Inequivocamente os nossos pensamentos comandam a nossa vida. Pelos menos aqueles pensamentos que decidimos que nos servem, e que repetidamente vamos tendo e nos orientam as ações no nosso dia-a-dia. No entanto, quando estamos a ter uma sequência lógica de pensamentos acerca de algo ou de alguém, vai-se formando na nossa mente um diálogo interno suportada por uma determinada lógica de raciocínio, que comporta em si a nossa usual forma de pensar acerca das coisas, de nós, dos outros e do mundo em geral. Ao longo da vida vamo-nos familiarizando com as nossas forma de diálogo interno, ficamos tão apegados e acostumados que na grande maioria das vezes não temos consciência das coisas que dizemos a nós mesmos, mas que têm um impacto enorme na nossa vida, positivo e negativo.

Ainda que consigamos perceber que podíamos usufruir de melhorar alguns dos nossos diálogos internos autocríticos, por vezes esbarramos com a incapacidade que temos de identificá-los, para que de forma eficaz e assertiva possam ser alvo da nossa intervenção e consequente melhoria.

No artigo: Abandone a negatividade, acabe com o diálogo autocrítico, expliquei o impacto que o nosso diálogo interno tem na construção de redes neuronais que posteriormente suportam a forma como pensamos. No artigo: Cuidado com as suas palavras, 8 formas de otimizar o seu diálogo interno, dei alguns exemplos da importância que aquilo que vamos dizendo a nós mesmos tem na obtenção dos resultados pretendidos. Neste artigo, você vai aprender a prestar atenção a pensamentos que lhe aparecem na mente, assim como avaliações, interpretações e generalizações que podem minar e distorcer a realidade.

Então, como é que você sabe se o seu diálogo interior autocrítico e irracional, está tomando conta dos seus pensamentos ? Ou se você está apenas sendo realista?

cerebro

Apresento em seguida sete características comuns que podemos ter quando accionamos o diálogo interno autocrítico irracional. Geralmente, todas estas vozes silenciosas não estão em operação de uma só vez, mas pelo menos 2 ou 3 estão presentes. Reconheça o seu diálogo interior autocrítico:

1. A sua voz critica-o duramente. Se você ouvir uma voz dizendo coisas que você nunca diria a outra pessoa, provavelmente accionou o seu diálogo crítico dilacerante. Esta voz silenciosa começa a pegar nas suas memórias de incapacidade, recolhendo episódios passados de coisas que lhe correram mal, relembra-o dos seus fracassos, das suas falhas, aumentando-lhe as incertezas no futuro e exacerbando-lhe as dúvidas acerca de si mesmo. Você começa então a fazer uma autoavaliação, como se fosse o seu pior inimigo, como se ele lhe falasse ao ouvido acusando-o de tudo e mais alguma coisa, no sentido de o deitar abaixo. O seu diálogo virou-se contra si mesmo. Então você identificou-o. Tome medidas.

2. Se você sentir que está a perder o controle dessa voz, como se ela tivesse vontade própria, mais do que sendo criada por si mesmo, como se ela invadisse o seu pensamento em vez de estar alinhada com os seus pensamentos baseados nos seus valores e objetivos, é o seu diálogo interno autocrítico.

3. A voz crítica repete-se com frequência. Se você é atormentado pelos mesmos pensamentos negativos, depreciativos e incapacitantes recorrentemente, isso não é realmente pensar de forma útil, mas sim ouvir um disco quebrado, é o seu diálogo interior autocrítico .

4. Se você “ouvir” um pensamento que sabe de fonte segura que é irracional ou falso e sem sentido (distorção cognitiva), mas sente dificuldade em desapegar-se dele, sendo persistente e incisivo, é o seu diálogo interno autocrítico.

5. A voz interna também pode atacá-lo veementemente por você hospedar os pensamentos negativos que essa mesma voz foi  repetidamente contribuindo para a sua construção. Depois a voz critica, ou relata o pior cenário possível de acontecer:  ”Não sejas tão inseguro, as outras pessoas estão confiantes e relaxados … é só olhar o João.” ou, “Pois a pensares assim, certamente vais fazer asneiras.”

6. Embora o diálogo interno autocrítico lhe faça autosabotagemelabora argumentos sobre o que é do seu interesse, o que é realista, eficaz, o que irá protegê-lo do dano, o que vai garantir-lhe o melhor resultado. Os truques interiores  autocríticos acabam por enquadrar o seu argumento em termos daquilo que é melhor para nós. É como que uma consciência a lembrar-nos o que é melhor para nós, mas ao mesmo tempo passando a mensagem de que não somos capazes, mas devíamos.

7. O diálogo interior autocrítico pode buscar inspiração perniciosa de pessoas que na sua vida desempenhem ou desempenharam um papel crítico (exterior). A voz silenciosa adapta-se e  expande-se para além do seu próprio comportamento e, muitas vezes existe como uma versão das vozes dessas pessoas dentro da sua própria cabeça. Você pode ouvir os ecos de um pai, um irmão, um chefe, ou a voz das instituições sociais ou grandes forças culturais, tais como a sua religião, país ou empresa.

A identificação do seu diálogo interno autocrítico pejorativo é o primeiro passo para conseguir ganhar consciência dos padrões de pensamento que podem estar a prejudicar-lhe a vida, a minar-lhe a autoestima e autoconfiança e a contribuir para a autoabotagem e alguns fracassos. O diálogo autocrítico pode ainda ser um potenciador de problemas associados à ansiedade, tais como ataques de pânico, ansiedade generalizada ou preocupação excessiva. Pode ainda contribuir para a ocorrência de estados deprimidos ou para os sintomas da depressão. Muitos dos nossos problemas pessoais, e a sua consequente melhoria podem usufruir de forma muito positiva na identificação do nosso diálogo interno autocrítico, para que posteriormente possamos pouco a pouco instituir formas de pensamento positivo.

Abraço

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Autor: Miguel Lucas

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Licenciado em Psicologia, exerce em clínica privada. É também preparador mental de atletas e equipas desportivas, treinador de atletismo e formador na área do rendimento desportivo. É autor da Escola Psicologia.

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Comentários dos Alunos


  1. Giselle Barrinuevo
    14 de fevereiro de 2012

    Olá Miguel,

    gostei muito do seu blog. Está me ajudando muito estou passando por um término de namoro onde fiquei bem deprimida, mais hoje percebo que o problema não estava em mim e sim na outra pessoa. Mas perder quem a gente ama nunca é fácil seja em vida ou em morte.

    Responder


    • Miguel Lucas
      17 de fevereiro de 2012

      Olá Giselle, obrigado pelo comentário

      A perda é sempre difícil e comporta alguma mágoa e dor emocional. Isso é uma realidade, tal como é uma realidade nós estarmos preparados para sentir dor (física e emocional), é inderente a nós mesmos. É importante sentir, é importante perceber que determindas coisasa são ou forma importantes para nós, a dor funciona como um marcador que indetifica aquilo que “gostamos”.

      Renove os seus objetivos e faça coisas para alcançá-los

      Abraço

      Responder


  2. Camila
    16 de fevereiro de 2012

    Oi, Miguel.
    Quero parabenizá-lo pelo blog, pois, certamente, está auxiliando várias pessoas que se encontram com problemas de difícil solução (ou que ao menos PARECEM, para nós, difíceis).
    Identifico-me bastante com as postagens, fico feliz por não ser a única a passar por isso.
    Quanto mais leio, mais vontade tenho de cursar psicologia, curso que “escolhi” desde o 2º grau, porém, neste momento, vou ter que cursar outro curso mais conveniente.
    Espero suprir um pouco da vontade lendo os posts.
    Abraço.

    Responder


    • Miguel Lucas
      17 de fevereiro de 2012

      Olá Camila, obrigado pelo comentário.

      Agradeço a sua opinião positiva acerca do nosso blog :) Espero que possa encontrar aqui, artigos que a possam inspirar e esclarecer como melhorar a sua vida e conseguir atingir os seus objetivos.

      Quem sabe um dia ainda venha a ser minha colega!

      Abraço

      Responder


  3. jucelia
    28 de fevereiro de 2012

    estava procurando algo como voce e sei que vai ajudar muitas pessoas inclusive eu. Muito obrigado pelas suas palavras!

    Responder


  4. AUGUSTO
    29 de fevereiro de 2012

    SUA DISPOSIÇÃO EM AJUDAR AS PESSOAS ME CATIVA MIGUEL. ESTÁ FAZENDO UM BELO TRABALHO. PARABÉNS. DEUS O ABENÇOE MUITO. AH, APROVEITANDO A OPORTUNIDADE FALE SOBRE FÉ, RELIGIÃO E SUAS IMPLICAÇÕES POSITIVAS E NEGATIVAS EM NOSSAS VIDAS. COMO ADMINISTRA-LA MELHOR NO NOSSO DIA A DIA. E TAMBÉM SOBRE RELAÇÕES ENTRE HOMEM MULHER( TERMINO DE NAMORO,BRIGAS CASAIS,EXPECTATIVAS COLOCAMOS SOBRE O RELACIONAMENTO……) MELHOR PARAR DE PEDIR RSRS. ABRAÇOS.

    BRASIL/MINAS GERAIS

    Responder


    • Miguel Lucas
      4 de março de 2012

      Olá Augusto, obrigado pelo comentário.

      Fico muito agradecido com as suas palavras. agradeço ainda a dica relativamente ao tema que pede para eu escrever. É um tema sem dúvida importante na vida de muitas pessoas, e certamente pesa no seu bem-estar e felicidade.

      Abraço

      Responder

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