Muitos de nós caminhamos na vida com dificuldade, mas não necessariamente por problemas motores. Caminhamos como se a nossa energia tivesse sido drenada. A grande maioria das coisas realizamo-las com esforço, com ausência de prazer e sem satisfação. Sentimo-nos a cumprir uma rotina sem fim, e que sabemos estar a retirar-nos a alegria de viver. Este é na verdade um cenário cada vez mais comum para muitos de nós. Para ser sincero ouve tempos na minha vida que me senti desta maneira. Felizmente, rapidamente superei o meu problema ao colocar em ação um conjunto de estratégias e atividades que me fizeram recuperar a energia e alegria de viver. São exatamente algumas dessas coisas que funcionaram comigo que vou partilhar neste artigo.

Em seguida apresento um texto da minha autoria que descreve um estado letárgico:

Dormência,

A vida bate-me,

A vida arrasta-me, centrifuga-me, amassa-me, escama-me,

Sinto-me entorpecido, rígido, distante,

Olho para a beleza mas não a sinto,

Falam-me ao coração mas permaneço magoado,

Sensibilizam-me para a esperança, mas mantenho-me entrincheirado na decepção,

Que corpo é este que caminha anestesiado?

Que corpo é este que endureceu uma mente anteriormente ávida de vida, de emoção e paixão?

É um corpo humano,

Que se entristece, que se obscurece, se penaliza, se aprisiona,

É um corpo que se vai protegendo, que vai endurecendo, que vai querendo ficar imune à dor emocional,

Perde sensibilidade, perde humanidade,

Desliga-se dos seus sentidos, liga-se à dureza das suas experiências,

Experiências sofridas, injustas, traumáticas, punitivas,

Enrijecem o corpo, enrijecem-me,

Não sinto, as coisas passam-me ao lado, batem-me mas já não me magoam, ouço-as mas não me afligem a mente,

Deixei de ruminar nas perdas, deixei de reclamar no apontar do dedo, deixei de me importar,

Estou presente na vida, mas ausente de vida,

Que corpo é este?

Capaz de caminhar dormente, com a mente desvigorada, com o coração lascado,

É um corpo que segue as interpretações que faço, que julgo fazerem sentido,

É um corpo que se desconhece, que julga precisar de alienar-se para encaixar as agruras da vida,

É um corpo que desconhece e me leva a desconhecer as formas práticas e saudáveis de suportar a dor,

Quero conhecê-las, quero voltar a sentir, a sentir-me em pleno com a vida,

Voltar a mim,

Pouco a pouco quero recuperar a minha sensibilidade,

A sentir o calor do abraço, a dor da perda,

A dor de alguém que me foi querido e partiu,

Sinto a dor, suporto-a, ela é inversamente proporcional ao meu gostar, quanto mais sinto, mais gosto,

A dor da perda faz-me sentir o quanto eu gosto, gostei ou vou continuar a gostar,

Como é bom gostar de sentir, de ficar ligado com a vida,

Com as coisas boas, e as que provocam dor,

Voltei a sentir,

A sentir o pulsar da vida.

-       Miguel Lucas

mais energia

Motivação pela visualização do objetivo

Imaginarmos algo que gostamos, ou que acreditamos vir a fazer sentir-nos bem faz disparar na corrente sanguínea a dopamina (uma hormona do bem-estar). A dopamina gera expectativas, faz-nos criar uma forte ligação entre a realização de algo e a boa sensação que o nosso corpo regista nesse exato momento, e isto promove a felicidade. Nesse estado, podemos dizer que nos sentimos motivados para fazer coisas que façam acontecer aquilo que imaginamos e desejamos realizar. A visão de nós mesmos a sermos bem sucedidos ou a realizar as tarefas que temos de fazer para obter o que tanto desejamos, funciona como um combustível que irá orientar a nossa energia na direção do objetivo traçado. Desta forma cria-se na mente o motivo para a ação.

São as ações a que nos propomos, alimentadas e impulsionadas pela energia oriunda daquilo que visualizámos e associada ao bem-estar provocado pela dopamina libertada na corrente sanguínea que nos leva a sentirmo-nos confiantes, alegres e animados para realizar o que é necessário para atingirmos os nossos objetivos.

Cuidado com a sua voz interna negativa

Quando estamos abatidos e desmotivados facilmente caímos na armadilha de dar demasiados ouvidos ao nosso discurso interno negativo. Com alguns pensamentos em mente que nos podem ter conduzido à situação crítica, e exacerbado pelos sentimentos negativos presentes, tendemos a construir uma voz interna negativa.

A autossabotagem promove o estresse e este não só corrói os nossos recursos emocionais, como também tem uma influência negativa sobre a forma como conduzimos a vida e a maneira como reagimos aos outros e até mesmo às nossas ações. Se quando nos encontramos numa fase critica da nossa vida queremos que os outros nos deem o benefício da dúvida e resistam à tentação de nos julgar, não devemos estar dispostos a fazer o mesmo?

Monitorize o seu diálogo interno negativo, não se deixe ser demasiado duro consigo. Seja o seu principal aliado e motivador. Tente não culpabilizar-se, mas sim responsabilizar-se pelas ações que possam melhorar o estado em que se encontra. Se a sua voz crítica negativa ecoa na sua cabeça, orientando os seus pensamentos de forma destrutiva e promovendo sentimentos negativos, certamente não o ajudará em nada. É primordial que reoriente essa voz, de forma a que o possa capacitar para ações positivas e construtivas. E igualmente para a procura de atividades que possam fazer com que se sinta melhor.

Seja Grato

Pode parecer “cliché” sermos gratos por aquilo que temos ou conseguimos fazer, ou expressar gratidão aos outros. Com as múltiplas tarefas que realizamos diariamente, e com o apurado detetor de mal-estar que possuímos no nosso organismo, que nos orienta a atenção para o que não está bem na nossa vida, ou para aquilo que nos gera sofrimento, dor, desilusão, angústia, ansiedade, irritabilidade, entre outros, tendemos a não olhar para todas as coisas boas ao nosso redor.

Proponho que no final de ler este artigo faça um exercício de gratidão. Tome consciência dos seus cinco sentidos (ou se for o caso, para o máximo de sentidos funcionais que tenha) e esforce-se por observar o máximo de estímulos que consegue tomar consciência e dos quais gosta, tira prazer e satisfação. Faça isso. Seja tão específico quanto conseguir. Em seguida, observe a sua capacidade de ouvir os sons que gosta, de ver as paisagens que o inspiram, de cheirar, de tocar e de saborear tudo aquilo que faz você sentir-se bem. Tome consciência do quão significativo tudo isso é na sua vida, e que está ao seu dispor e alcance.

Depois você pode tomar consciência das pessoas que o influenciaram positivamente. Seja grato pelas pessoas que melhoraram a sua vida. Você pode agradecer o seu trabalho, os seus bens materiais, o seu carro e todas as outras coisas na sua vida que a tornam mais fácil e melhor. Eu particularmente, muitas vezes penso e sou grato por este magnífico planeta sem o qual nada disso seria possível.

Tomar consciência de tudo quanto é bom ao seu redor e ser grato por isso, no inicio pode parecer estranho, mas, certamente passado pouco tempo você irá perceber o enorme benefício de ter abraçado a prática da gratidão.

Retenha o seguinte: A gratidão é uma das muitas formas de saber apreciar, de saber envolver-se e ligar-se às coisas boas que existem na sua vida.

Abraço,

Miguel Lucas