Grande parte da tensão e conflito que nos provoca mal-estar, stress e insatisfação, emerge da noção que construímos de como nos deveríamos comportar. Muitas vezes, nós estamos stressados ou dececionados não porque os outros esperam algo de nós, mas porque nós julgamos que eles estão esperando algo de nós. Todos esses “deverias” que você enraizou podem ter tido a sua origem em expetativas externas, códigos morais, regras, crenças que internalizou há muito tempo e que passaram a influenciar a sua vida através de pressões que coloca em si mesmo. Esses pensamentos de bota abaixo dão-lhe uma perspetiva “fechada” das possibilidades que tem e de como tem de fazer as coisas. Você tende a tornar-se rígido na sua forma de pensar, ficando preso a ideais absolutistas que atrapalham a sua vida.

Você identifica-se com alguns dos seguintes pensamentos:

  1. “Eu deveria resolver os problemas por mim mesmo (não fazê-lo é sinal de  fraqueza, carência ou significa que eu sou inadequado)”
  2. “Eu não deveria fazer pedidos a outras pessoas (é egoísta e egocêntrico)”
  3. “Eu deveria apenas lidar com isso.”
  4. “Eu devo sacrificar as minhas necessidades para os outros.”
  5. “Eu não deveria sentir-me da maneira que me sinto.”
  6. “Eu deveria mudar a minha atitude.”
  7. “Eu deveria ter feito melhor (no trabalho, no relacionamento, ou numa tarefa)”
  8. “Eu não posso falhar (falha seria desastroso)”
  9. “Eu não posso lidar com a crítica.”
  10. “Eu nunca deveria precisar de ser criticado (eu deveria comportar-se perfeitamente, de modo que não houvesse espaço para críticas)”

sentimentoculpa

Quando você carrega uma carga pesada de regras internas “deverias” você pode ficar desgastado e sobrecarregado pelas suas próprias expetativas. Essas formas de pensamento podem vir a comprovar-se como um obstáculos ao seu desenvolvimento pessoal, dificultando a obtenção de alguns dos seus objetivos e sonhos. A sua frustração vai crescendo, com isso os conflitos internos fazem-se sentir retirando-lhe paz de espirito. Pode levá-lo a construir uma ideia depreciativa acerca de você mesmo, exacerbando-lhe o sentido de responsabilidade para níveis prejudiciais, aumentando-lhe o sentimento de culpa perante as perdas e fracassos.

Numa primeira fase, até pode ser benéfico retermo-nos algum tempo a analisar alguns dos nossos “deverias”. No entanto, se isso é recorrente na sua vida, se isso só tem vindo a servir para sentir-se mal e não o direciona para ações que o conduzam a soluções, então, esses “deverias” perderam o seu valor adaptativo e transformaram-se em obstáculos à felicidade.

ESTRATÉGIAS PARA REESTRUTURAR OS PENSAMENTOS “DEVERIAS”

Tente prestar atenção a um pensamento que você sabe que o tem vindo a prejudicar e está decidido a abandoná-lo. Utilize algum dos dez pensamentos listados ou identifique um pensamento próprio que tem vindo a contribuir para o aumento da sua angústia e sofrimento emocional.

Com esse pensamento em mente, aplique uma ou todas as estratégias que se seguem:

  • Observe esse pensamento sempre que ele lhe surge na mente, e imagine-o a entrar e a sair da sua mente como uma nuvem que atravessa o céu. Você pode presenciar esse pensamento, como por exemplo: “Eu devo sacrificar as minhas necessidades em prol dos outros” a entrar na sua mente, a vaguear e a fluir.  Não force o pensamento a ir embora, nem se envolva com ele, nem o alimente com outros conteúdos que o justifiquem. Fique apenas com ele, nada mais. Perceba que não passa de um pensamento e que nada lhe pode causar, se você não permitir. Você não é os seus pensamentos. Os pensamentos são eventos mentais, e alguns desses pensamentos podem ter de ser descartados, principalmente quando não estão de acordo com os nossos objetivos, ou não representem uma ideia que esteja alinhada com os nossos valores.
  • Foque a sua atenção nesse pensamento, mas mude a palavra “devia” para “podia.” Se é um pensamento com a palavra “não posso” mude para “Eu sinto-me triste, dececionado, ansioso, quando eu…” Observe se a mudança da palavra teve algum impacto em você e como isso o faz sentir-se. Por exemplo, você pode mudar “Eu deveria lidar com isto” para “Eu posso lidar com isto.” Esta mudança subtil pode aumentar a flexibilidade de pensamento e expandir a sua noção de opções possíveis.
  • Imagine fazer a coisa que você “não deve” fazer e construa um cenário onde se visualiza a obter um resultado positivo. Por exemplo, se você tende a pensar “Eu não deveria precisar de ajuda”, você pode imaginar-se a pedir ajuda a um vizinho. Depois imagine que, enquanto o vizinho o ajuda, você começa a conversar e acabam desenvolvendo uma nova amizade.

Abraço