Nesta terceira parte sobre o esclarecimento dos equívocos acerca da depressão, irei ilucidá-lo acerca de alguns mitos que prejudicam o entendimento da depressão, tal como ela é. Por ser um problema comum, a depressão é frequentemente abordada nos meios de comunicação social e igualmente em alguns blogs, sites, revistas e livros de auto-ajuda. A tendência dos meios de comunicação social é retirar o melhor partido dos slogans mais sonantes sobre os assuntos, e no caso da depressão, foi criado um conjunto de equívocos sobre o que é a depressão e o que não é. Criaram-se alguns mitos que estão rodeados de informação incorreta e prejudicial, criando uma ideia inadequada acerca da depressão, conduzindo as pessoas a seguirem estratégias que não funcionam.

Este é o terceiro artigo de uma série de artigos relacionados com a depressão. Se não desejar perder pitada do que temos para lhe ensinar sobre esta temática, considere subscrever a nossa Newsletter. É gratuita!

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MITO 1: A DEPRESSÃO É ANORMAL

O significado literal da palavra “anormal” pode ser interpretado como ”fora do que é habitual”. Desta forma, para aplicar-se a palavra anormal é preciso que algo ocorra raramente. No entanto, sabe-se através da investigação clínica que aproximadamente 10% da população dos EUA (Estados Unidos da América) sofrem de algum tipo de depressão todos os anos (não será muito diferente em Portugal e Brasil). O mais surpreendente é que a taxa anual de transtornos mentais ou uma dependência de drogas e álcool é de 27% e a probabilidade de ocorrência na vida é de 50%. Isto quer dizer que durante o decorrer da vida, quase metade da população dos EUA irá desenvolver um problema de saúde emocional muito significativo. De facto, a grande maioria das pessoas ditas normais reportam curtos períodos de depressão.

É difícil argumentar que algo como a depressão é anormal, quando tantas pessoas experienciam este problema de humor alguma vez na vida. É o mesmo que chamar à constipação comum uma ocorrência anormal. Uma forma diferente de pensar acerca da depressão é que atualmente tem um papel central no desenvolvimento de uma vida saudável. É um sinal de que algo não está a funcionar bem na sua vida. Se você conseguir pensar desta forma sobre a depressão (tal como já expliquei a mesma ideia acerca da tristeza), será muito mais fácil parar de culpar-se e focar-se em mudar as coisas que necessitam de ser mudadas e que podem ser mudadas. Se você conseguir aceitar o seu estado deprimido, e não lutar contra ele, colocar-se-á numa posição de facilitar a canalização da pouca energia que lhe resta para a construção de estratégias eficazes que lhe ajudam a saber lidar com a depressão e superá-la.

MITO 2: A DEPRESSÃO É UMA RESPOSTA INEVITÁVEL AO STRESS DA VIDA

Sabemos através da investigação que o stress da vida é um gatilho para a depressão, pelo menos metade do tempo. O que isto sugere é que a depressão está por vezes relacionada com acontecimentos de vida negativos. No entanto, esses acontecimentos negativos fazem parte da condição de estar-se vivo, e infelizmente quando somos apanhados pelo infortúnio, é natural sentirmo-nos mal. E isto não é prejudicial. É uma tentativa de superar os acontecimentos ou escapar dos sentimentos negativos que causam os problemas. Por exemplo, quando alguém se isola ou ganha peso numa tentativa inconsciente de controlar o seu senso de vulnerabilidade na presença de outros. O padrão perigoso de escapar dos sentimentos negativos (através da ingestão excessiva de comida) e evitamento situacional (evitar contacto social) conduz a pessoa para a depressão por restrição sentimental e situacional.

O equívoco com este mito, que a depressão é uma resposta inevitável ao stress da vida, é comprovado com o facto de existirem muitas pessoas que experimentam stressores na sua vida, alguns devastadores, mas não virem a sofrer necessariamente de depressão. Sofrer ou não de depressão após um acontecimento de vida stressante, tem muito mais a ver com a forma como aprendemos a responder a esse tipo de problemas do que propriamente a algo que é inevitável perante um infortúnio.


MITO 3: A DEPRESSÃO TEM A VER COM A EXPERIÊNCIA EMOCIONAL

A depressão é muitas vezes interpretada como um estado ativo de sentimento de mal-estar. A depressão tem muito mais a ver com não sentir do que propriamente sobre sentir. Enquanto alguns dos sintomas chave da depressão são sentimentos de profunda tristeza, irritabilidade e vergonha, a depressão é igualmente uma experiência de desconexão e entorpecimento. As pessoas deprimidas queixam-se de sentimento de solidão na presença de muitas pessoas. Elas experienciam um estado de apatia e desinteresse nas atividades sociais, geralmente até ao ponto de evitarem tais situações. Estes aspetos da experiência da depressão sugerem que evitar os sentimentos talvez possa ajudar a pessoa. Puro engano, o evitamento das experiências internas exacerba os sintomas da depressão

A tristeza é parte da condição humana, tal qual outras emoções básicas, e muito bem tolerada, fluindo de forma natural, manifestando-se e desaparecendo na nossa consciência ao longo do dia. Saiba mais lendo o artigo: Tristeza, qual o seu propósito?

Existem muitas coisas na vida que fazem disparar a tristeza, tais como ser mal-tratado injustamente pelo patrão, ou receber uma noticia de um acidente de um ente querido. Mas, quando você está deprimido, a tristeza, irritabilidade e o choro parecem surgir do nada. Esses sentimentos parecem estar desligados da vida real e na grande maioria das vezes não são os sentimentos que você esperava ter em resposta à situação. Desta forma, estes acontecimentos de livre-fluxo emocional  são a consequência de evitar experienciar as suas emoções de uma forma direta.

A depressão é muito mais o resultado emocional originado pela recusa de experienciar directamente os sentimentos, pensamentos, imagens e memórias não desejadas do que propriamente com a experiência emocional de um qualquer evento doloroso.

MITO 4: A DEPRESSÃO É UMA DOENÇA BIOLÓGICA

Considerarmos a depressão como uma doença meramente biológica é talvez o maior equivoco acerca da depressão, que tem sido espalhado e difundido pela industria farmacêutica e  modelo biomédico. Cada um destes grupos têm algo a ganhar com a promoção da noção de que a depressão é uma doença. Tal como expliquei no artigo: Será a depressão uma doença? talvez não, saiba porquê! A depressão é uma síndrome biopsicossocial que exige muito mais do que a intervenção farmacológica.

Para a industria farmacêutica, esta ideia de que a depressão é uma doença e que as suas causas estão num desequilibro bioquímico no cérebro, converte-se em biliões de dólares em venda de medicação. Para os profissionais médicos, esta ideia simplifica a abordagem ao tratamento da depressão, permitindo-lhes a prescrição de medicamentos e evitando toda a complexidade envolta na necessidade de ensinar às pessoas mudanças comportamentais e reestruturação cognitiva.

Posso afirmar com toda a confiança que as evidências cientificas não suportam a ideia de que a depressão é uma doença com causas meramente biológicas. Esta é uma das razões pela qual a Organização Mundial de Saúde, responsável por definir e descrever os estados de doença, na atualidade não reconhece a depressão como uma doença. Claro, que em última instância todo o comportamento humano tem uma base biológica, mas não está provado que alterações químicas no cérebro sejam a causa da depressão, nem está clarificado que essas supostas alterações produzam problemas no humor, pensamentos e comportamentos associados à depressão.

Então qual é a melhor forma para pensar acerca da condição da depressão? Existe um suporte empírico baseado em estudos clínicos em que concorda-se com o facto de que a depressão envolve uma interação de pensamentos, sentimentos e comportamentos que afetam ou que são afetados por processos biológicos básicos. Esta perspetiva é na grande maioria das vezes referida como um modelo biopsicossocial da depressão (Schotte et al. 2006). Nesta abordagem, a biologia é apenas um dos fatores a considerar. E igualmente importantes são os impactos stressantes da vida, estilos de lidar com as situações, aprendizagens prévias, estilo de pensamento, comportamento e os fatores sociais e culturais. Por outras palavras, a depressão é muito mais complexa na forma como se desenvolve e como se resolve do que somos levados a acreditar.

MITO 5: A MEDICAÇÃO É O MELHOR TRATAMENTO PARA A DEPRESSÃO

Pelo menos desde à duas décadas, que existem evidências conclusivas que a Terapia Cognitivo-Comportamental é tão efetiva como a medicação no tratamento da depressão. Interessantemente, muitos estudos sugerem que a Terapia Cognitivo-Comportamental é atualmente mais efetiva em termos de prevenção de futuros episódios depressivos (Paykel 2006). Este é um fator de grande importância porque a depressão  tende a ser um problema recorrente. Muitas das pessoas que sofrem de depressão têm um padrão cíclico de recuperação e de recaída. Muitas vezes, este padrão ocorre continuamente ao longo da vida da pessoa.

Para refletir: Uma abordagem que reduz as hipóteses de recaída da depressão vale a pena ser explorada.

Apesar da clara evidência das vantagens a longo prazo da aprendizagem de estratégias para superar a depressão e evitar a recorrência, os órgãos de comunicação social continuam a bombardear-nos com mensagens (ilusórias) sugerindo que a chave para tratar a depressão é a toma de medicamentos.

Para aprofundar este assunto, pondere ler os artigos:

As industrias farmacêuticas têm sido profícuas na transmissão da ideia (ilusória): “Basta tomar a medicação, tal como prescrita e a droga fará o resto por si”. Estas atividades de marketing têm tido um profundo impacto no diagnóstico e tratamento dos transtornos mentais um pouco por todo o mundo. Mais pessoas que nunca estão sendo diagnosticadas com depressão, e mais pessoas que nunca estão a ser alvo de prescrição de medicamentos para a depressão. Poucas pessoas estão recebendo terapia porque as drogas antidepressivas são prontamente disponibilizadas. Acresce o facto de a terapia psicológica não ser uma opção de tratamento no Sistema Nacional de Saúde (isto em Portugal).

MITO 6: A DEPRESSÃO É ALGO QUE VOCÊ “APANHA”

É tentador falar da depressão como algo que você “apanha”, tal como se tratasse de uma constipação. Dizer que você tem uma constipação, sugere que a constipação lhe infligiu uns quantos sintomas sem que necessariamente fosse culpa sua. Na verdade é quase impossível proteger-nos totalmente de apanhar uma constipação, devido às inúmeras possibilidade de sermos expostos aos organismos infecciosos. Muitas são as vezes que algumas pessoas falam acerca da depressão de uma forma muito similar, como se fosse algo que se apanha de forma misteriosa, como se algo vindo do céu descesse na pessoa e  a afectasse.  Isto implicava que não existisse qualquer relação entre a situação de vida da pessoa, as suas estratégias de resposta  (lidar com as situações), e o desenvolvimento da depressão.

Se isto fosse verdadeiro, a pessoa deprimida nunca teria qualquer responsabilidade sobre o seu estado, adotaria uma posição passiva e de vítima, tal como uma pessoa que apanha uma constipação na grande maioria das vezes não é responsável. Esta é uma forte razão para que a explicação biológica e genética da depressão seja tão popular. Foi criada a ideia que você é vítima da depressão e consequentemente não é da sua responsabilidade, sendo que à luz desta concepção a única possibilidade de tratamento é através da medicação.  Mais uma vez puro engano.

Na grande maioria das vezes em reação a uma determinada situação de vida, a pessoa começa a alterar alguns dos seus comportamentos do dia-a-dia, e sem tomar plena consciência começa pouco a pouco a manifestar alguns dos sintomas da depressão. Pode ser difícil para a pessoa perceber o efeito a longo prazo desta sua mudança comportamental, pois a atitude adotada parece-lhe ser a melhor. Por isso, não é uma escolha consciente que as pessoas fazem, elas não sabem que estão a comportar-se de uma forma que pode contribuir para o desenvolvimento da depressão. No desenrolar da vida diária, estas escolhas simplesmente acontecem, elas parecem ser inocentes e bem intencionadas para o momento que a pessoa está a viver.

No entanto, o que importa perceber, é que, quer seja de forma consciente ou menos consciente, o aparecimento dos sintomas da depressão estabelecem sempre uma relação com as coisas que a pessoa passou a fazer ou deixou de fazer.

Uma forma mais clara de explicar o desenvolvimento da depressão é que tem a ver com dois tipos de evitamento:

  • Evitam-se sentimentos potencialmente desagradáveis
  • Evita-se a situação que faz disparar esses sentimentos desagradáveis

Quando estes dois tipos de evitamento acontecem a maior parte dos dias, na maior parte das vezes durante a maior parte do tempo, você fica com depressão.

ESCLARECIMENTO

A ideia que gira em torno de que os comportamentos que temos podem produzir a depressão, é uma ideia nova para a grande maioria das pessoas, mas existe uma profunda razão para que eu queira transmitir-lhe esta informação. Eu quero encorajá-lo a olhar esta ideia por aquilo que ela é: Uma tentativa de transmitir-lhe uma nova forma de olhar a depressão como ela é. Não pretendo passar-lhe a ideia de culpa-se a si mesmo por ter depressão. Quero sim, passar-lhe a informação e a esperança de que existe uma forma eficaz de superar a depressão, e que essa forma de superar a depressão está ao seu alcance e depende de si, está sobre o seu controlo.

Assim que você perceba a depressão por aquilo que ela é, sem equívocos, ao invés de uma forma deturpada e manipulada por uma máquina colossal que tem por objetivo gerar fortunas, você ficará numa posição mais capacitada para começar a fazer alguma coisa para ultrapassa-la. Aquilo que a depressão parece ser é um conjunto de sintomas físicos, emocionais e mentais  que podem ser esmagadores se não forem levados em consideração como um todo. Na verdade, a depressão tem a ver com um conjunto de experiências que o informam que algo está fora de equilíbrio relativamente à forma como você se relaciona com a sua vida. A depressão não pode considerar-se um acidente da natureza, foi “desenhada” ao longo da evolução da humanidade para dizer-nos algo importante acerca de como a nossa vida se desenrola.

Ao invés de olhar para a sua depressão como uma assombração, você pode aprender a aceitar o seu momento de vida e perceber a depressão como uma consequência natural da sua situação de vida, dos momentos difíceis que atravessa e da forma como lhes está a responder.

Neste preciso momento, aqui mesmo, você pode deixar de massacrar-se por estar deprimido e olhar para si com compaixão. Direccione a energia que ainda lhe resta para resolver o dilema que o mantém agarrado e preso à desmobilização de vida.

Você pode fazer algo por si, você tem a possibilidade de superar a depressão olhando para ela como ela realmente é: Uma forma de você relacionar-se consigo, com os outros e com o mundo.

Este é o terceiro artigo de uma série de artigos relacionados com a depressão. Se não desejar perder pitada do que temos para lhe ensinar sobre esta temática, considere subscrever a nossa Newsletter. É gratuita!

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Abraço

Consultas Psicologia Online

Autor: Miguel Lucas

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Licenciado em Psicologia, exerce em clínica privada. É também preparador mental de atletas e equipas desportivas, treinador de atletismo e formador na área do rendimento desportivo. É autor da Escola Psicologia.

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Comentários dos Alunos


  1. Rúben M.
    1 de junho de 2011

    Actualmente ando a curar uma depressão, tenho consultas mensais com um psiquiatra e ando a tomar cypralex, atarax e adt ou adp não me recordo bem :P , passados 5 dias notava algumas diferenças, actualmente odeio estar sozinho, adoro ir sair com amigos, fazer noitadas até as 9 da manha, ando bem comigo mesmo, durmo melhor, e acordo até normal de manha :) sem aquela sensação de vazio, eu sentia como diz no texto apatia, indiferença pro estar com amigos. arranjava mil e uma desculpas para nao ir sair com eles, agoro nao minto, e se tiver alguma restea de apetite para ir sair, evito as desculpas e vou! :D nao em arrependo, procurem ajuda vao ver a vossa vida a mudar

    ps: até engordei :P sim sou magro :D

    Responder


  2. Paula M
    3 de junho de 2011

    De todos os artigos que li (em 2 meses) neste blog, este foi o mais interessante e esclarecedor. Agora sim percebi que já não funciona fugir das circunstâncias…
    Obrigada!

    Responder


  3. maria erotildes
    3 de junho de 2011

    “…superar a depressão está ao seu alcance e depende de si, está sobre o seu controle…”
    Querido Miguel!
    Não é bem assim! Que bom que fosse! Falo por experiência própria!
    Se encarar assim,já me encontrando em posição vulnerável,e, me fazendo acreditr que a minha depressão está sob meu controle, que sair dela só depende de mim!… nossa, é cruel. É não conhecer, não ter passado por isto, com todo o respeito que me mereces! Sabe Miguel, te acompanho há muito tempo, mas estás te comportando como aquela pessoa certinha que pergunta se voce realmente DESEJA melhorar? Sugerindo, claro, que você está gostando e quer continuar doente, talvez porque ganha atenção e “pensar sobre a morte é muito DIVERTIDO”….Só está faltando me dar a paulada final, reduzindo ainda mais minha autoestima, dizendo que meu sofrimento está todo na minha imaginação…” Quem sabe o fazes na quarta parte? Desculpa a ironia Miguel, mas desta vez bateste fundo! Cuidado! Pode haver outras Maria erotildes, prontas para “desistir”, depois de intensa e árdua luta, e, teu comentário, venha a ser o empurrãozinho que falta. Um abraço.
    Escreva aqui o seu comentário

    Responder


  4. Miguel Lucas
    4 de junho de 2011

    Olá Maria, obrigado pelo comentário.

    O seu comentário merece a minha melhor atenção e respeito, e digo isto porque para além de perceber os caminhos sinuosos da depressão tenho ajudado muitas pessoas e ultrapassar esse terrível problema que aparentemente (e para quem está desesperado) parece de impossível resolução.

    Acredito que o seu sofrimento seja enorme, e como deve imaginar, sou solidário, compreensivo, mas igualmente assertivo com a possibilidade de superação da depressão.

    Remetendo-me para o artigo, na parte final escrevo: “Não pretendo passar-lhe a ideia de culpa-se a si mesmo por ter depressão. Quero sim, passar-lhe a informação e a esperança de que existe uma forma eficaz de superar a depressão, e que essa forma de superar a depressão está ao seu alcance e depende de si, está sobre o seu controlo”.

    Aquilo que quero transmitir é que a depressão tem uma forte relação com as coisas que fazemos ou que deixámos de fazer, e que existem estratégias que quando implementadas da forma correta podem fazer a diferença entre o sofrimento e o seu alívio. E isto sim, depende da pessoa, depende daquilo que ela se propões a fazer. Mas, alerto para o facto, de que se realmente for clinicamente diagnosticada com depressão por um profissional de saúde credenciado, deve procurar a ajuda do mesmo. Isto porque sem acompanhamento especializado, existem coisas que certamente não compreenderá e necessita de suporte técnico para o tratamento ser eficaz.

    Atenção: A terapia cognitivo-comportamental para ser eficaz deverá ser aplicada e monitorizada por um profissional qualificado.

    Por isso para quem é diagnosticado com depressão, sozinho, certamente será muito mais difícil a recuperação.

    Abraço

    Responder


    • maria erotildes
      4 de junho de 2011

      Caro Miguel!
      Em nenhum momento afirmei que atribuias culpa ao deprimido. Entendi perfeitamente o teu texto! Disse que deixavas o controle e a superação da depressão nas mãos deste. Do que discordo.
      Também “..as estratégias implementadas que podem fazer a diferença, estas sim, depende da pessoa, depende daquilo que ela se propões a fazer”.., te digo que não. Em determinadas situações a criatura até quer fazer, mas “não consegue”. Noutras faz todas e não tem resultado. Será que te permites entender isto? A depressão, tem momentos que apresenta sofrimento físico somado ao emocional. Impossível de descrever e de tentar evitar que a pessoa busque o “alivio”. Miguel, queria ser uma ignorante, desinformada…..não sei já tivestes oportunidade de ver um idiota com depressão, eu ainda não. Já tenho diagnóstico sim, tratamento todos os que podes imaginar. Me fez muito mal a psicoterapia, confesso. Já li tudo que consegui, para entender, me ajudar….Kay Jamyson (todos os já traduzidos);William Styron, contando da sua depressão; Moacyr Sclyar….e muitos outros que não consigo lembrar….Remédios? conheço todos. Agora resolvi e consegui, com muito sofrimento, sair de todos eles. Mas Miguel, a depressão que os livros e os profissionais não conhecem é esta que leva ao ato extremo. Já que demonstra tanto interesse e vontade de ajudar, procura conversar com quem chega ao estado que cheguei. Fosse a depressão, apenas como relatam os livros, como voces a situam, não haveriam 4 ( se não estou enganada) suicídios por minuto. Pensa. Por enquanto, estou ao teu dispor caso quiseres e eu tiver condição de te descrever o que acontece na verdadeira depressão. Me atrevo, no meu raciocínio leigo, afirmar que quando há cura, não existia depressão. Podia ser qualquer outra coisa, menos depressão. Enorme carinho.

      Escreva aqui o seu comentário

      Responder


      • Miguel Lucas
        4 de junho de 2011

        Olá Maria, obrigado pelo comentário.

        Entendo toda a sua indignação, mas com todo o respeito, aquilo que escrevo é com base em estudos empíricos e experiência prática, sendo que a partir daqui nada mais lhe posso transmitir a não ser a minha opinião.

        É exatamente isso que fez no comentário, deu a sua opinião baseada na sua experiência e (muito bem).

        Eu não tenho como discordar daquilo que sente e vive (é a sua experiência pessoal) e isso não pode ser contestado.

        Aquilo que transmito e continuarei a transmitir é que a depressão clínica tem uma taxa elevada de tratamento (cerca de 85%) com terapia cognitivo-comportamental. E que é possível ultrapassar este problema incapacitante, ainda que existam pessoas (de acordo com a estatística) que não conseguem ou sofrem imensas recaídas).

        Quando digo que é possível ou que existe possibilidade (não me refiro a todas as pessoas do mundo que têm depressão e ficaram com o seu problema resolvido), o que quero dizer é que existe esperança, dado que muitas pessoas conseguem recuperar da depressão.

        Também sabemos que as causas da depressão e as consequentes recaídas, estabelecem uma relação complexa com a forma de encarar a vida e consequente forma de raciocinar.

        O que apresento, são na maioria das vezes modelos interpretativos, sugestões e estratégias, sempre com a intenção de divulgar informação. Todas as pessoas (tal como a Maria) são livres de concordar ou discordar. Respeito as opiniões. Sendo que opinião não é a verdade absoluta.

        Nunca disse e não direi que a pessoa ao ler um artigo meu que resolve o seu problema. A ajuda é disponibilizada de muitas maneiras (mas é diferente de tratamento ou cura).

        ABraço

        Responder


        • maria erotildes
          4 de junho de 2011

          Eu também jamais poderia esperar de ti a afirmação de que ao ler um artigo teu a pessoa resolveria o seu problema…És inteligente e escreve para pessoas que também o são.
          Amigo Miguel, não estou aqui para polemizar, eu procuro ajuda.
          Que outra razão me levaria a estar cadastrada e receber em meu email todas tuas postagens, que leio, reflito, e procuro retirar o que entendo bom para mim?
          Tens razão, estou indignada, digo mais, revoltada, desesperada. Por óbvio que ao ler tua última postagem, com interpretações e sugestões tão simples, me senti tocada, ferida, aviltada até, nos meus sentimentos. Normal não? (se é que existe alguma coisa “normal”).
          Lógico que é a tua opinião, que respeito como respeitas a minha, que nunca teve a intenção de retratar a verdade absoluta. Quem sou eu.
          A única diferença predominante entre elas, não afirmo, mas entendo que seja a vivência aliada ao conhecimento formando minha opinião. A tua, formada por vasto conhecimento, profissionalização e prática até, mas vivência???
          Não é uma disputa entre quem tem razão, não é isso Miguel. Eu quero ajuda sim, ainda quero,já sem muita força,mas tá difícil. Falas em cognitivo comportamental com um profissional competente. Onde conseguir? Meu diagnóstico foi de grave depressão química, não necessitava terapia. Até chegar a conclusão que precisava, rolou muito sofrimento. E não foi esta terapia que mencionas. Pior de tudo Miguel, é que não encontro qualquer motivo para estar assim. De todo exposto, a intenção foi de tentar dar uma outra visão da depressão, a visão de quem está dentro dela. Em nenhum momento quis questionar, duvidar ou criticar. Como já disse, há muito tempo te acompanho, devem ter outras intervenções minhas, bem anteriores. Se puderes observe-as. Abraço cordial.

          Escreva aqui o seu comentário

          Responder


  5. Anderson
    11 de outubro de 2011

    Mais um ótimo artigo, parabéns Miguel Lucas.

    Me chamou atenção essa parte:

    “Uma forma mais clara de explicar o desenvolvimento da depressão é que tem a ver com dois tipos de evitamento:

    * Evitam-se sentimentos potencialmente desagradáveis
    * Evita-se a situação que faz disparar esses sentimentos desagradáveis”

    Interessante, isso me faz pensar q talvez eu tenha incoscientemente feito escolhas na vida que levaram ao atual estado depressivo que me encontro. Noto q evitei muitas situações sociais por algum motivo q não sei explicar… Mas como saber se eu evitei essas situações pq já estava afetado por uma possível depressão na época?

    Responder


    • Miguel Lucas
      23 de outubro de 2011

      Olá Anderson, obrigado pelo comentário.

      O aparecimento da depressão (sendo que existem vários tipos de depressão) estabelece uma relação com os acontecimentos de vida, e a forma como interpretamos para nós esses mesmos acontecimentos.POr vezes de forma inconsciente a pessoa é levada a concluir que a sua vida não faz sentido, que não consegue resolver os seus problemas, que por mais que tente tudo acaba mal, perde motivação para fazer as coisas que gostava. Perde energia e sente-se desesperançado. Este pode ser um ciclo negativista, em que não sabemos o que nasce primeiro (se o ovo ou a galinha)… mas sabemos sim que estabelecem uma forte relação. E é esta forte relação que importa levar em consideração para um possível tratamento.

      é importante perceber que por força de entrar num ciclo negativo,foi decidindo (pouco a pouco, e provavelmente se ter consciência disso) deixar de fazer coisas na sua vida, foi decidindo que já quer lutar mais, se não quer esforçar-se mais, decidiu que já não vale a pena tentar, decidiu tornar-se vitima de algo que julga não perceber porque lhe está a acontecer.

      O que importa é em consciência decidir como pode voltar a sentir-se e fazer coisas para ir ao encontro daquilo que pretende que lhe aconteça.

      Abraço

      Responder


  6. maria
    18 de outubro de 2011

    Ótima e muito oportuna a pergunta do Anderson!!!!
    Gostaria da tua resposta Miguel.
    Também tenho interesse nesse esclarecimento.
    Saudações
    Maria

    Responder


    • Miguel Lucas
      23 de outubro de 2011

      Olá Maria, obrigado pelo comentário.

      Espero que a resposta que dei ao Anderson lhe possa servir.

      Abraço

      Responder

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