Quase todas as pessoas, ou até mesmo a totalidade das pessoas passam por momentos críticos nas suas vidas, deixando-as abatidas, desanimadas e no limite das suas forças podem ficar deprimidas. Num estado bastante depreciativo a tendência natural é para avaliar a vida de uma forma generalista, mas distorcida da realidade. A pessoa pode dizer coisas do género: “Eu não tenho nada de bom na vida”. Por certo, na grande maioria das vezes, a afirmação anterior é um exagero que coloca a pessoa num estado de vitimização. Em resposta a um comentário de uma leitora que retratava o estado deplorável da sua vida, gravei um vídeo alertando para a possível distorção do pensamento que estava a ser alvo, e o que poderia fazer para restabelecer o equilíbrio emocional perdido.

Comentário deixado no Blog da Escola Psicologia

Bom, de um tempo pra cá, estou sentindo uma tristeza imensa, pois não consigo nada! Não tenho nada para me orgulhar, minha vida está de ponta cabeça. Meu namorado está trabalhando demais e não me da atenção nenhuma. E esses dias andamos brigando muito, e eu não consigo dizer isso pra ele. Sinto que estou perdida, sinto vontade de ficar em casa, de não ter que ir a lugar algum, ficar no quarto pensando no quão inútil eu sou. Não sei, eu estou tentando me enganar, que estou bem, mas choro todos os dias por isso. Essa tristeza me consome. – Larissa

Resposta ao comentário

Na verdade a Larissa está cometendo um erro de raciocínio, porque está tendo um pensamento de tudo ou nada. Ou seja, quando nós generalizamos a nossa vida e a avaliamos neste tipo de conceito de tudo ou nada, corremos erros gravíssimos de abater-se em nós uma terrível infelicidade, um terrível mal-estar e uma desvalorização enorme. Isto acontece porque a pessoa comete o que em psicologia se chama de absolutismo: “Eu não tenho nada que me corra bem“.

Pontos a trabalhar:

  1. Desenvolver uma escala de avaliação nas área de vida que se pretende melhorar. Avaliar numa escala de (0-10) o quão bem ou o qual mal a sua vida está numa determinada área. Por exemplo: “Na minha relação com o meu namorado, de 0-10 como considero eu quão mal ela está?” Esta avaliação permite comparar algumas coisas que a pessoas tem na vida, umas boas, outras muito boas, menos boas ou más, e com isso não colocar tudo o que tem numa avaliação absolutista de tudo ou nada.
  2. Não enganar a si mesmo que está bem. Nós nunca nos enganamos a nós mesmos. Querermos estar bem e vir a ficar melhor na nossa vida é legítimo, mas enganarmo-nos até ao ponto de dizermos que tudo está bem, remete-nos para uma esquiva, para o evitamento de termos de enfrentar os problemas na nossa vida. Para ultrapassar este problema, a pessoa pode quantificar e qualificar quais as áreas de vida que não se encontram bem e que pretende melhorar. E nessas áreas de vida, a pessoa deverá tentar saber qual o menor passo que pode dar para melhorar a situação e igualmente o que pode fazer para lidar de forma positiva com as emoções e sentimentos incómodos.

Em baixo pode assistir ao vídeo com a resposta completa ao comentário da Larissa:

Link do Vídeo: https://youtu.be/aZhS89Irc6k

Abraço,

Miguel Lucas