As suas emoções ajudam-no ou prejudicam-no no calor da competição? As emoções durante uma competição podem contribuir para a excitação, mobilização e euforia ou para a frustração, raiva e decepção. As emoções são tremendamente poderosas, para o bom e para o mau, podem prejudicar a performance depois do atleta as ter sentido, ou pelo contrário, potenciar o seu desempenho.  As emoções têm o poder de ditar a qualidade de execução do atleta durante a competição.

As emoções negativas podem ser críticas durante a competição e prejudicarem o desempenho físico e mental. Numa fase inicial elas fazem com que o atleta perca o seu foco principal interferindo no grau de mobilização energética, aumentando a excitação emocional. Com o atleta num sentimento de frustração e irritação, a intensidade sobe e conduz a uma elevada tensão muscular, dificuldade na respiração e uma possível perda de coordenação. Há um pico energético seguindo-se uma perda descendente de energia. As emoções fazem com que o atleta gaste a sua energia mais rapidamente provocando o cansaço prematuro. Com a continuação do ciclo catastrófico, o desespero e o desamparo instala-se, a intensidade cai drasticamente e o atleta fica sem as capacidades físicas para uma boa execução.

Quando o atleta se encontra num estado de instabilidade emocional, as emoções disparam um conjunto de pensamentos depreciativos e incapacitantes. O atleta é afetado na confiança das suas habilidades para um bom desempenho, interferindo na obtenção dos resultados desejados. A confiança vai caindo e o atleta entra num ciclo de pensamentos negativos que comprovam as emoções negativas que sente. Dado que as emoções atingiram um estado de incapacidade elevado, o atleta irá sentir dificuldades de concentração naquilo que o pode ajudar a executar corretamente. As emoções negativas funcionam como um íman, agregando a atenção do atleta aos aspetos negativos do seu desempenho. Por último, as emoções negativas interferem ainda com os níveis de motivação para o desempenho, porque o atleta já não se sente bem e a competição tornou-se num calvário. Para aprofundar o assunto, pondere ler o nosso artigo: Como combater os momentos críticos em competição.

AS EMOÇÕES NEGATIVAS DO PASSADO FUNCIONAM COMO UM ADVERSÁRIO TENAZ

As emoções vêm de experiências passadas em situações atlética similares, expressam-se  na forma de crenças e atitudes que o atleta tem sobre a sua performance e competição. As emoções associadas às crenças e atitudes, são comummente conhecidas com o “saco” que o atleta carrega do passado. As percepções que o atleta tem acerca daquilo que lhe aconteceu no passado têm um impacto no presente, mesmo que as emoções não sejam apreciadas e o atleta tenha consciência que o estão a prejudicar. Um dos maiores problemas relacionados com as emoções que prejudicaram o atleta no passado, é que elas tornam-se um hábito que fazem com que o atleta  tenha uma resposta emocional automática em reacção a uma circunstância particular, mesmo que essa emoção faça mais estragos do que benefícios.

Exemplo: Quando você vê os atletas profissionais na TV, a perderem totalmente a cabeça e a serem  expulsos num jogo, facilmente podemos verificar que as emoções são auto-destrutivas para o atleta e para a sua equipa.

As emoções podem ser ativadas por inúmeras ocorrências durante a competição, erros insensatos, perdas infantis, erros de decisão, ou simplesmente um mau desempenho. Todos estes acontecimentos partilham dois pontos em comum, que têm a sua origem naquilo que causa as emoções negativas:

  • O atleta sente que o caminho para o seu objetivo está sendo dificultado.
  • O atleta não consegue ter controlo sobre a remoção do obstáculo.

Por exemplo, um jogador de ténis começa a perder para um adversário que julgava conseguir ganhar, no entanto, e apesar de todos os seus esforços não consegue reverter os pontos a seu favor. Nesta situação é provável que o tenista se sinta frustrado e irritado. Estas emoções no inicio podem ser vantajosas porque incrementam alguma energia e motivação para dar a volta ao resultado e voltar a estar numa situação confortável no jogo. Mas se ele não é capaz de mudar o rumo do jogo, então instala-se um sentimento de desespero e angustia, na qual o atleta admite para ele mesmo que  não pode vencer, o que pode levar à desistência.

Constatação: Por vezes o atleta não desiste da competição, mas desiste de tentar reverter a situação.

A AUTO-PUNIÇÃO NÃO COMPENSA

No meu trabalho com atletas de alto nível, quer como treinador, quer como psicólogo, tenho visto muito reações emocionais negativas, mesmo em pequenas falhas. Um passo perdido, alguns erros técnicos e táticos, ou ficar em desvantagens no início da competição, produzindo frustração e raiva, sentimentos que estão desproporcionais com a magnitude da falha. Por exemplo, um atleta do ténis com quem trabalhei, entrava numa luta emocional com ele próprio sempre que cometia um erro. O seu nível de desempenho entrava em declínio e começava a sentir-se terrivelmente angustiado sobre o seu tipo de jogo e sobre si mesmo. Até ao final do encontro, ele era depreciado e derrotado pelas suas próprias emoções. Claramente a auto-punição não compensava.

O atleta deverá fazer um esforço para se certificar se as emoções que está a sentir são proporcionais aquilo que as está a causar. O atleta deverá perguntar a si mesmo até que ponto alguns dos erros que cometeu estão a magoar os seus sentimentos. Neste momento o atleta deverá tentar entender se está a ser honesto com ele próprio. Quando a severidade do castigo excede a gravidade da “sujeira” que fez, o atleta pode ter perdido a perspetiva do quão importante o desporto que pratica ou a competição que realiza é para a sua vida. Ainda que o atleta possa ficar aborrecido com os erros que cometeu, ou com o curso que a competição está a levar, valerá mesmo a pena deixar-se incapacitar pelas emoções negativas e entrar numa espiral de negatividade e descontrolo, prejudicando-se ainda mais? Certamente que não.

O atleta deverá tentar perceber até que ponto as emoções sentidas vão ajudar ou prejudicar a sua performance esportiva. As emoções negativas podem contribuir para a melhoria da performance no início em que são sentidas, porque aumentam a intensidade do investimento na tarefa e podem contribuir para que o atleta lute com mais garra. Mas, depois vem o reverso da medalha, passado um curto tempo o atleta pode perder o foco naquilo que deve (técnica, tática, observação do adversário, relaxamento, tranquilidade) e o desempenho diminui, entrando numa espiral negativa. As reacções exageradas às emoções negativas normalmente prejudicam a performance, impedido o atleta de atingir os resultados desejados. É comum os atletas perante estas reacções desajustadas sentirem-se frustrados, zangados e deprimidos, agindo de forma imprudente (agressividade, amuo, desistindo) assegurando desta forma o fracasso ao invés de tentar ajudar-se no restabelecimento do seu equilíbrio emocional.

AS EMOÇÕES NEGATIVAS SÃO UMA REACÇÃO POSITIVA, PORQUÊ?

As emoções negativas podem fazer o atleta sentir-se desapontado quando comete erros ou tem um mau desempenho.De fato, o atleta deve sentir-se dessa forma. Isto quer dizer que o atleta leva em consideração o seu esporte e que  propõe-se sempre a fazer melhor. O atleta sente-se mal, porque gostaria de ter um bom desempenho, assim sendo, as emoções negativas têm a sua causa em algo positivo. Quanto mais significativa for a competição, mais intensas serão as emoções. Mas, quando as emoções negativas se fazem sentir com grande magnitude e accionam a sua função auto-sabotadora, o atleta fica numa situação de desvantagem competitiva. No entanto, existem muitos atletas que apesar de sentirem emoções negativas muito fortes, conseguem, regulá-las, impedindo desta forma que possam afetar as suas habilidades motoras.

Considere um dos melhores atletas do mundo. Certamente, o esporte é bastante importante para ele porque é a sua paixão e igualmente a sua forma de vida. Quão aborrecido ficará quando tem um mau desempenho ou perde? Alguns também ficam chateados. Mas, geralmente considerando-se o esporte como sendo de grande  importância para eles, a maioria dos grandes atletas lida com os erros e perdas muito bem. Na verdade, uma razão pela qual os melhores atletas do mundo são executantes de topo, é porque eles têm a habilidade de gerir as suas emoções em vez de serem controlados pelas suas emoções.

AMEAÇA EMOCIONAL  OU DESAFIO EMOCIONAL

No cerne da ameaça emocional está a percepção de que vencer é extremamente importante e o fracasso é inaceitável. A ameaça emocional está na grande maioria das vezes relacionada com a grande ênfase em vencer, nos resultados e nas classificações. A pressão para ganhar, dos pais, treinadores e dos próprios atletas é bastante comum. Com este conjunto de crenças inadequadas, é fácil perceber porque a competição nos esportes pode ser algo emocionalmente ameaçador.

A ameaça emocional manifesta-se numa “cadeia de emoções negativas”, em que cada elo psicológico separadamente e cumulativamente, faz com que o atleta se sinta mal e  prejudique a sua performance. A reacção mais comum a uma ameaça é o desejo de evitar essa ameaça. Isto faz despoletar no atleta uma perda de motivação para competir, especialmente quando a ameaça de vir a perder seja imediata. Por exemplo, quando o atleta está mal qualificado (pensando em desistir devido à perda de motivação). A ameaça emocional também pode levar o atleta a pensar que é incapaz de ultrapassar a situação de desvantagem, perdendo a confiança e ficando angustiado com os pensamentos negativos e derrotistas. A sensação de ameaça produz no atleta  emoções negativas muito fortes, como o medo, fúria, frustração, desespero e desesperança.

A ameaça emocional também causa ansiedade e todo o tipo de sintomas físicos negativos. Com o atleta neste estado de incapacidade emocional, faz com que lhe seja praticamente impossível focar-se de forma efetiva, devido à presença de um inúmero conjunto de coisas negativas que inibem a capacidade de dirigir a atenção para o que é favorável  à obtenção de um bom desempenho.

Em contraste, o desafio emocional está associado à apreciação da atividade esportiva, independentemente do atleta alcançar os seus objetivos. A ênfase está no divertimento, vendo a competição como estimulante e enriquecedora. O esporte, quando visto como um desafio emocional, é uma experiência deslumbrante, pois o atleta procura superar-se e retirar gozo e alegria em todas as oportunidades. Assim, o desafio emocional é altamente motivador, ao ponto em que o atleta tira proveito e satisfação de estar numa situações de pressão. Alguns atletas, precisam de sentir este tipo de pressão para conseguirem colocar-se no seu melhor estado competitivo, para conseguirem ativar-se ao ponto de colocarem todo o seu potencial em acção, sem entraves nem limitações.

O desafio emocional comunica ao atleta que ele possui a capacidade para cumprir com as exigências do seu esporte, de tal forma que se sente confiante e preenchido de pensamentos positivos. O desafio emocional gera tantos pensamentos positivos como excitação, alegria e satisfação. Estimula também o corpo do atleta para atingir uma intensidade ótima, ficando com o corpo relaxado, energizado, e fisicamente capaz de ter um desempenho a um nível elevado. O atleta fica ainda num estado que facilita o foco atencional, permitindo que fique totalmente concentrado naquilo que potencia o máximo rendimento esportivo. Todos estes estados que completam o desafio emocional conduzem o atleta à vantagem competitiva.

Abraço