Desistir ou não desistir, eis a questão! Todos nós em alguma altura da nossa vida enfrentamos este dilema. A possibilidade de desistência assombra-nos como uma manhã nebulosa. Colocamos a nossa capacidade em questão, ou simplesmente não queremos passar pelo sacrifício do esforço que temos de despender para concretizarmos ou levarmos até ao fim o que queremos ou nos propusemos. Apresento algumas das razões mais prementes que nos levam à desistência, sugiro ainda formas de podermos ser mais resilientes no sentido de conseguirmos treinar a mente para resistir ao incómodo que nos impele a desistir.

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A série: Como ser um campeão na sua vida, pretende dar a conhecer aos leitores as estratégias e processos que lhe permitirão ser bem sucedido nas várias áreas da sua vida. Se não desejar perder pitada desta série, considere subscrever a nossa newsletter para ser notificado por email sempre que lançarmos um novo artigo:

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PORQUE RAZÃO DESISTIMOS DOS NOSSOS OBJETIVOS?

Quando ainda era um jovem atleta, iniciei-me nas corridas de corta-mato e estrada. Mas, revelo que não tinha qualquer talento para as corridas de fundo e meio-fundo, o que mais tarde se viria a comprovar com a minha paixão no salto em altura e no qual consegui atingir alguns bons resultados a nível nacional. Voltemos então às corridas de meio fundo, onde eu sempre que entrava em competição passava por um calvário mental, uma luta entre a dor, angustia e o orgulho de não desistir. Era um desconforto enorme que eu sentia assim que se instalava o cansaço, as dores nas pernas e a respiração ofegante e dolorosa. Depois, sempre que eu entrava neste tipo de competição, acontecia algo de curioso, a minha mente era pródiga em lembrar-me o quanto eu tinha sofrido na corrida anterior e rapidamente se projetava uns quilómetros mais para a frente, para a meta. E assim, abruptamente só pensava em parar.

Só pensava em chegar ao fim, só pensava no momento em que eu iria parar assim que terminasse, que terminasse a corrida e as minhas dores horríveis. A ideia que a minha dor poderia terminar era tão incisiva que a minha capacidade para lhe resistir caía drasticamente. Naturalmente, a quantidade de dor que eu estava sentindo naquele momento não era pior do que a quantidade que eu sentia no momento anterior. O que tinha mudado era a minha capacidade para lidar com a dor. Porquê? Porque quando a minha mente começou a visualizar o fim da corrida, deixou de conseguir gerir a dor que o meu corpo estava a sentir, desviei o foco da minha atenção para onde não devia. Focando-me na meta a minha capacidade de resistência à dor reduziu drasticamente. Ainda assim, nunca desisti por 3 razões:

  • Não me via como alguém que fosse capaz de desistir
  • Gostava sempre de atingir aquilo a que me propunha
  • O orgulho era maior do que a dor que sentia

FOQUE-SE NAS SUAS MOTIVAÇÕES PODEROSAS

Penso que este tipo de situações e pensamentos por vezes também ocorrem noutras áreas da nossa vida. A partir do momento em que nos propomos a um objetivo exigente, a um desafio empolgante ou a mudar algo, inúmeras razões poderão surgir que nos empurram para a dúvida e incerteza (por exemplo, o medo do fracasso, medo do sucesso, a preguiça, falta de acreditar em nós mesmos, etc). Uma maneira de pensar sobre o porquê de não desistirmos é que outras motivações mais poderosas atraem a nossa atenção (por exemplo, o desejo de melhorar o nosso nível de aptidão, reduzir o nosso nível de gordura, ter prestígio, ganhar dinheiro). A ideia de desistir só permanece na nossa mente enquanto existirem razões para desistirmos, mas as probabilidades de desistirmos só aumentam quando nos focamos na desistência.

Nós não acabamos por desistir de algo porque enfrentamos muitos obstáculos ou por esses obstáculos serem muito difíceis. Nós acabamos por desistir porque em determinadas situações somos demasiado fracos. Na grande maioria da vezes não porque na realidade o somos, mas principalmente por pensarmos que somos fracos. Acredito firmemente, que o ponto de inflexão no qual não podemos mais evitar prestar atenção na ideia de desistir, é o ponto em que as nossas forças nos abandonam, e isto pode ser alterado. Nós podemos tornar-nos mais fortes em algumas áreas da nossa vida ou perante determinadas situações se desafiarmos a nossa fraqueza, mesmo que no inicio não sejamos bem sucedidos. Aumentar a resiliência, física e mental, é um processo árduo não linear. Ou seja, é um processo preenchido por avanços e recuos, períodos de progresso e períodos de regressão. O que importa é não desistir. A não ser que se comprove que a desistência é a melhor opção. Mas, isto será sempre a excepção.

OS CONTRATEMPOS SÃO PARTE DA MUDANÇA DE MENTALIDADE

Todos nós, mais tarde ou mais cedo somos confrontados com contratempos na nossa vida. Existem razões para alguns de nós ficarmos paralisados nestas situações levando-nos à desistência. Apresento, 3 dos maiores obstáculos que promovem a desistência:

  • Você não antecipa as razões que o podem levar a falhar
  • Você não antecipa formas de lidar com os contratempos
  • Você não acredita que consegue mudar

Assim que você se proponha a mudar e comece a fazer alguns progressos, é provável que se depare com alguns contratempos. Os contratempos fazem parte do processo para nos tornarmos mais resilientes na vida. As mudanças não são acontecimentos lineares, ocorrendo por vezes em 3 passos para a frente e 2 para trás. Os resultados bem sucedidos são originados pelo foco contínuo nos passos que damos em frente. Ao invés de usar os contratempos como desculpas para desistir, use-os como oportunidades para aprender acerca do que não funciona na sua vida e o que necessita de ser mudado. O fracasso é uma opção, mas o medo não.

Se você olhar para os contratempos como experiências de aprendizagem, facilitará certamente a preparação de um novo plano para evitar as dificuldade e seguir em frente. Se olhar para os recuos e obstáculos como falhanços, coloca-se no caminho da desistência. A melhor estratégia é tentar perceber o que funciona. O que não funciona? Continue a fazer as coisas que funcionam e analise novas abordagens naquelas em que não teve sucesso. Faça alguma coisa que não tenha feito antes. Não desista do seu objetivo, tente uma abordagem com uma perspectiva diferente. Em treino, aos atletas, quando eles enfrentam algumas dificuldades na realização de exercícios exigentes, e repetidamente falham, digo-lhes para experimentarem fazerem o que lhes está a ser pedido de forma diferente, para experimentarem novas formas, novos movimentos.

Existe uma diferença entre um lapso/recuso e uma recaída. Um lapso pode ser definido por um breve retorno a um comportamento ou atitude indesejável e uma recaída como um completo retorno para velhos hábitos/atitudes, e/ou pensamentos. Se você fumar um cigarro, você não deitou tudo a perder na sua intenção de deixar de fumar, mas se você voltar a fumar um maço inteiro por dia, então sim, podemos dizer que interrompeu o processo de mudança e desistiu do seu projeto de desabituação tabágica. Se você recuar um pouco e por lapso tiver comportamentos indesejados, desde que breves, pode usar isso para obter informação acerca das situações que são mais tentadoras e/ou incapacitantes e formular novas formas de lidar com os problemas em futuros cenários.

TENTE, TENTE SEMPRE QUE LHE SEJA POSSÍVEL

O risco de tornar-se enraizado em pensamentos auto-destrutivos, quando você é derrotado por si mesmo (ou seja, optar por desistir), devemos perceber, que é muito maior do que quando é derrotado por acontecimentos exteriores ou que não estão sobre o seu controlo. Pode muito bem ser psicologicamente mais benéfico se você se propuser a tentar novamente, esta atitude é bastante mais adequada, do que entrar numa atitude de raciocínio desfavorável, enveredando numa narrativa que o define como desistente e, portanto, merecedor de insucesso.

Mas a auto-sabotagem é uma falsa narrativa. Mesmo que  falhe porque decidiu desistir, você pode tentar novamente. Deverá relembrar-se constantemente que o fato de tentar,  aumenta as suas hipóteses de ignorar as vozes que ecoam na sua cabeça, dizendo-lhe para desistir. Relembre-se sempre, que a chave para a vitória é a sua força interior, e a chave para desenvolver essa força é tentar de novo, não se agarrando aos fatores desculpabilizantes. Pense positivo, insista no pensamento positivo.

Algumas da razões pelas quais a desistência na grande maioria das vezes tem um valor negativo e desadequado foram apresentadas. Proponho-lhe que faça uma lista acerca de novas formas de como lidar com os obstáculos e contratempos no futuro. A seguir apresento uma lista construída com base em respostas de pacientes em consulta clínica. Use-a para que o possa ajudar a identificar as mudanças que quer fazer, e escreva alguma das razões que o fazem pensar não conseguir vir a ser bem sucedido.

Apresento ainda uma “fórmula” para usar na resolução de problemas. Pode usar estes passos para descobrir soluções alternativas que não tenham sido apresentadas nos exemplos anteriores:

  • Escreva os detalhes dos problemas ou contratempos mais significativos na sua vida. Passe a usar um registo que descreva detalhadamente as razões que encontra para o fato de não ter conseguido alcançar os resultados que desejava.
  • Soluções de brainstorming. Trabalhe com outras pessoas, medite, leia, mantenha uma mente aberta, escreva todas as alternativas que lhe passem na cabeça sobre como pode lidar com a situação.
  • Escolha várias soluções. Reveja as soluções, e foque-se naquela que lhe parece ser a melhor.
  • Implemente as soluções. Idealize um plano para a acção. Seja paciente e persistente até que obtenha os resultados que deseja.
  • Use a sua força de vontade para manter a sua atenção na finalização do resultado que deseja.  Insista, persista, a persistência torna-se num hábito.

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Abraço