Todos nós gostamos de fazer algumas coisas na perfeição, assim como valorizamos os outros pelo que eles fazem muito bem. No entanto fazer tudo bem o tempo todo e em qualquer área da nossa vida é uma tarefa impossível, ultrapassa a capacidade humana de resposta a todas as situações que necessitam da nossa atenção. Existem muitas pessoas que se orientam pela premissa do perfeccionismo, até aqui tudo bem. Mas quando estas pessoas são motivadas a ser perfeccionistas praticamente em tudo o que fazem, e lhes associam pensamentos de negatividade depreciação e desvalorização pessoal, quando acham que não executaram alguma coisa pelos padrões da exigência da perfeição, desenvolvem um problema sério na sua vida.

Esta situação na grande maioria das vezes pode tornar-se patológica ao ponto da pessoa deixar de fazer muitas das coisas que fazia e lhe davam prazer. A pessoa vê-se afectada também nas relações sociais, dado que não se quer expor ao que julga ser ridículo. O perfeccionista apresenta uma formação rígida do pensamento que o impede de adaptar-se a diferentes situações. O perfeccionismo consiste na perseguição patológica de padrões elevados inatingíveis, e pode aparecer associado a ansiedade, depressão e perturbações alimentares. É o sentimento de que: ” Se eu cometer um erro, será catastrófico “.

Apresento em seguida algumas formas baseadas na terapia cognitivo-comportamental para tentar minimizar este tipo de pensamento disfuncional:

A grande maioria das pessoas compreende que os seus pensamentos e emoções influenciam os seus comportamentos.

Pensamentos/sentimentos > comportamentos

Por exemplo, a Maria acredita: “Eu tenho de ser perfeita para as pessoas gostarem de mim e aceitarem-me” (pensamentos), sente: ansiedade, vergonha, e a partir daqui esforça-se sempre para fazer tudo na perfeição (comportamento).
A Maria tem uma grande probabilidade de desenvolver um problema de perfeccionismo

O PORQUÊ:

  • Ela sente-se muito ansiosa sempre que não consegue cumprir com os seus padrões de exigência
  • Quando as coisas correm mal na sua vida ela pensa que os problemas ocorreram porque ela não foi perfeita o suficiente.
  • Ela trabalha compulsivamente nas mais pequenas coisas para as fazer de forma perfeita, perdendo a oportunidade de fazer as coisas realmente importantes e que lhe poderiam dar prazer.

Uma forma de desafiar este tipo de pensamentos disfuncionais é fazer um exercício de registo escrito, para através de um processo de raciocínio lógico avaliar a validade dos seus pensamentos:

  • Qual é a evidência do pensamento: “Os outros só me aceitam ou gostam de mim se eu for perfeita” Isto será verdade?
  • Qual a evidência que me diz que o pensamento não é completamente verdadeiro?
  • Qual será um pensamento mais equilibrado que melhor reflecte a realidade?

Esta é uma técnica efectiva para mudar os pensamentos e comportamentos disfuncionais. E porquê:

  • Já ouviu alguém dizer-lhe que só o aceitaria se fizesse tudo na perfeição? Bem , vou partir do principio que até possa ter ouvido, talvez dos seus pais, mas certamente não de todas as pessoas com que se relaciona.
  • Existe então evidência que o pensamento é apenas verdadeiro na sua mente, e não da totalidade das pessoas
  • Um pensamento mais equilibrado poderia ser: “Eu nem sempre necessito de fazer tudo na perfeição, nem tudo na vida tem o mesmo grau de importância.”

Geralmente (não apenas para os perfeccionistas), a maneira mais efectiva de mudarmos os pensamentos e emoções é mudar primeiro os comportamentos. Dado que:

Pensamentos/sentimentos > Comportamentos

Também quando se comporta de maneira diferente, isto leva a que pense e sinta de maneira diferente.

Comportamentos > pensamentos e emoções

Exemplo: uma das estratégias que muitos de nós psicólogos recomendamos para combater o perfeccionismo é propor à pessoa que experimente não fazer as coisas de forma perfeita, e assim poder testar as consequências.

  • Errar em algumas tarefas de propósito.
  • Contar a um amigo sobre um engano, falha ou erro que tenha cometido e observar a resposta. O engano revelado fez com que a pessoa pensasse mal acerca de si, ou o menosprezasse?

O OBJETIVO A OBSERVAR:

  • Se nada de catastrófico acontece.
  • Como é que você se sente acerca de si mesmo quando é imperfeito de propósito.

OS SENTIMENTOS:

  • Você sentiu um maior senso de estar em controlo e autonomia sobre o seu destino?
  • Você sentiu menos vergonha e ansiedade depois da experiência (mesmo que no inicio a sua ansiedade tenha aumentado)?
  • Você afastou mais a ideia que tinha de não ser bom o suficiente?

VERIFIQUE SE…

A sua percepção da importância/desejabilidade de ser perfeito mudou? Você talvez tenha chegado à conclusão que ser perfeito é menos importante que previamente pensou? Você talvez tenha aprendido que os seus pensamentos possuem alguma coisa de verdade, mas que não são totalmente verdadeiros? Talvez tenha aprendido que perante determinadas circunstancias revelar a sua imperfeição e vulnerabilidade permite que as outras pessoas gostem mais de si do que o contrario?

Existem evidências em muitos estudos e investigações que mudar os comportamentos é na grande maioria da vezes a melhor forma para mudar os nossos pensamentos e sentimentos (ou seja, é a forma mais efectiva para se sentir melhor e ter uma auto-estima mais elevada)
Uma parte muito significativa no meu trabalho em consulta é ajudar as pessoas a perceberem quais são os seus pensamentos disfuncionais, isto é: que tipo de pensamentos é a causa dos seus problemas emocionais e comportamentais. Trabalho em conjunto com a pessoa para descobrir a melhor maneira de resolver o problema. Em conjunto decidimos que estratégias de tratamento são mais adequadas para ajudar a resolver o problema e o que é que a pessoa conseguirá concretizar.

Abraço

Consultas Psicologia Online

Autor: Miguel Lucas

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Licenciado em Psicologia, exerce em clínica privada. É também preparador mental de atletas e equipas desportivas, treinador de atletismo e formador na área do rendimento desportivo. É autor da Escola Psicologia.

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Comentários dos Alunos


  1. Carlos
    6 de outubro de 2010

    acho que sofro disso, pois, as vezes, minto que cometi algum engano ou dei alguma mancada no serviço só para parecer comum, chegando ao ponto de fazer questionamentos cuja resposta já sei, só para me ambientar

    Responder


    • Miguel Lucas
      6 de outubro de 2010

      Olá Carlos, obrigado pelo comentário e bem-vindo à Escola Psicologia.
      O facto de ganhar consciência sobre o problema, é sinal que deu o primeiro passo no caminho da resolução.

      Espero que o artigo o possa ajudar!
      Qualquer dúvida estou sempre disponível.

      Abraço

      Responder


  2. Adriana
    18 de janeiro de 2011

    Excelente este Blog!!!

    Responder


    • Miguel Lucas
      19 de janeiro de 2011

      Olá Adriana, obrigado pelo comentário

      Volte sempre:)

      Abraço

      Responder


  3. Marco Pires
    5 de junho de 2011

    Olá Miguel,

    Gostaria imenso de obter mais informação sobre esse assunto, pois penso que sofro precisamente do que expos inicialmente. Será bernout????? Também não sei…
    Obrigado pela possível ajuda que me possa dar.

    Responder


  4. Kleia
    14 de setembro de 2011

    Certa vez, uma pessoa que eu amo demais da conta me magoou profundamente ao dizer assim:
    ” Filha, você é muito perfeccionista! Você exige demais das pessoas, por isso vc está sozinha até hoje!”
    Eu sou muito criativa pra realizar algumas atividades e amo os detalhes…Sou intensa em tudo o que é da minha responsabilidade. Gostaria de saber se tem alguma relação uma coisa com a outra.
    Perfeccionismo x Estado civil

    Responder


    • Miguel Lucas
      16 de setembro de 2011

      Olá Kleia, obrigado pelo comentário.

      Ser perfeccionista em si pode não ser um problema, só pode passar a ser se aquilo que faz, interfere ou prejudica a relação com o seu parceiro.
      Se sim, então tem que procurar encontrar um equilíbrio entre a sua exigência e o seu relacionamento.

      Relações existem sempre, dependendo da interferência que uma coisa pode ter na outra, mas será sempre uma situação individual.

      Sorte,

      Abraço

      Responder


  5. van
    4 de novembro de 2011

    Eu acho que tenho um grande problema relacionado a isso,tudo o que esta melimetricamente fora do lugar ou mal feito me deixa muito incomodado e tbm tem o fato de eu querer sempre fazer td para que saia perfeito e nao fico satisfeito até que digam que esta perfeito e até que eu ache que esta perfeito,mais tbm isso me propos algumas coisas boas por eu ser perfeccionista fez com que surgissem grandes oportunidades na minha vida que poucos teem,eu nao tenho um problema com isso mais so me sinto incomodado as vzs e acho que esse “incomodo” nao esta se dando bem com o meu “perfeccionismo” hehe.

    Responder


    • Miguel Lucas
      12 de novembro de 2011

      Olá Van, obrigado pelo comentário

      O perfeccionismo por si só não tem de ser necessariamente um problema. Fico contente pelo facto do seu perfeccionismo não o afetar. Mas se afeta os outros, pondere pensar as razões. Na vida, ou outros também são importantes, e acima de tudo é importante levar os outros em consideração.

      Abraço

      Responder


  6. Thais Marina
    9 de novembro de 2011

    Adorei :)

    Responder


  7. Jéssica
    13 de janeiro de 2012

    Oi,no momento estou me sentindo muito triste…
    comecei a fazer autoescola, estou evoluindo bem desde que comecei as aulas, mas hoje errei uma coisa que muitas vezes ja fiz corretamente… Me senti muito frustrada e com raiva de mim mesma!!! Sou muito perfeccionista,nao gosto de demostrar um erro aos outros… Como posso deixar de me cobrar tanto?

    Responder


  8. Nome
    9 de fevereiro de 2012

    Me sinto triste. Sou exigente comigo mesma.Em meutrabalho tento fazer tudo direitinho, caprichando sempre e tenho necessidade de ser elogiada para que eu tenha certeza de que está bom.Tenho dificuldade em conquistar relações de amizades mais estreitas e as vezes, acho que a maioria das pessoas possuem defeitos com os quais não poderia conviver.Mesmo as pessoas virtuosas, as quais eu admiro e desejo criar laços estreitos de amizade, tenho medo de que decepcionem com seu comportamento ou me critiquem. Eu recebo com humildade as criticas mas odeio quando isso acontece.No trabalho quando sou chamada atenção me sinto um “zero à esquerda” e por isso procuro fazer DE TUDO pra que isso nunca aconteça, procurando ser muito boa no que eu faço_ e, por isso, sou.Escrevo tudo isso com lágrima nos olhos. Queria me sentir diferente, relaxada, menos ansiosa, sem dores nas costas ou enxaqueca.Queria ter amigos.Queria que as pessoas gostassem de mim, me considerasse, assim como as considero.Eu fui muito massacrada na escola em minha infância e adolescência por causa da minha aparência e situação econômica.Era muito quieta e tinha medo de me aproximar das pessoas,por medo de regeição. Atualmente me sinto uma vencedora. Afinal, eu tenho consciência do meu problema e procuro pensar que tudo isso apenas é algo que eu sinto: não corrspondee à realidade.Já melhorei bastante, e quero um dia conseguir vencer o perfeccionismo e a ansiedade.Miguel, suas palavras serão de grande valia para mim. Um abraço.

    Responder

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