Para nos desenvolvermos adequadamente desde os primeiros anos de vida, o afeto dos nossos pais ou educadores é primordial. De certa forma crescemos e desenvolvemo-nos à custa da dependência emocional das pessoas que nos são significativas. Na primeira fase da vida da criança esta dependência é funcional, mas com o avançar dos anos, a independência emocional importa ser desenvolvida. Para muitos de nós este processo pode ter algumas lacunas, seja por carência emocional, falta de habilidades sociais, autoconfiança diminuída, incapacidade de decisão, vitimização, entre outras. Quando a nossa felicidade tem a sua base nos outros, ou seja, quando procuramos cumprir as nossas necessidades emocionais através dos outros, podem surgir todos os tipos de problemas, que por vezes passam-nos despercebidos.

Por exemplo, problemas de relacionamento, porque julgamos que a outra pessoa não é sensível às nossas necessidades, e fica-se ressentido. No fundo, a pessoa desenvolve a noção que a felicidade está fora dela, e portanto, não é possível de ser alcançada.  A pessoa sente-se indefesa, porque se as outras pessoas não contribuem para a fazerem feliz e satisfazer as suas necessidades, então ela não será feliz porque os outros não a fazem feliz. Ou pior, o que será dessa pessoa se as outras pessoas contribuírem para a criação de problemas na sua vida?

Faça o teste

Você está emocionalmente dependente? Responda às seguintes perguntas:

  • A sua felicidade depende muito do seu relacionamento?
  • O seu bem-estar depende de ser aceite pelos outros?
  • Se você tem um parceiro, olha para essa pessoa pelo amor, pelo sexo, pelo apoio, por segurança, para valorização?
  • Você fica extremamente chateado se o seu parceiro não reagir de uma certa maneira, não atender a uma necessidade?
  • Quando você está sozinho, sente a necessidade de preencher o vazio da solidão com distração? Você está sempre mexendo no seu telefone quando está sozinho?
  • Você reclama muito sobre as outras pessoas? Fica bravo por causa das coisas que elas fazem?
  • A sua relação é o centro do seu universo? E sobre o seu relacionamento com os amigos ou os seus filhos?
  • Fica incomodado se o seu parceiro faz algo que não inclui você, ou deixa de fazer algo que vêm fazendo juntos?
  • Você fica com ciúmes facilmente?
  • Quando você está fisicamente separado do seu parceiro, você sente impulso para estabelecer contato?
  • Você quer saber todos os paços e atividades do seu parceiro?
  • Você sente-se inseguro quando não sabe onde o seu parceiro está, com quem está ou que está fazendo?

Esta lista não é exaustiva, mas provavelmente você pode verificar em si mesmo quatro ou mais dessas questões. Isso não significa que você tem um problema ou que é pior que as outras pessoas. Muitas pessoas identificam-se com estas questões, mas não perdem tempo a torná-las conscientes. Preferem ignorar esses fatos, numa tentativa de proteção. Mas na verdade não se estão protegendo, estão a propagar a sua dependência emocional.

Se você respondeu sim a grande parte das questões, não se sinta mal com isso. Perceba que impacto é que essa dependência emocional poderá estar a ter nas diferentes áreas da sua vida. Em seguida, trabalhe na sua consciência emocional para que possa desenvolver a sua independência emocional.

independência emocional

Porque ficamos dependentes emocionais?

Não existe uma resposta concreta, pois há muitos caminhos para os mesmos fins. Como disse anteriormente, esta ligação emocional que se transforma em dependência, começa na infância. Contamos com nossos pais para suprimir as nossas necessidades emocionais, como o amor, conforto, apoio, aceitação, entre outras. A forma como os nossos pais e pessoas próximas estabelecem os laços emocionais nem sempre facilita o desenvolvimento de autonomia emocional. Tornamo-nos adultos sem ter aprendido a ser emocionalmente autosuficentes. E, assim, procura-se alguém para preencher as necessidades emocionais.

Nós olhamos para o parceiro perfeito, e provavelmente isso irá provocar grandes problemas no relacionamento, porque não somos emocionalmente independentes, e assim comportamo-nos de forma carente, piorando tudo se o nosso parceiro se comportar da mesma maneira.

Se nos sentimos a todo momento magoados, tendemos a culpar a outra pessoa pelo nosso sofrimento emocional. Se o parceiro não está lá para nós sempre que necessitamos, culpamo-lo. Se algo de ruim acontece, existe um impulso para a vitimização, porque não podemos seguir em frente com a nossa vida, se alguém fez algo ruim para nós, certo?

No entanto, existe uma solução. Temos que aprender o seguinte: A felicidade não está fora de nós.

Tonar-se emocionalmente independente

A felicidade oriunda dos outros é uma fonte instável de felicidade. As outras pessoas vão e vêm, e por vezes não estão disponíveis quando mais necessitamos, ou podem não estar sensíveis aos nossos problemas e necessidades. As outras pessoas também estão lutando para satisfazer as suas próprias necessidades. Então, em vez de fazermos com que a nossa felicidade dependa de alguém, temos que perceber que não é por aí. A felicidade está dentro de nós. A felicidade está dependente da relação que temos conosco mesmo.

A felicidade não está no futuro, não está numa determinada pessoa ou num lugar específico. Está dentro de nós, agora, o tempo todo.

Para desenvolver independência emocional é preciso alguma busca interior, mas considere as seguintes sugestões:

  • Procure um lugar calmo, evite possíveis distrações, e por alguns minutos olhe para dentro de si. Observe os seus pensamentos e o que aparece na sua mente. Conheça a sua mente. A observação do que passa na sua cabeça é uma fonte inesgotável de aprendizagem. Perceba o que o perturba? O que o torna vulnerável? O que o torna ciumento?
  • Fique ciente do que gosta de fazer, criar, arranjar, construir, desenvolver. Produza algo que dependa unicamente das suas habilidades. Retire satisfação e alegria das suas realizações pessoais.
  • Aprenda a resolver os seus próprios problemas. Se você está entediado, faça algo para preencher esse vazio. Se você está abatido, console-se. Se você está nervoso, não espero que alguém vá tranquilizá-lo, tranquilize-se.
  • Assuma a responsabilidade. Se você está culpando os outros, inverta a perspectiva e perceba a sua quota de responsabilidade. Claro, você pode acreditar que a outra pessoa é o problema (ainda que possa ser mesmo), mas se você percebe que ela não é o problema, então olhe para dentro de si mesmo e procure uma solução.
  • Se você está reclamando, perceba de que forma pode minimizar o problema, e seja grato por tudo o que tem de bom na sua vida.
  • Se você está necessitado de algo, não procure compensações nos outros, procure colmatar por você mesmo aquilo que necessita.
  • Se você está querendo alguém para ajudá-lo, procure essa ajuda, mas certifique-se que faz tudo o que cabe fazer a você.

Abraço,

Miguel Lucas