Aprendemos maioritariamente pela repetição, essa repetição torna-se num hábito, e esse hábito facilita-nos a vida. Como vivemos num mundo em constante mudança e, como nós somos forçados a mudar pelas condicionantes da vida, alguns dos hábitos adquiridos podem perder a sua função adaptativa e funcional. Alguns dos nossos hábitos ficam desatualizados perante as novas circunstâncias ao ponto de se tornarem prejudiciais. Quando isso acontece é necessário desenvolver novos hábitos.

Os hábitos são difíceis de mudar, especialmente no início. Alguns hábitos são mais profundamente enraizados do que outros, e desses, alguns tornam-se em maus hábitos. Quando pretendemos, por exemplo, adotar uma nova rotina, torna-se primordial despender alguma energia extra em primeiro lugar, simplesmente porque precisamos sair do modo de piloto automático e prestar mais atenção ao que se faz. Os nossos cérebros naturalmente preferem “a rotina usual”, isto acontece em prol da eficácia e do menor gasto de energia. Fazer algo de forma automática ou rotineira deixa-nos libertos para nos dedicarmos a outras coisas. Temos um forte impulso para fazermos o que sempre fizemos, o que prejudica o desenvolvimento de novos hábitos.

É preciso uma enorme dose de motivação pessoal, a fim de fazer uma mudança e implementá-la eficazmente a longo prazo. Proponho que tome um momento para responder às perguntas que se seguem com o objetivo de esclarecer para si mesmo, como a mudança a que se propõe pode alterar sua vida. Anote alguns exemplos para cada uma das suas respostas.

  1. Será que vou passar a sentir-me melhor comigo mesmo?
  2. Isto vai levar a um aumento do sofrimento ou aumento da felicidade, para mim e para os outros?
  3. Qual é o desejo mais profundo do meu coração? O que é de maior valor ou prioridade para mim?
  4. Será que vai melhorar a minha qualidade de vida?
  5. Será que a minha saúde física irá ser melhorada?
  6. Os outros vão beneficiar?

Quanto mais detalhes você puder fornecer, melhor, pois isso irá ajudá-lo a construir uma imagem mais nítida de uma vida mais feliz e mais gratificante. As chances de acertar um alvo aumentam quando você aponta para ele. Então, se você estiver convencido de que esse novo hábito será benéfico, coloque as etapas seguintes em ação:

1 – DIVIDA O OBJETIVO EM PEQUENAS PARTES

Por exemplo, se o seu objetivo é voltar a estudar, faça uma lista descrevendo as ações necessárias para tornar isso real. Então, a cada dia, coloque o seu plano em ação e avance. Mantenha-se focado no presente e vá realizando diariamente as atividades que podem contribuir para seja bem sucedido naquilo a que se propôs.

2 – BAIXE A SUA FASQUIA

Se você tende a ser perfeccionista, provavelmente já experimentou a procrastinação, ou terá sentido uma paralisia nas suas ações. Em vez disso, adote a perspetiva de “bom o suficiente”. Ao invés de esperar até que tenha vontade para estudar uma hora, defina um curto período de tempo, abra o seu livro, e aplique-se plenamente à tarefa em mãos. Quando o período de tempo terminar, você estará um passo mais à frente no caminho do seu objetivo. Provavelmente irá perceber que pode voltar a estudar por um período igual, e assim sucessivamente até que perceba que cumpriu o seu objetivo para esse dia.

3 – CUIDADO COM AS SUAS PALAVRAS

Usar termos como ” tenho que “, ” eu deveria” , ou ” eu devo ” pode fazer-nos sentir um pouco como as crianças ou como se estivéssemos sendo controlados. Se tende a ser punitivo para com você mesmo, como se tivesse uma voz sempre a chamar a sua atenção relativamente ao seu comportamento, substitua as frases apresentadas anteriormente por: “Eu escolho ” e ” eu quero”, esta pequena alteração permite colocá-lo de volta no comando da sua vida. Evite também cair na ilusão da palavra “Não consigo”, especialmente se você a utiliza sempre que se depara com uma dificuldade. Perceba que apesar da dificuldade, certamente você possuí capacidade funcional para realizar as ações necessárias para desenvolver o novo hábito. Então, estando ciente disso, inicialmente substitua a palavra não consigo, por “Não quero”. O que leva a que o desenvolvimento do novo hábito tenha de ser abordado de forma racional, utilizando as palavras, “Eu quero desenvolver o novo hábito” ou “Eu não quero desenvolver o novo hábito”.

Leia, Cuidado com as suas palavras: 8 formas de otimizar o seu diálogo interno

4 – TORNE O HÁBITO AGRADÁVEL

Ainda que no início você tenha de realizar algumas coisas que lhe são difíceis ou que não gosta, tente associar-lhe também algumas forma de prazer e/ou gratificação. Por exemplo, se ouvir algumas das suas músicas favoritas como ambiente de fundo não vai distraí-lo da tarefa em mãos, faça-o. A ideia é associar o seu novo hábito com as coisas que você acha pessoalmente gratificantes. Você pode ainda criar uma imagem mental do resultado final do seu novo hábito e associá-lo às tarefas menos agradáveis que tem de realizar, para sair bem sucedido.

5 – RECONHEÇA O SEU PROGRESSO

Dê crédito aquilo que você tem vindo a fazer para implementar o novo hábito. Reconheça o seu próprio esforço e congratule-se por isso. Celebre com os seus amigos, saindo para jantar. Fale de forma encorajadora para você mesmo: “Bom trabalho”. Tenha também uma atitude consoladora para si mesmo, se necessário: “Foi um dia difícil”. Você tem 24 horas por dia para ser o seu principal aliado e motivador na caminhada para o desenvolvimento do seu novo hábito. Apoie-se, incentive-se e reconheça as pequenas vitórias até chegar à vitória final.

A mudança pode ser assustadora, mas no final, as únicas pessoas que falham são aquelas que não tentaram” - David Viscott

Abraço,

Miguel Lucas