Você anda ansioso, deprimido, triste, stressado, não consegue dormir bem, sente-se agitado o tempo todo? Deve tomar medicação ou fazer alguma coisa para tentar resolver esse mal-estar incapacitante? Às vezes, a intervenção mais importante que um terapeuta pode fazer é convencer um cliente a ter que tomar medicação psicotrópica. Alternativamente, às vezes pode ser crucial desencorajar algumas pessoas a buscar soluções médicas para os seus problemas emocionais. Como é que você pode saber que direção tomar quando confrontado com esta dualidade terapêutica?

EXISTE SEMPRE OPÇÃO DE ESCOLHA

A boa notícia é que nenhuma  das duas decisões é irreversível. Se a medicação psicotrópica não surtiu o efeito desejado (recuperação do problema), sendo que usualmente é a primeira opção que a grande maioria das pessoas opta, existe sempre a possibilidade de recorrer  à abordagem psicológica preferencialmente através da  Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), que geralmente leva a resultados positivos. Inversamente, se inicialmente optou pela abordagem psicológica  e esta não  produziu resultados suficientes, aliar  a terapia psicológica com medicação apropriada pode produzir um excelente resultado . De facto, a sinergia da TCC combinada com a medicação pode resultar em progressos mais rápidos e duradouros.

Ainda assim, como é que você pode saber se um problema exige a “toma de alguma medicação” ou “fazer algo para resolvê-lo”, ou, como sugerido acima, o tratamento combinado? Primeiro, deixe-me esclarecer que “fazer algo para resolver o problema”, seja um problema pessoal ou um problema psicológico, refiro-me especificamente à abordagem psicológica tendo por base a Terapia Cognitivo-Comportamental, porque há uma quantidade impressionante de pesquisas científicas validando a sua eficácia,  indicando que é o tratamento não-médico mais escolhido para a maioria dos problemas psicológicos. Na verdade, uma série de pesquisas recentes de neuro-imagem têm demonstrado que as alterações no metabolismo do cérebro que são produzidas por medicamentos são também “produzidos” pela TCC.

A MEDICAÇÃO PODE SER ÚTIL, MAS QUASE SEMPRE TEMPORARIAMENTE

No entanto, se alguém está sofrendo de transtorno bipolar, doença psicótica, depressão maior com pensamentos suicidas, transtorno obsessivo-compulsivo incapacitante, ou ataques de pânico extremos, geralmente é necessário iniciar o tratamento com medicação apropriada. Mas,  uma vez que os sintomas mais incapacitantes tenham desaparecido, a pessoa pode beneficiar muito se for acompanhada com terapia psicológica (TCC).  Em muitos casos, a medicação pode e deve ser reduzida e, por vezes interrompida completamente.

A MEDICAÇÃO É CONTRAPRODUCENTE EM ALGUMAS CONDIÇÕES INCAPACITANTES

Se uma pessoa está sofrendo devido ao stress da vida diária, se tem alguns problemas relacionados com a ansiedade, tendo dificuldades para gerenciar alguns eventos de vida significativos, ou está lutando com problemas de relacionamento, alerto para o facto que a medicação não deve ser uma consideração imediata (é minha opinião que não deve ser a primeira escolha). Pelo contrário, a aprendizagem adaptativa de estratégias de enfrentamento, técnicas de relaxamento, reestruturação cognitivamudança de crenças inadequadas, habilidades sociais, habilidades de resolução de problemas e/ou técnicas de regulação emocional devem ser a primeira linha de tratamento.

Para que possa esclarecer-se melhor acerca de qual pode ser a melhor opção a tomar perante alguns dos problemas que o possam estar a afetar, recomendo a leitura de alguns artigos:

UM PROBLEMA PSICOLÓGICO NÃO É IGUAL A PATOLOGIA

Muitas pessoas caem nas malhas do sofrimento psicológico, sem que necessariamente cumpram os critérios de diagnóstico que se encaixe num transtorno psicológico (de acordo com o DSM-IV, Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais). Se a pessoa tiver alguma condição na sua vida que lhe cause mal-estar emocional ou psicológico, como por exemplo: baixa auto-estima, baixa auto-confiança, sentimento de culpa, excesso de preocupação, timidez incapacitante, problemas pessoais, auto-sabotagem, angústia permanente, problemas no relacionamento, não ser feliz, tristeza, na maioria dos casos, quanto mais a pessoa estiver disposta a fazer algo para resolver o seu problema (pessoal ou psicológico) procurando ajuda de um profissional que pratique a abordagem cognitivo-comportamental, menos sofrerá e melhor irá conseguir gerenciar a sua vida.

Para as condições incapacitantes como as que acabei de descrever, que causam enorme dor emocional na vida de cada um de nós, a toma de medicação como resolução do problema pode causar mais dano do que melhoria. Para além dos efeitos secundários dos medicamentos (psicotrópicos), normalmente o profissional que os prescreve não adota no programa terapêutico/tratamento o enquadramento das causas, nem leva em consideração se a pessoa necessita ou não de aprender um conjunto de estratégias psicossociais para lidar melhor com as dificuldades inerentes ao problema.

Se a decisão foi a toma de medicação: resultado, a pessoa fica à mercê de um medicamento adotando uma postura passiva e provavelmente de vítima sobre o seu próprio problema, como se não existisse nada que ela pudesse fazer. Puro engano, a pessoa é sempre a “variável” diferenciadora para a resolução da sua condição incapacitante. É a pessoa que faz a diferença, sendo que para isso necessita de perceber um conjunto de coisas e aprender tantas outras, no sentido de ficar munida de conhecimento e consequentes estratégias que possa utilizar para minimizar e ultrapassar aquilo que lhe causa mal-estar e problema na sua vida. Por todas estas razões, a abordagem psicológica com recurso à Terapia Cognitivo-Comportamental é aconselhada.

INFORME-SE E ESCLAREÇA-SE, MAS FAÇA ALGUMA COISA

Se tem um problema que lhe causa mal-estar, que lhe retira capacidade e sente que lhe está a atrapalhar e dificultar a vida, pondere sobre o que escrevi. Escolha bem, esclareça-se, coloque questões aos profissionais, exija troca de opiniões e, acima de tudo um diagnóstico acerca da evolução do seu estado. A grande maioria das condições incapacitantes e igualmente os transtornos psicológicos têm elevadas taxas de sucesso no tratamento, quando devidamente enquadradas num plano terapêutico. Não sofra desnecessariamente, cuide de si, esclarecendo-se.

E VOCÊ, ESTÁ A PASSAR OU JÁ PASSOU POR ESTE DILEMA?

Que escolhas fez? Que experiências teve, quer numa ou noutra escolha? Partilhe as suas experiências, certamente serão enriquecedoras e ajudarão outros com os mesmos problemas.

Abraço