depois de saber que as necessidades psicológicas são confundidas com o comportamento indesejado, pense em estratégias alternativas de enfrentamento. Estas podem ser estratégias alternativas de enfrentamento para os momentos e situações em que você fazia o comportamento indesejado. Ou, dependendo do comportamento que você está focado, as estratégias podem funcionar como formas alternativas, mas mais saudáveis e adequadas à resolução dos mesmos problemas, (por exemplo, como é que você pode tornar-se mais confortável com a relação de proximidade/confiança) ou ideias mais amplas sobre como obter algumas necessidades psicológicas preenchidas na sua vida em geral (por exemplo, como você poderia aumentar as suas oportunidades de afirmar-se, divertir-se, experimentar coisas novas, ou ser respeitado pelos outros).
Sabemos então, que na grande maioria das vezes para qualquer comportamento indesejado que temos, gera-se um conflito interno. Esse conflito interno tem a sua origem e é depois alimentado devido à sua recompensa psicológica (por exemplo: aliviar a ansiedade, aumentar a auto-estima ou evitar a dor), no entanto as consequências desse mesmo comportamentos são disfuncionais, ou seja aumentam ainda mais o problema (por exemplo: aumento de peso, adiar consecutivamente, afastamento social). A situação torna-se num ciclo vicioso crescente, dado que comportamento gera comportamento e consequentemente, comportamento indesejado gera comportamentos indesejados.
Dica: Sempre que tiver dificuldade em mudar os comportamentos indesejados, verifique que recompensa pode estar associada a esses comportamentos. Em seguida, arranje formas mais adequadas e funcionais de obter as recompensas psicológicas que esse comportamento indesejado lhe fornece. Mais concretamente: recompensas emocionais, recompensa físicas, recompensas cognitivas e recompensas situacionais.
Abraço








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Os comportamentos não desejados, tal como eu referi no artigo, muitas vezes mantêm-se devido a outras recompensas psicológicas associadas. Isto só serve para entendermos alguns processos pelos quais nós esforçamo-nos mais recorrentemente temos insucesso. No que diz respeito à forma, tratamento ou programa para minimizar, aprender a lidar ou superar esses comportamentos é necessário conhecimento terapêutico (principalmente se esses comportamentos nos prejudicam a vida). É necessário um enquadramento específico para cada pessoa, e isso infelizmente é uma impossível através dos artigos.
Claro que os artigos servem, têm a sua utilidade e podem ajudar até certo ponto, mas como tudo também têm as suas limitações.
caso queira especificar um pouco mais o seu problema, estou disponível para poder enquadrar mais especificamente algumas das sua preocupações.
Abraço
Porém, como você mencionou no texto, para realizar uma efetiva correção em si mesmo, é necessário verificar os reais motivos desses comportamentos e, consequentemente, elaborar mecanismos para tirá-los da sua vida.
Abraços. Até a próxima.
Bruno César Bulnes.
brunocesarbulnes.blogspot.com
É isso mesmo que você disse e eu reforço, é necessário perceber o que está na raiz dos comportamentos indesejados e depois implementar um conjunto de comportamentos que sirvam as mesmas necessidades psicológicas, mas escolhidos dentro de um conjunto de possibilidades mais saudáveis e adequados aos objectivos.
Abraço
O hábito de chegar atrasado, é isso mesmo um hábito que cristalizou, um padrão mental que entrou em automático, fazendo com que por "magia" aconteça sempre algo que lhe impede de chegar a tempo aos compromissos.
Não tem nada a ver com o vício da adrenalina, mas sim com os hábitos enraizados, suportados pela crença de que você é assim e que isso faz parte de você. Claro que faz parte de você, mas com uma reprogramação mental e consequente implementação de novos hábitos, você conseguirá melhorar o seu problema.
É possível com a implementação de um programa de novos hábitos (os que antecedem os compromissos)
Sorte e dedicação.
Abraço
Muito do escrito aqui me fez pensar em coisas que quase nunca quero pensar. E como se estivesse me olhando de dentro pra fora. E bastante dificil praticar isso, porém este artigo me mostrou a possibilidade de cambiar meus comportamentos indejados.
Muito bom.
adooooro o seu trabalho. seus textos tem me ajudando muuuito. muito obrigada pela disposição.
tenho uma pergunta, estive casada por 6anos e nos separamos por conta do vício dele por drogas, eu adoeci com o vicio dele , quase entro em depressao , faz 2anos q nos separamos mas mesmo assim nao consigo deixar de ter contato com essa pessoa, mesmo nao tendo mais nenhum compromisso com ele , ainda nos encontramos as vezes e nos falamos por telefone, e logo em seguida em fico uma sensação de culpa horrivel, q me gera muito desconforto e ansiedade. onde eu volto a ligar pra ele .
a mudança de país ajudaria a romper esse círculo vicioso de uma vez por todas será . novos habitos novos amigos nova lingua novo trabalho. se puder explanar algo nesse sentido eu ficaria muito agradecid
A mudança que diz ser possível de fazer é sempre uma possibilidade de acordo com os seus desejos e queres, no entanto essa não tem de ser nacessariamente a única decisão para conseguir resolver a sua situação. O fato de sentir-se mal, depois de falar com o seu ex marido é natural. Eventualmente nos últimos tempos antes da separação passou por tempos atribulados, tendo feito um conjunto de associação desagradáveis com o seu ex- marido. Na atualidade, quando fala com ele, as memórias de incómodo, acionam mecanismo antigos que a fazem sentir-se mal. Tente não associar isso ao presente, lembre-se que essa foi uma associação antiga criada num altura em que as coisas não iam bem. Hoje já n tem motivos para se sentir mal (ainda que as memórias a façam reviver sentimentos antigos). O que descrevi é apenas uma possibilidade para o que me perguntou (eventualmente podem existir outras justificações, alheias á informação que me transmitiu).
Abraço
Muito bom ter encontrado seu site.
parabéns pelo seu trabalho! Realmente tem ajudado muitas pessoas! Mas, eu gostaria de fazer uma colocacao. Por que damos poder a tais "maus hábitos" em virtude dessa ou daquela recompensa, quando fazer o que "é certo" nos aliviaria, já seria uma recompensa em si. Por que nós, seres humanos, damos tanto poder ao que é "ruim" e temos tantas dificuldades em fortalecer o que é bom? Talvez eu nao saiba me explicar muito bem, mas isso é algo que tenho observado....Ninguém diz que gosta de violência, por exemplo, mas os filmes policiais sao o maior sucesso na TV, no cinema, etc. Ninguém se importa quando ouve alguma notícia boa no noticiário, mas ficam horas grudados e comentam sem parar quando é algo ruim, trágico. Entende aonde quero chegar? Você como estudioso da alma humana, talvez tenha melhor compreensao do porquê desse "padrao" de comportamento: por que é tao mais fácil fortalecer o mal, as coisas ruins nas nossas vidas e as coisas boas acabam tornando-se utopia, sonho, miragem...
Sempre muito esclarecedor e apontadado
para o alívio do sofrimento humano.
Um abraço
Eva
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