Tenho vindo a observar que algumas pessoas desenvolvem transtornos alimentares por terem excesso de peso e tentarem ficar mais saudáveis fazendo dietas. Outras preocupam-se em demasia com aquilo que comem centrando a sua atenção de forma excessiva nas quantidades que ingerem, para mais tarde verificarem que não conseguiram perder peso, e com isso fazem uma pergunta sem resposta: “porque é que não consigo perder peso?”. Algumas pessoas passam anos numa situação clássica de efeito Yo-Yo, perdendo e ganhando peso de forma cíclica. A questão na grande maioria das vezes não tem a ver com aquilo que se come, ou com o tipo de dieta que se faz. Tudo não passa de uma questão comportamental e emocional, que faz com que a pessoa não consiga criar um conjunto de hábitos que lhe permita perder peso de uma forma equilibrada, prolongada no tempo e com implementação de rotinas e comportamentos assertivos ao seu objetivo: perder peso.

Eu sou claramente contra as dietas para a perda de peso. Passo a explicar porquê. Primeiro que tudo devemos entender que, “dieta” é uma palavra confusa, porque pode significar ” o alimento habitual e/ou bebida de uma cultura, de uma pessoa ou de um animal.” Exemplo: “Mãe, meu amigo é vegetariano, por favor faça creme de espinafres para o jantar.” Há também dietas prescritas por razões médicas, como a dieta para controlar a diabetes ou a dieta DASH, que é um guia alimentar baseado em estudos sobre planos de dietas, elaborado pelo governo norte-americano para baixar a pressão arterial e, desta forma, diminuir os riscos de saúde decorrentes da pressão alta. DASH é a abreviação de “Dietary Approaches to Stop Hypertension”, que significa “métodos para combater a hipertensão através da dieta”. Estas são necessárias e funcionam como uma forma de motivação saudável. Mas a maioria de nós refere-se ao termo “dieta” no seu termo mais insidioso como “um programa temporário e altamente restritivo relativamente à ingestão de comida com o objetivo de perder peso.” Este é o tipo de dieta que me tenho vindo a referir. Irei clarificar o leitor acerca da sua ineficácia e inutilidade.

PORQUE NÃO SOU FAVORÁVEL A ESTE TIPO DE DIETAS?

Ponto 1: As dietas não funcionam enquanto programas para perda de peso. Sim, você até pode perder peso, mas cerca de 95% das pessoas que perdem peso com dieta irão recuperá-lo entre  1-5 anos. Fazer uma dieta, por definição, é um plano alimentar temporário, na grande maioria das vezes não irá funcionar a longo prazo. Além disso, a privação de dietas restritivas podem levar a pessoa a comer demais ou a ciclos de compulsão alimentar. O simples facto de estar hipervigilante sobre a quantidade de comida que tem de ingerir (ficando inibida de comer algumas das coisas que gosta), pode originar um processo de desejo exacerbado, levando à instabilidade emocional, promovendo o descontrolo e consequentemente uma obsessão sobre os alimentos evitados. De um ponto de vista mais fisiológico, o nosso organismo tem a capacidade de se adaptar,  se lhe restringir alimento de forma drástica, o seu metabolismo pode entrar num processo de retardamento, o que naturalmente torna mais difícil a perda de peso.

Ponto 2: As dietas da moda podem ser prejudiciais (e as opções de escolha são inúmeras). Por exemplo podem ter falta de nutrientes essenciais. Além disso, grande parte destas dietas  pouco ou nada ensinam sobre alimentação saudável. Assim, quando você “completou” a sua dieta da moda, existe uma probabilidade bastante elevada para voltar aos hábitos alimentares pouco saudáveis que tiveram na origem  do seu ganho de peso. Este é o início da “dieta yo-yo”, que pode só por si provocar problemas de saúde mais graves.

Ponto 3: As dietas excessivamente restritivas podem retirar à pessoa todo o prazer de comer. Isto é tudo menos benéfico. Não há nenhuma razão para que algo que necessitamos  e nos dá prazer se transforme num bode expiatório, por assim dizer, para perder peso. Transmitir a ideia de restrição excessiva, quer da quantidade quer de alguns alimentos específicos pode criar na pessoa um sentimento de “culpabilização” que lhe aumentará a ansiedade e consequentemente lhe transmite uma sensação de incapacidade de adequação.

Ponto 4: Fazer uma dieta juntamente com o uso frequente e compulsivo de pesagem, pode levar a distúrbios alimentares. Principalmente se a pessoa se preocupa em demasia com a sua imagem. Aponta-se para o facto de que as pessoas que fazem dieta e que controlam o seu peso diariamente através de pesagem, aumentam oito vezes mais a probabilidade de sofrer de um transtorno alimentar do que as pessoas que não fazem.

Ponto 5: Atenção aos produtos que dizem fazer “milagres” rápidos na  redução do peso. Pessoas ou empresas sem escrúpulos podem vender “poções mágicas de emagrecimento”, como  pós e comprimidos “especiais”, para que as pessoas que se encontram desesperadas possam aderir mais facilmente a esse engodo, custando-lhes na melhor das hipóteses, dinheiro e tempo. Mas, o pior de tudo são as consequências terríveis para a saúde. E você, já reparou que existe um denominador comum a todos estes tipos de produtos? Afirmam que serão maravilhosamente eficazes “se forem utilizados em simultâneo com uma alimentação saudável e um programa regular de atividade física.” Na verdade eles passam à pessoa a verdadeira solução, que é fazer uma alimentação saudável e exercício físico, estes sim, são realmente os ingredientes eficazes, e não a dieta por si.

Ponto 6: A obesidade e o excesso de peso em muitos casos estão relacionados com questões de instabilidade emocional. A alimentação funciona como uma das formas encontradas para diminuição da ansiedade e/ou necessidade de reforço imediato. Como a ingestão de alimentos nos dá prazer, e é algo que temos sempre à mão, funcionando  como um mecanismo de compensação, e isto serve à pessoa, é um benefício imediato que se torna num hábito prejudicial. É algo que é paradoxal, tem uma função prazerosa e por outra provoca aquilo a que podemos chamar de danos colaterais, ou seja, tudo aquilo que mais tarde leva a pessoa a procurar ajuda, infelizmente nem sempre a que deveria. Para as pessoas que se encontram nesta situação, a abordagem psicológica através da terapia Cognitivo-comportamental pode apresentar-se como uma solução bastante viável e eficaz, pode ajudar os clientes a identificar os sentimentos e situações emocionais na base do excesso de ingestão de alimentos e, implementar novos padrões  mais saudáveis de auto-cuidado, auto-disciplina e comtrolo dos impulsos.

Dica: Assim, o primeiro passo para a perda de peso duradoura e saudável é, de certa forma, e ironicamente, deixar as dietas e a mentalidade de ter de fazer dieta para perder peso.

A SOLUÇÃO SAUDÁVEL PARA PERDER PESO

Se você quer e/ou necessita de perder peso de forma saudável, douradora e que diminua ao máximo a probabilidade de uma recaída, deverá implementar um Plano de Alimentação Saudável (PAS) para que possa viver de forma saudável, equilibrada e desfrutar a vida. A melhor solução, mais assertiva, mais eficaz, mais barata e menos prejudicial é implementar: Um programa ao longo da vida que inclua uma alimentação saudável e prazerosa associada a exercícios físicos regulares, que irá promover a sua saúde e capacidade física. Para perder peso, coma menos e faça mais exercício. Pode ter tanto de chato como de prosaico. No entanto, não deixa de ser verdadeiro. Coma você o que comer, se quer emagrecer a quantidade de calorias gastas tem de ser superior à quantidade de calorias ingeridas. Portanto, se você ingerir menos e gastar mais, os resultados irão manifestar-se na sua redução de peso. Se é isso que pretende, não espere mais, reduza a quantidade de comida que coloca no seu prato, saia para a rua e exercite-se.

E VOCÊ, AINDA ACREDITA NAS DIETAS PARA PERDER PESO?

Este é um tema muito sensível para milhares de pessoas, mas será que as dietas para perder peso são realmente aquilo que pensa? Qual é a sua opinião? Ainda acredita nas dietas para perder peso? Participe!

Abraço