Não queira mudar as outras pessoas, isso não funciona. Pode desperdiçar a vida inteira tentando. Não pretendo ser radical ao ponto de lhe transmitir que não vale a pena ajudar os outros a crescerem, a desenvolverem-se ou a melhorar. Não é essa a minha mensagem. Não podemos querer mudar os outros a nosso belo prazer, ou porque nos facilita a vida ou a obtenção de algo.

Vejamos o seguinte: A grande maioria de nós gasta parte do seu tempo e energia na tentativa de mudar as pessoas que participam na nossa vida. Por vezes somos tentados a pensar que conseguimos mudar os outros de forma a que fiquem melhor equipados ou capacitados para que nos façam felizes. Isto é especialmente verdade no que diz respeito às crianças. Empenhamos grande parte do nosso tempo a falar com as crianças sobre a forma como nós pensamos que eles deveriam comportar-se ou mudar algumas coisas que fazem. Mas as crianças não aprendem de forma eficaz ouvindo aquilo que lhe dizemos, mas sim da forma como nos observam a fazer as coisas e nas atitudes que temos na nossa vida.

Dica: O ensino pelo exemplo é a melhor forma de garantirmos que alguém segue as nossas atitudes, as leve a sério e acredite terem valor.

Na actualidade as crianças, ao ouvirem os adultos a falarem para elas sobre aquilo que deveriam mudar, na grande maioria das vezes dizem, “sim, está bem”. Eu penso que aprenderam esta frase com o Bart Simpson. É um atalho para dizerem, “Eu não estou a ouvir o que dizes, estou é atento ao que fazes.”

SEJA A PRÓPRIA MUDANÇA

Na nossa era, Gandhi foi provavelmente responsável por mais mudanças nos outros que qualquer outra pessoa. Como é que ele fez isto? Ele tinha uma fórmula profundamente simples. As pessoas por vezes  procuravam  Gandhi para lhe perguntar como é que ele conseguia mudar as pessoas. Por vezes alguns diziam-lhe, “Eu concordo consigo sobre a não-violência, mas existem outros que não. Como é que os posso mudar?” Gandhi disse-lhes que eles não conseguiriam mudar os outros.”Você tem de ser a própria mudança que deseja ver nos outros,” Disse Gandhi.

Provavelmente já se questionou várias vezes: “Como é que eu mudo o meu parceiro?” Ou, “Como é que eu posso mudar o meu amigo.” Ou, como é que faço para ele mudar a sua atitude.”

A mensagem que quero transmitir é: Seja a mudança que quer ver nos outros. Ao ser aquilo que quer que os outros sejam, você lidera pela inspiração.Tolo é aquele que afundou seu navio duas vezes e ainda culpa o mar. Se você continuar fazendo o que sempre fez, continuará obtendo o que sempre obteve. Ou menos.

COMPORTAMENTO ASSERTIVO

A vida é dinâmica, o mundo está sempre em constante alteração. A necessidade que temos de nos adaptar às novas coisas da vida é permanente. Por este motivo, estaremos sempre um passo atrás da própria mudança que nos é imposta nas mais variadas áreas da nossa vida. Estará sempre alguém a comportar-se da forma que não queremos e que não achamos correta. A tendência e o impulso natural que temos, é a crítica, o olhar de esguelha e a maledicência. Perante esta atitude, colocamo-nos numa posição de não mudança, de não responsabilidade, de não interferência. Desmobilizamo-nos das coisas pela ação da crítica e do desdém. Corremos o risco, de também não sermos assertivos, dado que os outros também não foram. Não nos propomos a mudar-nos a nós próprios, e não damos o exemplo em que os outros poderiam inspirar-se para mudar. O caricato disto tudo é, que o mundo está em constante mudança, mas na grande maioria das vezes é uma mudança não orientada. É uma mudança reactiva. 

APRENDIZAGEM POR OBSERVAÇÃO

A teoria da aprendizagem por observação do psicólogo Albert Bandura, sugere que as pessoas podem aprender simplesmente através da observação do comportamento de outras pessoas. A pessoa observada é chamada de modelo. A este processo dá-se o nome de Condicionamento Vicariante – é o processo de aprender reações emocionais através da observação de outras pessoas. Verificou-se que indivíduos que observaram um modelo a expressar uma resposta condicionada de medo desenvolveram uma resposta emocional condicionada de forma vicariante a um estímulo que anteriormente era neutro. Além da experiência directa, esta teoria enfatiza a importância de modelos de aprendizagem por observação para o desenvolvimento da personalidade. Os indivíduos adquirem respostas emocionais e comportamentos através da observação dos comportamentos e respostas emocionais dos modelos.

Uma forma de motivar, de ensinar e de mudar os outros é certamente através do exemplo, através de nos transformar-mos em “modelos” das atitudes e comportamentos dos outros. Ao adquirirmos esta posição na vida, colocamos igualmente a possibilidade de sermos activos e assertivos nas nossas metas de vida.

ATITUDES POR MODELAGEM

Ao adoptarmos uma atitude de modelo face à forma como gostaríamos que as coisas ou outros fossem, aumentamos a probabilidade de sermos bem sucedidos. Se você fosse um director de vendas e pretendesse motivar mais os seus vendedores, como é que acha que seria mais eficaz? Acredito que se tivesse a atitude que gostaria que os vendedores tivessem, fosse bem sucedido. Não lhes deveria dizer como deveriam ser ou como fazer, mas sim inspirá-los a fazer, fazendo.

O mesmo parece ser viável para nós mesmos quando necessitamos de mais motivação, força de vontade ou inspiração. Se adoptarmos a atitude positiva de alguém que “invejamos” ou que idolatramos, caminhamos rumo ao sucesso, dado que seguimos o modelo que já provou ter resultados muito satisfatórios. Umas vezes sendo você o modelo, outras vezes modelando os outros que lhe servem de modelo, o importante é que consiga a atitude necessária para efectuar as mudanças adequadas e facilitadoras da obtenção dos resultados desejados.

Abraço