No Programa de Preparação Mental que aplico a atletas de judo, tive oportunidade de observar que alguns atletas apesar de terem um excelente preparação técnica e física, na grande maioria das vezes não conseguiam ter resultados  considerados satisfatórios. No decorrer de algumas sessões, cheguei à conclusão que estes atletas entravam em cada luta que faziam, preparados para defender e contrariar os ataques do adversário. Com este tipo de pensamento em mente, apenas contrariar a estratégia e luta do adversário, não deixa de ser uma atitude mental pela negativa. Contrariar é isso mesmo, apenas contrariar. Deixando assim que o outro imponha a sua forma de lutar e tome vantagem por liderar as iniciativas.

FOQUE-SE NO QUE QUER ALCANÇAR

Iniciei então uma série de sessões com o objectivo de lhes ensinar um plano de ataque, de lhes ensinar a implementar um conjunto de estratégias mentais no sentido de tomarem a iniciativa daquilo que desejam que aconteça. No judo, o objectivo é derrubar o adversário, desta forma esta é a intenção principal que deve orientar toda a estratégia de luta. Os resultados foram notáveis e a percentagem de vitórias melhoraram drasticamente quando os atletas perceberam aquilo em que era importante focarem a sua atenção.

Estes jovens atletas sempre tiveram como objectivo vencer. Não tinham nenhum problema no estabelecimento de objectivos. Aquilo que lhes faltava era um plano de ação orientado para o objectivo. No desporto como na vida, os objectivos isolados podem não ser o suficiente para sermos bem sucedidos.

A reter: Um objectivo sem um plano de ação orientado para o resultado, é como pedalar numa bicicleta com os pneus vazios.

Depois de estabelecer um objectivo, estabeleça um plano: Se está no sul e quer caminhar para uma cidade a norte, não lhe basta começar a caminhar, tem de se certificar que está a dirigir-se para norte. Depois em que tipo de veículo pretende viajar, que tipo de estradas ou caminhos pretende escolher, quantas vezes vai parar para descansar.

Desenhe o seu plano de “ataque”, estabeleça uma estratégia bem definida daquilo que necessita para cumprir o seu objectivo. Coloque-se em terreno e seja você a tomar a iniciativa dos seus  movimentos e ações. Ficará surpreendido com o número de vezes que vai virar a sua vida do avesso.

Estabeleça sempre os seus objetivos de acordo com aquilo que pretende alcançar e nunca apenas levando em consideração o que pretende evitar. Estabeleça os objectivo pela positiva. A partir deste ponto, pergunte-se do que necessita para se preparar para a “luta” no sentido de aplicar os seus conhecimentos, habilidades, competências, forças e virtudes. Foque-se no que tem de bom, foque-se naquilo que possui e que pode tornar-se numa vantagem para alcançar o sucesso.

planejamento

EVIDÊNCIAS

O nosso cérebro organiza-se sempre no sentido de formular as ideias de acordo com as indicações que lhe transmitimos. Se lhe transmitimos uma indicação específica clara e orientada para algo, a nossa atenção sobre isso expande-se. Todos os recursos disponíveis são mobilizados para fazer cumprir a ordem dada. Ao estabelecermos a ordem temos de ser cautelosos quando a formulamos e como a formulamos. Três princípios têm de estar presentes:

  • Especificidade
  • Clareza
  • Orientação

Com estes três princípios em mente, tente formular a estratégia. A estratégia é a definição de como os recursos serão alocados para se atingir o objetivo. Estratégia significava inicialmente a ação de comandar ou conduzir exércitos em tempo de guerra – um esforço de guerra, como uma virtude de um general conduzir o seu exército à vitória. Assim deve fazer nas “ordens” que dá a si mesmo, dê indicações concretas e objetivas para que o seu cérebro o conduza à vitória.

Para aprofundar este assunto, pondere ler o artigo: Como conseguir atingir objetivos na sua vida

PLANIFICAÇÃO

A organização e estratégia é e será sempre uma forma de alcançar o sucesso e/ou minimizar os danos colaterais de algo que inevitavelmente nos será prejudicial. Mesmo em situações em que nos sentimos deprimidos, zangados ou abatidos, ainda assim este é o momento para que possamos ultrapassar todos estes sentimentos de incapacidade através da planificação. É nos  momentos menos bons que nos devemos esforçar para planear o trabalho, a lida da casa, o futuro dos filhos, ou o que fazer no fim-de-semana.

Assim que tenhamos definido o que queremos fazer, o que queremos ser ou que atitude ter, planificar o seu trabalho é o próximo passo. A planificação das ações daquilo que pretendemos fazer, aumenta a nossa energia e propósito. A planificação permite-nos ter uma linha de orientação sobre o que fazer e como fazer, funcionando como uma rede de trapézio, da-nos segurança para realizar coisas com algum grau de incerteza. Sem este sentimento sujeitamo-nos a sofrer de uma estranha forma de “desordem de défice de intenção”. Ficamos com pouca clareza nas intenções, não sabemos para onde vamos ou como lidar com as situações.

Quando estive nos fuzileiros, há muito tempo atrás, nesta tropa de elite, transmitia-se a ideia de que: uma hora de planificação economiza muitas horas de execução. Naquela tropa de elite, estratégia e planificação eram palavra de ordem. Foi lá que pela primeira vez senti o peso de uma boa planificação e percebi porque razão as coisas funcionam quando mais são precisas.  No entanto, muitos de nós temos a percepção de que não temos tempo para dedicar à morosa planificação. Mas na verdade isto não passa de uma ilusão criada por nós mesmos, dado que estamos demasiado ocupados tentando resolver os problemas que  nos afligem e  nos perturbam, devido à falta de planificação.

Temos de tomar consciência que o tempo dedicado à planificação será  a coisa mais produtiva que podemos fazer. Ao invés de preocuparmo-nos inconscientemente com os problemas que temos e, andar sempre a reagir às crises, sejam elas financeiras, emocionais, existenciais ou de relacionamento, as quais também devido à falta de planificação.

No mundo esportivo, a planificação institui-se de forma assumida, o treinador que quer obter os melhores resultados possíveis, tem na planificação o seu principal trunfo. A planificação é a antítese da preocupação, sendo que a preocupação desmedida provoca ansiedade e uma sensação de medo e incapacidade, e a planificação, permite aumentar a sensação de auto-eficácia e capacidade, aliando ainda a mais valia de se poderem fazer ajustes ao que inicialmente se programou.

Um celebre treinador Russo, Robert Zotko, que esteve em Portugal ao serviço da Federação Portuguesa de Atletismo,  dizia: “A planificação serve pelo menos para percebermos que não fizemos tudo aquilo que planeámos.”

A planificação, quer seja no trabalho, na melhoria de uma incapacidade, ou na educação de um filho tem sempre um papel importante no que diz respeito à obtenção do sucesso nessas áreas. A planificação cuidada dos seus objetivos irá permitir que você trabalhe de forma mais motivada, fazendo mais e preocupando-se menos.

Abraço