Todos os dias temos conversas incessantes connosco mesmos. Dizemos a nós mesmos quem somos, o que devemos fazer, como devemos reagir e qual é a nossa missão ou objetivo. Esta comunicação intrapessoal governa as nossas vidas e afeta o nosso bem-estar geral. Quando as coisas que nos acontecem são boas e especialmente quando alcançamos o sucesso, o diálogo interno é muito provável que seja positivo e ajuda a mover-nos para a frente. Mas o que dizer quando as coisas não estão indo de acordo com aquilo que desejamos ou perspetivamos?

O que acontece quando olhamos para trás, fazemos uma avaliação da nossa vida e concluímos que sentimos uma enorme insatisfação? É nestes momentos que precisamos reavaliar as conversas internas e monitorizar o que estamos dizendo a nós mesmos. Temos de perceber que tipo de mensagens estamos implementando em nós, e que efeito estão a ter na nossa vida.

A canção de António Variações, “Muda de Vida”, expressa a mensagem que vos quero transmitir:

Muda de vida se tu não vives satisfeito
Muda de vida, estás sempre a tempo de mudar
Muda de vida, não deves viver contrafeito
Muda de vida, se a vida em ti a latejar

Ver-te sorrir eu nunca te vi
E a cantar, eu nunca te ouvi
Será te ti ou pensas que tens… que ser assim

Ver-te sorrir eu nunca te vi
E a cantar, eu nunca te ouvi
Será te ti ou pensas que tens… que ser assim

Olha que a vida não, não é nem deve ser
Como um castigo que tu terás que viver

Muda de vida se tu não vives satisfeito
Muda de vida, estás sempre a tempo de mudar
Muda de vida, não deves viver contrafeito
Muda de vida, se a vida em ti a latejar

EM CONSTANTE MUDANÇA

A mudança não é algo que nos separa, que nos estilhaça, que nos faz perder a noção das coisas, a mudança é algo que está ligado ao desenvolvimento, ao crescimento, à criação. É a vida a desabrochar em pleno. A mudança não é uma quebra no fluxo da nossa vida, é o fluxo em si mesmo. A mudança não é um desvio de direcção, é a própria direcção na qual a nossa vida se movimenta e ganha sentido. A mudança não é uma alteração das condições e circunstâncias das nossas vidas, é a condição e circunstância das nossas vidas. Se olharmos para o passado longínquo, se olharmos para a evolução do Homem ao longo dos tempos, observamos que sem mudança a própria vida não existiria, pois a vida é movimento, e o movimento é mudança por definição.

Reflexão: A questão não é, portanto, se a nossa vida conterá mudança, mas que tipo de mudança conterá a nossa vida.

Seja mudar uma circunstância de vida, um hábito ou um pensamento, será tanto melhor quanto mais envolvimento nosso existir. Se aceitarmos a mudança como algo natural, se aceitarmos a mudança como algo bom, libertamo-nos para a podermos abraçar sem resignação, entraves ou traumas. A noção que cada um tem acerca da mudança, da capacidade de se mudar a si próprio ou às circunstâncias da sua vida, irá ditar o grau de sucesso que obtém, quando o momento de mudar for imperativo.

COMO É QUE POSSO MUDAR?

Durante a última década dediquei-me ao assunto que gira em torno da mudança, da mudança de hábitos, da mudança de comportamentos. Porque é tão difícil mudar, porque é tão difícil mudar rotinas, gostos, pensamentos, vontades? E porque razão, quando queremos mudar algo, não conseguimos? Quando prometemos a nós próprios iniciar um novo hábito mais saudável, encontramos todos os obstáculos para não o realizar.

Estamos na presença do fenómeno: MUDANÇA

O que apresento neste artigo é uma compilação de conceitos, dicas e estratégias em que pretendo transmitir a possibilidade que  cada um de nós tem para mudar, para mudar o rumo da nossa história. A vontade própria expressa na força de vontade e auxiliada pela auto-disciplina fornece-nos a possibilidade concreta e real que cada um de nós possui para implementar uma estrutura mental positiva e mudar a sua história, mudar para uma atitude positiva e capacitadora. E isto é extraordinário, é uma luz de esperança.

PAPÉIS SOCIAIS

A teoria de papéis sociais é uma perspectiva na psicologia social, que considera a maioria da atividade diária como uma representação de categorias socialmente definidas (por exemplo, a mãe, gerente, professor). Cada papel social é um conjunto de direitos, deveres, expetativas, normas e comportamentos que uma pessoa tem de enfrentar e cumprir.

A teoria de papéis sociais afirma que há muitas “personagens” que representamos ao longo da vida. Alguns destes papéis nascemos com eles (por exemplo, relações familiares) e outros que aceitamos de bom grado (casamento, trabalho, amizades). Outros são impingidas em cima de nós, como os estereótipos, ou quando somos pressionados a competir. Independentemente do tipo, as normas sociais muitas vezes ditam que aceitemos esses papéis e em conformidade com certos padrões de comportamento que os definem.

Como já referi, Isso é ótimo quando você está a “ganhar” e tudo corre pelo melhor. No entanto, o que dizer quando o seu processo de pensamento e os papéis que você representa estão esmagando e aniquilando o seu bem-estar? Muito provavelmente, isso pode acontecer porque se deu uma cristalização de todos esses papéis à sua personalidade, e esta deixou de ser adaptativa e funcional, tornou-se conformista. Você confundiu a representação de papéis com aquilo que você julga ser. Na verdade o problema começa aqui, tal como expliquei no artigo:  Desapegue-se da sua personalidade, aprenda a desempenhar um papel.

MUDE A SUA HISTÓRIA

Examine o que você está dizendo a si mesmo. O que você aceitou, está aceitando e aceitará no futuro é baseado na noção que você tem de si mesmo (em quem pensa que é). Para mudar isso, você tem que conscientemente alterar a história de quem você pensa que é para implementar o conceito de quem você quer ser. E então agir em conformidade. Tal como expliquei no artigo: Que tipo de pessoa você quer ser?

Isto nem sempre é fácil, porque, muitas vezes, o nosso estilo de vida e as situações do dia-a-dia vam-nos moldando, vam-nos condicionando. Por vezes deixamos de fazer algumas coisas à medida que vamos avançando na vida. Depois do liceu ou faculdade, normalmente deixa-se de praticar esportes ou tornamo-nos menos ativos. Quando entramos num relacionamento muitos de nós paramos de fazer as coisas que sempre fizemos para agradar ao outro (não que necessariamente seja um problema). A pessoa pode ter tendência ao desleixe, e não considerar mais a necessidade de sentir-se “sexy”. Da mesma forma, num determinado ponto da sua carreira pode pensar, “Isto é o melhor que posso fazer” ou “É tarde demais para fazer outra coisa.” Lentamente, começamos a pensar como nós acreditamos que uma pessoa no nosso “papel” é suposto pensar e agimos em conformidade.

No entanto, quando você começar a contar para si mesmo uma história diferente, então essas ideias começam a mudar. Ao adotar um novo papel ou uma maneira diferente de olhar para a sua vida, você pode implementar novos padrões que podem melhorar a sua qualidade de vida.

Dica: Se as circunstâncias atuais não são do seu agrado, mude a sua história e as suas circunstâncias mudarão também.

PROCESSO PARA A MUDANÇA POSITIVA

Suponha que você tem o mau hábito de pensar demais sobre os mesmos pensamentos negativos. E suponha que não há nenhuma manifestação externa física associados a esses pensamentos. É apenas o pensamento negativo, como “Eu estou tão deprimido” ou “Eu odeio o meu trabalho” ou “Eu não posso fazer isso” ou “Eu odeio ser gorda.” Como pode você suprimir  um hábito ruim, quando é inteiramente gerado pela sua mente ?

Há realmente um grande número de formas de descondicionar um padrão de pensamento negativo. A ideia básica é substituir o padrão antigo por um novo. Elementar não é? Mas qual a melhor forma de fazê-lo eficazmente?

Começo por dizer-lhe como não deve fazê-lo. Não deve esforçar-se por resistir ao pensamento negativo, isso é um tiro que lhe sairá pela culatra, pois só  irá reforçá-lo ainda mais e aumentar o seu efeito. Quanto mais cismar nesses pensamentos, mais  os caminhos neurológicos se reforçarão, mais solidificará os padrões de pensamentos para a desgraça. Então, o que fazer na prática?

Em vez de tentar resistir ao padrão de pensamento negativo, você deve redireccioná-lo. Pense nisso como uma técnica mental, uma técnica de redireccionamento da atenção. Imagine que o pensamento negativo chega até si como se fosse uma imagem ou fala de banda desenhada dentro de um balão, lê o seu conteúdo e verifica que não lhe serve, “eu sou um idiota”. O que deve fazer em seguida é criar uma nova fala ou imagem, esta fala segue os seus objetivos, segue aquilo que pretende que aconteça e não aquilo que teme.

O passo seguinte é passar à ação, executando aquilo que criou. Neste exato  momento pode emparelhar um condicionamento de mudança, ou seja sempre que tiver a noção que está a ter um pensamento negativo, automaticamente começará a fluir para a construção de um pensamento positivo. É semelhante aos cães de Pavlov que aprenderam a salivar quando o sino tocava.

A reter: O problema não está em ter pensamentos negativos, mas sim em segui-los, temê-los ou não conseguir criar outros mais capacitadores e positivos.

Veja como funciona a técnica de redireccionamento da atenção:

PASSO 1: Transforme o pensamento negativo numa imagem mental

O objetivo é criar uma imagem real o mais aproximado possível daquilo que pensa no sentido de perceber o absurdo que pode estar a pensar. Pegue nessa vozinha depreciativa, e transforme-a numa imagem mental correspondente. Por exemplo, se o seu pensamento é: “Eu sou um idiota”, imagine-se vestindo um chapéu de burro, vestidos tolos, e pulando como uma idiota. Veja-se cercado por todas as outras pessoas apontando para você, enquanto você grita: “Eu sou um idiota.” Quanto mais você exagerar na cena, melhor. Ensaie mentalmente  até chegar ao ponto em que o pensamento negativo automaticamente traga à tona essa imagem pateta.

Lembro-me que quando estive nos Fuzileiros (tropa de elite), e na situação de deixarmos “roubar” a arma pelos superiores, o recruta era obrigado a andar durante 30 minutos com a arma acima da sua cabeça e de braços esticados emitindo o seguinte cântico: “Sou tolinho, deixei roubar a arma”. Certamente passando por embaraço, o recruta implementava um condicionamento muito vincado no sentido de trabalhar em estratégias que lhe recordassem que ter os olhos na arma era importante em qualquer circunstância.

O mesmo se aplica aos pensamentos negativos e depreciativos, se perceber o quão insensato está a ser para consigo mesmo e o quanto isso o prejudica, ao visualizar essa imagem depreciativa na sua cabeça, rapidamente percebe que deve mudar para uma mais positiva e construtiva ou certamente se não o fizer estará em apuros, tal qual o recruta fuzileiro.

Se você tiver problemas para visualizar, também pode fazer o descrito acima de forma auditiva. Traduzir o pensamento negativo num som, como uma canção que você entoa. Execute o mesmo processo com som em vez de imagens.  Funcionará de qualquer maneira.

PASSO 2: Seleccione um pensamento capacitador de substituição

Agora decida que pensamento quer pensar e que  lhe possa ser útil ao invés do pensamento negativo. Então, se você estiver pensando, “eu sou um idiota”, talvez você possa substituir por “eu consigo ser eficaz.” Escolha um pensamento que lhe dê poder de tal forma que consiga romper o efeito depreciativo e  negativo do pensamento original.

PASSO 3: Transforme o pensamento positivo numa imagem mental

Em seguida execute o mesmo processo que você usou no Passo 1, para criar uma nova cena mental do pensamento positivo. Assim, com o exemplo “eu consigo ser eficaz”, você pode imaginar-se de pé, adotando a posição do Super Homem com as mãos nos quadris. Imagine-se a absorver energia e a colocá-la na ação ou objetivo que pretende realizar, dizendo para si “eu sou eficaz”. Mais uma vez, repita mentalmente a cena, até que accionando o pensando positivo automaticamente traga à tona as imagens capacitadoras associadas.

PASSO 4: Mentalmente funda as duas imagens em simultâneo

Agora pegue as imagens do Passo 1 e Passo 3, e mentalmente funda-as em simultâneo. Este é um processo de condicionamento por associação. O que prendendo que faça é simplesmente associar as imagens e/ou pensamentos negativos com as imagens e/ou pensamentos positivos, no sentido de criar um gatilho que faça disparar uma imagem para outra. Ou seja, para que sempre que se forme pensamentos e imagens negativas ou depreciativas que possam comprovar-se destrutivas, automaticamente o gatilho criado por associação faça disparar o conjunto de imagens positivas previamente escolhidas e criadas por si. Este exercício permite ir reforçando uma estrutura mental capaz de detetar imagens e pensamentos que não lhe servem e automaticamente mudar para um padrão mental mais capacitado, construtivo e positivo.

Depois de ter toda a cena trabalhada, ensaie-a mentalmente até que a mudança se processe rapidamente. Reproduza toda a cena uma e outra vez até que você possa imaginar tudo em 2 ou 3 segundos. Deve ser muito rápido, muito mais rápido do que você vê no mundo real.

PASSO 5: Experimente

Agora você precisa testar o redireccionamento mental  para ver se funciona. É um pouco como  redireccionar uma página da Internet, quando você introduz o URL antigo (morada errada), a sua mente deve automaticamente redireccionar para a correta (positiva). Ao iniciar o pensamento negativo deve rapidamente emergir o pensamento positivo. O pensamento negativo é o estímulo que faz com que a sua mente execute todo o padrão automaticamente. Assim, sempre que  pense, “eu sou um idiota”, mesmo sem estar plenamente consciente disso, mudará o seu padrão pensando: “eu consigo ser eficaz”.

Se você nunca fez visualizações como esta antes, pode demorar largos minutos até que consiga implementar todo o processo. Não desespere, mantenha-se firme.  A rapidez vem com a prática. Todo o processo, depois de devidamente treinado pode literalmente ser feito em segundos. Não deixe que a lentidão das primeiras tentativas o desanimem.  Esta é uma habilidade que pode ser aprendida como qualquer outra, e provavelmente vai sentir-se um pouco estranho na primeira vez.

Eu recomendo que experimente com diferentes tipos de imagens. Você encontrará provavelmente algumas variações mais eficazes que outros. Preste especial atenção à associação versus dissociação. Quando você está a fazer uma associação numa cena, você está imaginando vê-la com os seus próprios olhos (ou seja, tem uma perspectiva na primeira pessoa). Quando você está a fazer uma dissociação você está imaginando a ver-se na cena (ou seja, tem perspectiva na terceira pessoa).Você pode gostar e obter melhores resultado numa ou noutra ou em ambas. Depende em qual se sente mais confortável ou das situações imaginadas.

A minha experiência:

No meu dia-a-dia faço muitas vezes condicionamento mental. Sempre que eu percebo que estou a ter um pensamento negativo que não me serve ou que me impede  de alcançar algo, redirecciono-o. Eu uso o condicionamento mental para redirecciconar os pensamentos de dúvida para uma mentalidade mais capacitadora.

Este tipo de condicionamento mental permite-me gerir mais conscientemente os meus estados internos. Tomar decisões em consciência e ter uma noção clara de que a qualquer momento posso mudar algo que percebo como prejudicial, negativo ou ultrapassado.

Fui internalizando a técnica de redireccionamento da atenção, e com a prática facilmente consigo mudar alguns padrões menos favoráveis que pontualmente teimam em surgir. Por isso quando tenho um pensamento do género: “Eu não consigo” rapidamente redirecciono para “O que posso fazer para conseguir”.

Dê uma chance a este processo da próxima vez que você perceba que está a ser invadido por um pensamento negativo e depreciativo. Certamente irá comprovar o quão poderoso ele é. E sinta-se livre para compartilhá-lo com outras pessoas que possam estar a enfrentar os mesmos problemas.

Se gostou do que leu até agora, estou certo que irá gostar de ler o meu livro: Como Mudar a Sua Vida para Melhor. Clique na imagem em baixo para ter acesso:

mudar para melhor

PROGRAME A MUDANÇA

Se você já leu até aqui, pode já ter decidido  mudar alguns aspectos da sua vida. Você estás de parabéns! Às vezes, a consciência em si pode ser uma mudança de vida. No entanto, para criar uma verdadeira mudança é preciso mais do que apenas saber o que fazer, é preciso fazer, experimentar e verificar o que funciona.

Em seguida apresento mais um conjunto de ferramentas e técnicas psicológicas para desenvolver ou remover hábitos, comportamentos, crenças e traços de personalidade:

SOBRE A MUDANÇA

Você quer melhorar os seus relacionamentos, saúde, riqueza e bem-estar? O auto-aperfeiçoamento em todas essas áreas requer mudança. Não apenas conhecimento novo, mas implementar padrões de novos hábitos de pensamento e comportamento. Para melhorar a sua vida você tem que estar disposto a mudar alguns aspectos de si mesmo. Se o que você tem feito até agora não lhe permitiu obter os resultados que quer, então algo tem de mudar, e nada vai mudar até que você faça alguma coisa. Muitas pessoas mantêm uma forte crença sobre o seu “verdadeiro eu” o que pode ser muito limitante, porque lhes permite justificar as suas falhas e, assim, manterem-se paralisados no seu crescimento e desenvolvimento pessoal.

A verdade é que você pode mudar praticamente qualquer aspecto de si mesmo com as técnicas corretas. O que leva tempo é conduzir-se a si mesmo para o ponto onde finalmente decide fazer o que  for preciso para que a mudança aconteça.

Para aprofundar este assunto, pondere ler o artigo: Quer ter sucesso? Mude-se a si próprio

PADRÕES DE INTERRUPÇÃO

Quando encontramos um comportamento que funciona, tendemos a ficar agarrados a ele e repeti-lo automaticamente sempre que uma situação semelhante vem à tona. Isso é chamado de padrão de hábito, e é suportado por uma série de ações físicas ou mentais que realizamos habitualmente. Estes padrões de hábito simplificam tremendamente as nossas vidas, deixando-nos dirigir carros ou realizar acrobacias complexas sem nós sequer termos que pensar sobre isso, mas algumas também podem ser improdutivas ou limitadoras. Muitos de nós executamos padrões que estão desatualizados. Por exemplo, podemos ter um ataque de pânico quando vemos uma aranha, temos de fazer um teste ou um discurso. Podemos sentir vergonha de morte se cometermos um erro ou se alguém ri de nós, ou então podemos ter padrões de pensamento específico que ativamos sempre que estamos com raiva, preocupados, deprimidos ou com medo, essa espiral vai-se enraizando cada vez mais na negatividade.

Para quebrar um padrão de hábito limitador ou destrutivo, você pode usar uma interrupção padrão. Uma interrupção padrão é algo (movimento, som, gesto) que você executa de forma a desafiar  totalmente o padrão antigo e, portanto, rompe-lo. Reserve um momento agora para pensar nas suas próprias maneiras agradáveis ​​de quebrar os seus padrões limitantes e escreva pelo menos cinco. Pode ser qualquer coisa que interrompa o padrão estabelecido. Algo físico, como um gesto (por exemplo, fechar o punho), ou uma mudança na fisiologia, ou algo na sua mente, como uma frase no ouvido da sua mente (verbalização silenciosa) ou uma visualização na sua mente. Faça isso!

Da próxima vez que você ficar ciente de que está para desencadear ou a iniciar um padrão limitador, use uma dessas interrupções para pará-lo e permitir-se a si mesmo a escolher como responder adequadamente, em vez de apenas reagir como habitualmente. Cada vez que você interromper um padrão, ele torna-se mais difícil de manifestar-se, e eventualmente irá perdendo a força. Esta associação vai ficando registada no seu padrão mental de resposta perante pensamentos destrutivos, o que facilita a ignição de padrões de resposta mais adequados, e pouco a pouco, pode até levar à extinção do aparecimento de grande parte dos hábitos de pensamentos limitadores e negativos.

Para demonstrar o uso de padrões  de interrupção, escolha um padrão negativo que você faça habitualmente, por exemplo, um vício. Já escolheu? Ótimo. Então, para registar a interrupção desse padrão, tome consciência do seu dedo indicador e médio e faça uma ligeira fricção na palma da mão. Enquanto você faz isso imagine-se executando o seu novo pensamento, atitude ou ação e foque-se no sentimento que você tem ao realizar isso. Você vai notar que o sentimento de necessidade vai enfraquecendo e torna-se cada vez mais difícil efectuar o vício. O friccionar dos dedos na palma da mão funciona como uma âncora que o relembra daquilo que pretende fazer sempre que sente a necessidade de realizar o vício que pretende extinguir.

Continue executando o padrão de interrupção durante alguns minutos ou até que não sinta mais vontade de executar o seu vício. O padrão antigo vai assim enfraquecendo. Continue aplicando o padrão de interrupção, de forma a que quando o padrão negativo se manifestar seja quebrado cada vez mais rápido, até que desapareça completamente.

Agora você possui uma técnica extremamente poderosa que pode devolver-lhe o controle sobre alguns aspectos da sua vida, por exemplo, ajudando-o a remover os desejos tóxicos, fobias, medos, raiva, ansiedade e vícios, como fumar ou beber, ou qualquer outra coisa que você sinta que está fora do seu controle.

PADRÕES DE CONDICIONAMENTO

Ter um conjunto de interrupções padrão é ótimo para inibir comportamentos não desejados e desadequados, mas para criar uma mudança permanente você tem que substituí-los por novos padrões capacitadores. Isto também exige que você se convença da importância e da urgência da mudança, porque a razão pela qual você não faz a mudança é porque tem sentimentos mistos (antagónicos) sobre o assunto. A sua dor e escala de prazer é ponderada na direção errada.

Para lidar com isso vamos olhar para simples, mas poderosas técnica em 4 etapas para criar uma mudança duradoura:

  • Decida especificamente o que é que pretende alterar e anote isso num pedaço de papel. Tudo o que você deseja mudar em si mesmo, o que se resume a uma de duas coisas: ou padrões mentais ou padrões corporais. Os padrões mentais incapacitantes incluem estados como a preocupação excessiva, atitudes como pessimismo, ou crenças limitadoras como “ninguém gosta de mim”. Os Padrões incapacitantes do corpo, por outro lado são comportamentos habituais, como comer demais, fumar, jogo, discutir, reclamar, desculpas recorrentes, procrastinar ou outros maus hábitos.
  • Promova a sua motivação para a mudança, associando dor ao que  não consegue mudar e imenso prazer aquilo que quer mudar.  Mudança é sempre uma questão de motivação; de dor versus prazer. A única maneira de mudar é ficar absolutamente convencido de que isso tem de acontecer a partir de agora. Faça perguntas em que possa associar dor vinculada ao passado, presente e futuro quando usou um padrão de pensamento depreciativo e negativo. O que lhe custou no passado, o que é isso lhe está a custar atualmente e o que vai custar-lhe, em última análise, no futuro? Qual é o custo mental, emocional, físico, financeiro e espiritual? Traga isso vividamente para a sua consciência e visualize as consequências dolorosas, tão intensamente que você vai pensar duas vezes antes mesmo de produzir esse padrão negativo novamente. Agora, faça perguntas induzindo prazer. Se você alterar a forma de pensamento como acha que isso vai fazer você sentir-se? Quais os benefícios para a sua vida? Quão mais feliz você vai sentir-se? Tente encontrar pelo menos 10 fortes razões que suportem essa mudança e anote-as num papel. A chave é encontrar razões importantes e urgentes, para que você atinja o limiar necessário para fazer um compromisso absoluto e consequentemente a mudança desejada.
  • Crie uma nova alternativa capacitadora e condicione-a. Não obterá um resultado satisfatório se apenas conseguir parar um padrão incapacitante, você tem que substituí-lo. Todos os seus padrões são projetados para protegê-lo da dor e promover o prazer. Assim que consiga inibir o seu antigo padrão é necessário implementar algo prazeroso em sua substituição. Encontre um novo padrão que para além de capacitá-lo, também melhora a sua vida e anote isso numa folha de papel. Em seguida condicione-o, ensaiando uma e outra vez para torná-lo num hábito. Qualquer padrão de pensamento, sentimento ou comportamento que é consistentemente reforçado acabará por tornar-se num hábito. Uma maneira rápida de fazer isso é visualizar-se nitidamente num cenário em que esteja prestes a iniciar o seu antigo padrão, para depois se ver fazendo o seu novo comportamento capacitador em substituição. Você irá condicionar o seu cérebro para que quando iniciar um comportamento antigo indesejado, automaticamente  accione o novo comportamento. De por isso ensaiar essa nova alternativa na sua mente com grande intensidade emocional, pelo menos, 20 vezes, ou até que consiga perceber claramente que será assim que irá responder em situações futuras. Se você estiver num estado emocional intenso facilitará a implementação do novo hábito, reduzindo drasticamente o número de repetições. O ideal será que consiga estabelecer um novo hábito padrão em alguns minutos ao invés de meses.
  • Quando você tiver definitivamente implementado o novo padrão condicionado, certifique-se de testá-lo numa situação que anteriormente fez disparar o seu antigo padrão. Para manter o padrão condicionado pode ser necessário continuar a ligar o prazer ao novo comportamento ao longo do tempo. Você pode por exemplo configurar uma série de objetivos a curto prazo, recompensando-se à medida que for atingindo cada um. Também é importante eventualmente ponderar mudar o seu ambiente, no sentido de suportar o seu novo padrão e impedir a tentação de cair no antigo padrão, especialmente se esse ambiente contém pessoas ou coisas que continuamente reforçam o seu hábito negativo. Se por algum motivo você voltar ao padrão antigo, pode sempre inibi-lo e mudá-lo aplicando uma interrupção padrão. Para mais facilmente reforçar o seu compromisso de mudança, você pode colocar a sua folha de papel (que contém o padrão antigo, o padrão novo e as razões pelas quais quer mudar) num local que possa ver todos os dias até que complete a mudança desejada de forma eficaz.

VISUALIZAÇÃO

A capacidade para formar  imagens mentais precisas e claras acerca das coisas que queremos ser, ter ou fazer, e manter essas imagens claramente na nossa mente, é uma ferramenta muito poderosa para melhorar as nossas vidas. Usando a visualização podemos motivar-nos para as nossas metas, mudar o nosso estado, restaurar a nossa energia, melhorar a nossa performance, desenvolver novas habilidades e formar novos hábitos. Relembro-o que esta habilidade foi utilizada anteriormente na aplicação da técnica de redireccionamento da atenção.

As quatro chaves para a visualização são: frequência, intensidade vivacidade e duração. Quanto mais vezes você visualizar, mais emoções conseguirá associar, quanto mais claro você conseguir ver a imagem e quanto mais tempo você conseguir manter isso em mente, mais rápido e mais profundo irá ser incorporado na sua estrutura mental. É importante relembrá-lo que a nossa mente subconsciente não sabe a diferença entre um acontecimento verdadeiro e um evento vividamente imaginado, e se você imaginar algo bastantes vezes, a sua mente subconsciente vai aceitá-la como sendo verdadeira.

A visualização pode ajudar-nos em muitas áreas das nossas vidas e nós já verificámos e aplicámos alguns dos seus usos ao longo do artigo, mas para esclarecer, deixo uma lista das suas áreas mais importantes:

  • Auto-imagem – Para melhorar a sua auto-imagem, imagine-se sendo a pessoa que você gostaria de ser com as qualidades e características que você deseja.
  • Motivação – Para motivar-se em ação, imagine-se a desfrutar as recompensas por ter alcançado a tarefa e como a sua vida melhorou em resultado disso. Tão importante quanto isso, é imaginar o quão a sua vida seria pior se não inicia-se nenhuma ação.
  • Objetivos – Se você visualizar um objetivo que deseja e com o sentimento correspondente, a sua mente subconsciente começará a trabalhar para torná-lo realidade. A sua estrutura mental positiva irá irá filtrar a sua percepção na busca de oportunidades, dar-lhe ideias para alcançar o objetivo mais rápido e guiar as suas ações para se mover em direção aquilo que deseja.
  • Ensaio mental – Antes de cada evento importante, ensaie mentalmente e veja-se a realizar no seu melhor e a alcançar os resultados ideais. Ou lembrar de uma experiência semelhante de excelência ou imaginar como seria executar um excelente desempenho. Você pode usar isso para ensaiar um desempenho bem sucedido em qualquer área importante da sua vida, até que se torne tão real que a sua mente começa a acreditar e irá executar em conformidade.
  • Habilidades – Para aprender ou melhorar uma habilidade  primeiro você deve ver uma demonstração de como seria o desempenho perfeito. Em seguida você pode praticá-la na sua mente, executando na totalidade a habilidade exatamente da forma como gostaria de fazê-la na realidade. Ao treinar uma habilidade na sua mente, você está criando caminhos no seu cérebro como se estivesse realmente fazendo a ação, e cada vez que você faz, ela  torna-se mais fácil de desempenhar com perícia na realidade.
  • Dormir – Antes de adormecer, reveja os seus objetivos principais e a lista diária de atividades do dia seguinte, porque a sua mente é uma 2máquina de resolução de problemas” e irá preparar-se para isso durante a noite, dependendo da especificidade das suas indicações. Você vai acordar com uma maior motivação e novas ideias de como alcançar os seus objetivos e completar as suas tarefas mais rapidamente e melhor. Outra boa ideia é fazer uma breve revisão do seu dia antes de ir dormir, porque o que você absorver, durante os últimos 45 minutos antes de dormir vai ser repetido na sua mente subconsciente mais vezes do que outras informações, e portanto, ser melhor aprendido .
  • Estado – Para criar um estado positivo, pense num momento em que você tinha a sensação desejada com detalhes claros, ou imagine o que seria a sensação. Torne-o maior, mais brilhante, mais colorido e coloque a imagem mais próxima. Represente-a ainda melhor do que era antes e depois visualize-se nesse cenário, para que você possa sentir a emoção mais forte.
  • Aprendizagem – Sempre que você aprender algo útil que não pode imediatamente experimentar, deve visualizar-se a aplicá-lo em situações da vida real. Desta forma, você tem uma maior probabilidade de realmente usar as informações e também irá aprender mais rápido.

AFIRMAÇÕES

As palavras mais poderosas do mundo são as palavras que você diz para si mesmo. As afirmações são verbalizações de comando que você diz em voz alta para si mesmo com emoção, e são accionadas na sua mente subconsciente como novas instruções de operação. Estes comandos acabam por ser aceites na sua estrutura mental e fará com que os seus pensamentos e comportamentos sejam consistentes com eles. Você pode criar afirmações para qualquer objetivo ou crença que você pretenda, e as únicas regras a levar em consideração é que  têm de ser positivas, pessoais e no tempo presente. Por exemplo: Eu sou disciplinado, eu gosto de mim, eu amo a minha vida, eu sou responsável, eu sou saudável, eu sinto-me ótimo, eu sou um génio, eu sinto-me feliz, eu sou o melhor, estou confiante, eu posso lidar com qualquer coisa, eu estou interessado em muitas coisas, estou feliz por estar vivo, eu uso bem o meu tempo, eu faço o exercício diário.

Você pode criar as suas próprias afirmações, ou seleccionar algumas das anteriores que gostaria que se tornassem realidade, e depois escrevê-las para si. Em situações de difíceis, de desafio de superação ou de obstáculo, repita-as algumas vezes, até que se torne absolutamente convencido de que elas são verdadeiros e você comece a agir em conformidade. Quando accionar essas afirmações (verbalizações) para si mesmo, preste especial atenção às imagens que surgem na sua mente. Especialmente, visualize-se na sua mente sendo a pessoa que você está descrevendo, como se a afirmação já se tivesse tornado realidade.

Atenção, isto pode não funcionar. Não basta afirmar essas verbalizações. Isso pode sair-lhe pela culatra. O seu subconsciente pode rejeitar as suas declarações, porque entram em conflito com a sua atual auto-imagem, mas com consistência suficiente e dedicação as suas crenças acabarão por mudar e o seu comportamento passar a ser conforme. Você pode fazer as afirmações habituais, visualizando-se a tê-las em ocorrências diárias, por exemplo, depois de acordar, antes do almoço e antes de ir dormir. Para potenciar o seu impacto pode afirmar em voz alta.

Para aprofundar este assunto, pondere ler os artigos: Mude as suas crenças, evolua a sua mente – Parte I e Parte II

AGIR COM SE FOSSE

Esta técnica pode ser usada para implementar e capacitar qualquer traço de personalidade, mudança ou habilidade. Simplesmente só tem de agir como se tivesse a característica que você gostaria de ter, e então projetar e criar os sentimentos e pensamentos que sejam consistentes com aquilo que deseja. Agindo da mesma forma que pessoas felizes, auto-confiantes e bem sucedidas, muito provavelmente irá começar a sentir os mesmos estados. Eventualmente, a sua auto-imagem e auto-estima irão melhorar e os comportamentos positivos tornar-se-ão espontâneos e naturais. Em termos simples, você simula e representa algo até que lhe surja de forma natural. Você pode superar medos, agindo corajosamente. Você pode ganhar habilidades de liderança, agindo como um líder. Com o tempo essas ações deixaram de ser encenadas e passam a pertencer-lhe.

CONCLUINDO

A mudança é uma constante na nossa vida. No entanto, o processo de aprendizagem é paradoxal, se por um lado para aprendermos algo temos de torná-lo num hábito, por outro, para mudar-mos esse  mesmo hábito temos de lutar contra o processo inicial de reforço instituído. Por tudo isto o processo de mudança é algo inerente a nós mesmos, mas ao mesmo tempo somos tremendamente resistentes a esse mesmo processo de mudança. Com isto em mente, o esforço para mudar ou para suprimir um velho hábito, implementar um novo ou reforçar uma nova aprendizagem tem de ser um processo consciente, deliberado, motivado e dotado de conhecimento prático.

Fico esperançado que com as estratégias, esclarecimento, dicas e técnicas apresentadas que o processo de reverter um padrão negativo de pensamento seja mais facilitado e eficaz. A bola está do seu lado. Boa mudança se for o seu caso.

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Abraço,

Miguel Lucas